Dr. Cid Carvalhaes - médico, advogado e escritor.

Por Dr. Cid Carvalhaes*

Encantos da abelha, com sua segurança e tranquilidade ao colher o néctar das flores, nos fazem refletir sobre a importância do viver. A bela imagem da abelha sobre a flor carrega grandes significados. Elas retiram das flores a matéria-prima para a produção do mel e de outros produtos, além de serem grandes disseminadoras de sementes, promovendo a revitalização das matas e florestas.

Agem, em seus voos discretos e em grandioso silêncio, na contramão do ser humano — devastador do meio ambiente. Desmatamentos, garimpos irregulares, queimadas, invasão de territórios indígenas, assoreamento de rios e contaminação de mananciais, entre tantos outros, são exemplos da atual realidade devastadora. Isso se reflete nas intempéries climáticas: aquecimento global, poluição, ondas de frio e calor, secas, inundações.

E as abelhas, ao contrário do senso comum, constroem suas colmeias com arquitetura exemplar, moldadas por uma rígida hierarquia. Criam, recriam, produzem, constroem. Possuem uma organização social admirável. Não agridem — apenas se defendem quando ameaçadas.

E a espécie humana? Guerreia, destrói, mata seus semelhantes — inclusive crianças, mulheres e idosos. Discrimina tudo e todos, atenta contra a soberania de nações livres, democráticas e autônomas. Privilegia uma minoria poderosa em detrimento da maioria sacrificada.

Voltemos às abelhas: pequenos insetos, poderosos, edificadores. Mel, pólen, própolis, cera e até seu veneno, com propriedades terapêuticas — tudo isso é prova irrefutável do seu valor. Na senda da utopia, vale imaginar o ser humano se comportando como uma organização apiária. Seria um verdadeiro humanismo comportamental.

*Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes – Médico neurocirurgião, advogado e escritor. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Presidente do Conselho Deliberativo da SBN, Presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e Presidente da Federação Nacional dos Médicos. Especialista no Direito Médico e da Saúde e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito da Escola Paulista de Direito. É Colunista do Agenda Capital.

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