Cúpula do Clima reuniu 153 delegações em Belém. Foto Hermes Caruzo/COP30

A capital paraense reúne 153 delegações e Lula cobra ação global

Por Redação

Belém se torna, a partir desta quinta-feira (6/11), o epicentro da agenda climática global. Líderes de 153 delegações desembarcaram na capital paraense para a Cúpula do Clima de Belém, encontro político de alto nível que antecede e prepara o terreno para a COP30, que terá início na próxima segunda-feira (10/11).

O objetivo é claro: fortalecer a articulação internacional e alinhar compromissos para enfrentar a crise climática numa década considerada decisiva para o futuro do planeta.

Lula: “A COP30 será a COP da verdade”

Na abertura do encontro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a simbologia histórica de realizar uma conferência climática no coração da Amazônia – a maior floresta tropical do mundo e um dos principais reguladores climáticos do planeta.

“Pela primeira vez na história, uma COP do Clima terá lugar no coração da Amazônia. No imaginário global, não há símbolo maior da causa ambiental do que a floresta amazônica”, afirmou.

Lula chamou atenção para a gravidade da crise climática, citando que 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média global superou 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Mesmo diante desse cenário, o presidente reforçou que o mundo não pode abandonar a meta do Acordo de Paris.

O presidente Lula abriu a Cúpula do Clima de Belém chamando os países para investirem em transição energética e proteção das florestas. Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

Ele lembrou que a comunidade internacional já conhece os impactos da mudança do clima há mais de três décadas, desde o primeiro relatório do IPCC, mas que as ações ainda avançam de forma demasiadamente lenta.

“Foram necessárias 28 conferências para que se reconhecesse a necessidade de se afastar dos combustíveis fósseis e de parar e reverter o desmatamento. Foi preciso um ano adicional para admitir a ampliação do financiamento climático para US$ 1,3 trilhão.”

Segundo Lula, a COP30 deverá marcar uma inflexão no processo internacional: “A COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos coragem e determinação para transformá-la.”

Metas: transição energética e proteção das florestas

Lula resumiu a estratégia global em duas frentes: acelerar a transição energética e proteger a natureza, destacando que ambas são as formas mais efetivas de conter o aquecimento global.

O presidente também defendeu que a mudança do clima precisa ser incorporada às decisões cotidianas de governos, empresas e cidadãos, aproximando o debate técnico da realidade das pessoas: “As pessoas podem não entender o que são emissões ou toneladas de carbono, mas sentem a poluição. Podem não compreender os sumidouros de carbono, mas sabem o valor das florestas e dos oceanos.”

Guterres: “Não é mais hora de negociar. É hora de implementar”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o tom de urgência. Segundo ele, Belém deve marcar o início de uma década de aceleração e resultados concretos.

“Os países precisam concordar com um plano de resposta ambicioso e credível para realmente limitar o aumento da temperatura a 1,5°C”, afirmou.

Guterres enfatizou que é necessário:

  • Expandir energias renováveis;
  • Avançar em eletrificação e eficiência energética;
  • Modernizar redes de transmissão;
  • Investir em armazenamento;
  • Parar e reverter o desmatamento até 2030.

O recado foi direto: “Não é mais hora de negociações. É hora de implementação, implementação e implementação.”

Brasil propõe uma Cúpula para enfrentar divergências

Lula também destacou que a reunião de Belém é uma inovação pensada pelo Brasil para antecipar consensos e, principalmente, trabalhar as divergências antes do início oficial da COP30.

“As convergências já são conhecidas. Nosso objetivo será enfrentar as divergências. As palavras ditas aqui serão a bússola da jornada que nossas delegações percorrerão nas próximas semanas”, afirmou o presidente.

O clima de Belém é descrito por Lula como um “mutirão coletivo”, que envolve não apenas governos, mas também povos indígenas, comunidades tradicionais, sociedade civil e autoridades locais — todos reconhecidos como atores decisivos no enfrentamento da crise climática.

O que esperar da COP30

Com a Cúpula do Clima preparando o terreno, a expectativa é que a COP30:

  • avance em compromissos firmes de financiamento climático;
  • estabeleça metas claras de redução e eliminação de combustíveis fósseis;
  • fortaleça a proteção de florestas tropicais;
  • defina mecanismos eficientes de monitoramento e implementação.

Belém, portanto, não é apenas cenário, mas protagonista de uma nova fase da governança climática global.

Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/

Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here