Paralelamente às discussões sobre segurança pública, Lula desembarca neste sábado (1º) em Belém para acompanhar obras e ações preparatórias para a COP30, que será realizada em 2025.
Por Delmo Menezes
Em meio ao avanço do debate sobre segurança pública no país e ao aumento da pressão política após a megaoperação no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido orientado por aliados a evitar falas improvisadas sobre o tema. A estratégia busca impedir novos desgastes que possam ser explorados pela oposição, sobretudo num momento em que a pauta tende a ganhar força no cenário eleitoral de 2025 e 2026.
Aliados temem munição política para a oposição
Nos bastidores do Planalto, assessores avaliam que qualquer deslize pode reforçar discursos da direita sobre suposta leniência do governo no combate ao crime organizado. O episódio mais citado é a fala de Lula na Indonésia, quando afirmou que “traficantes são vítimas de usuários”. Apesar da retratação imediata, o trecho segue sendo utilizado por opositores.
A recomendação é clara: não “morder a isca” em um ambiente politicamente inflado. Desde a operação que deixou 121 mortos no complexo do Alemão e da Penha, na última terça-feira (28), o presidente tem se pronunciado apenas pelas redes sociais, evitando declarações espontâneas.
Na quarta-feira (29), Lula afirmou ter reunido ministros e determinado o envio de uma comitiva ao Rio para dialogar com o governador Cláudio Castro (PL).
“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias (…) Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, escreveu.
Já nesta sexta-feira (31), ao assinar o Projeto de Lei Antifacção, Lula voltou a defender o endurecimento contra organizações criminosas. A proposta prevê penas de até 30 anos para integrantes de facções e amplia os instrumentos de investigação e asfixia financeira.
O presidente também reforçou que o projeto se soma à PEC da Segurança Pública, enviada em abril ao Congresso. “As facções só serão derrotadas com esforço conjunto de todas as esferas de poder”, afirmou.
Enquanto isso, governadores de direita tentam capitalizar a megaoperação do Rio como exemplo de ação eficaz. Na quinta-feira (30), Cláudio Castro lançou o chamado Consórcio da Paz, ao lado de outros seis governadores, com críticas diretas ao governo federal.
Lula cumpre agenda em Belém antes da COP30 e inaugura obras de infraestrutura
Paralelamente às discussões sobre segurança pública, Lula desembarca neste sábado (1º) em Belém para acompanhar obras e ações preparatórias para a COP30, que será realizada em 2025. A visita reforça o compromisso do Planalto em garantir infraestrutura adequada para receber delegações de todo o mundo.
Às 10h, o presidente participa da entrega das obras de ampliação e modernização do Aeroporto Internacional de Belém, que recebeu investimento de R$ 450 milhões da concessionária Norte da Amazônia Airports. A cerimônia não será aberta à imprensa.
Em seguida, às 11h30, Lula inaugura o novo terminal do Porto de Outeiro, em evento com cobertura jornalística. Considerado estratégico para o escoamento da produção e fortalecimento da matriz de exportação do Pará, o porto integra o pacote de obras voltadas à preparação da cidade para a conferência climática.
A agenda também prevê encontros com lideranças e comunidades locais. Entre os objetivos, está reforçar o papel da COP30 na promoção de desenvolvimento sustentável na Amazônia e consolidar o Brasil como referência no debate ambiental global.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital





