
A saída de Sabino é interpretada como parte do esforço de Lula para consolidar apoio dentro do União Brasil, legenda que rompeu formalmente com o governo
Por Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (17), a demissão de Celso Sabino do comando do Ministério do Turismo. A decisão ocorre nove dias após o ex-ministro ter sido expulso do União Brasil e em meio à estratégia do governo de reorganizar sua base de apoio no Congresso Nacional. O anúncio foi feito ao fim de uma reunião ministerial realizada na Granja do Torto, da qual Sabino participou.
Para o lugar do paraense, Lula nomeará Gustavo Damião, ex-secretário de Turismo da Paraíba e filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB). Aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Feliciano é apontado como peça importante na articulação política desejada pelo Planalto para ampliar votações favoráveis ao governo na Câmara dos Deputados.
Reforço à governabilidade
A saída de Sabino é interpretada como parte do esforço de Lula para consolidar apoio dentro do União Brasil, legenda que rompeu formalmente com o governo, mas cuja bancada continua dividida. Dos 59 deputados do partido, cerca de 25 seguem votando alinhados ao Palácio do Planalto. Foi justamente esse grupo governista que articulou a mudança no Ministério do Turismo como condição para manter o apoio às pautas do Executivo.
Ao optar pela demissão, Lula busca fortalecer pontes com setores estratégicos do União Brasil e ampliar sua margem de governabilidade, especialmente em ano pré-eleitoral e com a mira em um novo mandato nas eleições de 2026.
Sabino: saída “a serviço da governabilidade” e foco no Pará
Em declaração após a exoneração, Celso Sabino afirmou que sua saída foi parte de um entendimento com Lula ainda em andamento há alguns dias. Segundo ele, o gesto ajuda a garantir a governabilidade do presidente no Congresso e aponta para novos planos políticos em 2025 e 2026.
“O que importa é o governo ter governabilidade. Atendendo esse chamado do presidente Lula, tenho que seguir para essa cadeira para o Senado”, afirmou Sabino, ao confirmar sua pré-candidatura ao Senado pelo Pará. Sem partido após a expulsão do União Brasil, ele disse que definirá até fevereiro sua nova filiação, mas adiantou que busca uma sigla com perfil progressista, alinhada ao desenvolvimento econômico, à defesa da democracia e à construção de projetos estruturantes para o Pará.
Sabino também retorna à Câmara dos Deputados, onde intensificará articulações estaduais e nacionais como cabo eleitoral de Lula no Pará.
Crise com o União Brasil levou à ruptura
A demissão marca o desfecho de semanas de tensão entre Sabino e a direção nacional do União Brasil. A legenda exigiu que o então ministro deixasse o governo após romper formalmente com o Planalto. Sabino se recusou a entregar o cargo, alegando que sua saída às vésperas da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-30), realizada no Pará, prejudicaria o país.
O impasse levou ao processo no Conselho de Ética do partido e, posteriormente, à expulsão do ministro.
Novo titular assume com missão política
Gustavo Damião chega ao Ministério do Turismo com forte chancela política. Sua indicação representa mais um passo de Lula rumo ao compartilhamento de espaços do governo com lideranças de partidos do Centrão, estratégia essencial para aumentar governabilidade em um Congresso fragmentado.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital




