Comitê Norueguês destaca coragem da líder opositora que permanece escondida no país após repressão de Maduro. Trump lamenta derrota e diz que prêmio deveria ter sido seu.
Por Redação
O Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, em reconhecimento à sua atuação “incansável na promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e na busca por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (10) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo.
De acordo com Jørgen Watne Frydnes, presidente do comitê, Machado foi escolhida por ser uma “figura-chave e unificadora em uma oposição política que antes era profundamente dividida — uma oposição que encontrou um ponto comum na demanda por eleições livres e governo representativo”.
“Nos últimos meses, María Corina Machado foi forçada a viver escondida. Apesar das sérias ameaças à sua vida, ela permaneceu na Venezuela, uma escolha que inspirou milhões. Quando autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem”, afirmou Frydnes.
A perseguição política e a luta democrática
Impedida pelo regime de Nicolás Maduro de concorrer nas eleições presidenciais, Machado apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia como candidato de consenso da oposição. O processo eleitoral, no entanto, foi marcado por repressão, prisões, desqualificações e denúncias de violações de direitos humanos.
Mesmo com fortes indícios de fraude, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado por aliados de Maduro, declarou o atual presidente vencedor. O resultado provocou protestos em todo o país, violentamente reprimidos, deixando mais de 20 mortos. O episódio levou ainda ao rompimento das relações diplomáticas da Venezuela com países como a Argentina.
Desde janeiro, Machado está escondida, enquanto um mandado de prisão foi emitido contra González, que obteve asilo político na Espanha.
Incerteza sobre presença na cerimônia
Questionado se Machado poderá comparecer à cerimônia de entrega do Nobel, marcada para dezembro em Oslo, Frydnes respondeu que ainda não há garantias de segurança.
“É muito cedo para dizer. Sempre esperamos ter o laureado conosco em Oslo, mas esta é uma situação de segurança séria que precisa ser resolvida primeiro”, disse o presidente do comitê.
Reação de Donald Trump
A escolha de Machado frustrou as expectativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia se colocado como favorito ao prêmio. Trump esperava ser reconhecido pelo acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas, anunciado na quarta-feira (8).
Em declarações recentes, o republicano afirmou que o comitê estaria “desrespeitando os Estados Unidos” caso não o premiasse. Frydnes, no entanto, esclareceu que o órgão recebe indicações e campanhas todos os anos, mas que “a decisão é guiada exclusivamente pelos princípios estabelecidos por Alfred Nobel”.
Trump tem demonstrado obsessão antiga com o Nobel da Paz, reclamando publicamente por nunca ter sido premiado, mesmo após ter sido indicado por líderes de Israel, Paquistão e Camboja.
O que é o Prêmio Nobel da Paz
Criado em 1901 a partir do testamento do inventor sueco Alfred Nobel, o prêmio é concedido a pessoas ou organizações que se destacam por promover a paz, os direitos humanos e o progresso da humanidade.
O vencedor é escolhido por um comitê de cinco membros designados pelo Parlamento da Noruega. Além da medalha de ouro, o prêmio inclui uma quantia em dinheiro — 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,8 milhões) em 2023.
A escolha é resultado de um processo que envolve centenas de indicações enviadas até janeiro e avaliadas ao longo do ano. A entrega ocorre tradicionalmente em dezembro, em Oslo.
Histórico recente de laureados
Em 2024, o Nobel da Paz foi concedido à ativista iraniana Narges Mohammadi, pela luta pelos direitos das mulheres no Irã e contra a opressão do regime teocrático.
No ano anterior, em 2023, o prêmio foi entregue à organização japonesa Nihon Hidankyo, formada por sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, por sua militância contra as armas nucleares.
Em anos anteriores, também foram reconhecidos o jornalista russo Dmitri Muratov e a filipina Maria Ressa (2021), o Programa Mundial de Alimentos da ONU (2020), o primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed (2019), e a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, em 2014, que se tornou a mais jovem laureada da história, aos 17 anos.
Um símbolo de resistência
Com o prêmio, María Corina Machado se junta a uma lista de personalidades e instituições que marcaram a história da luta pela paz e pela liberdade. Sua escolha é vista por analistas como um ato de reconhecimento internacional à resistência democrática venezuelana, em um momento de agravamento da repressão no país.
“O prêmio à Sra. Machado é uma mensagem clara de que o mundo não esqueceu o povo da Venezuela”, concluiu Frydnes.
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Da Redação do Agenda Capital





