A população do DF terá acesso a mais duas paradas do Metrô. Uma em Samambaia, que já estão em construção, e duas em Ceilândia, em fase de licitação. Foto: Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília.

GDF investe na expansão do metrô e prepara Linha 2 para ligar região Sul ao Plano Piloto

Por Delmo Menezes

O sistema metroviário do Distrito Federal passa por uma das maiores fases de expansão de sua história. Com investimentos em novas estações, ampliação de ramais e modernização tecnológica, o Governo do Distrito Federal (GDF) projeta elevar a capacidade do Metrô-DF dos atuais 160 mil para cerca de 180 mil passageiros transportados diariamente nos próximos anos.

Desde 2019, o GDF vem ampliando a rede metroviária com a inauguração de três novas estações: 106 Sul e 110 Sul, no Plano Piloto, e Estrada Parque, em Águas Claras. Agora, o foco está na construção de novas paradas em Samambaia e Ceilândia, além do planejamento da futura Linha 2, que deverá ligar a região Sul do DF ao Plano Piloto.

Investimentos superam R$ 119 milhões

Nos últimos anos, os investimentos do GDF na expansão do sistema metroviário ultrapassaram R$ 119,3 milhões. Parte desse montante foi destinada à construção das estações 106 Sul, 110 Sul e Estrada Parque, entregues em 2020, com investimento total de aproximadamente R$ 42 milhões.

As novas unidades contribuíram para o aumento de cerca de 5 mil usuários no movimento diário do sistema.

Outra parcela significativa dos recursos está sendo aplicada na expansão do ramal de Samambaia. Segundo o Metrô-DF, o investimento previsto para a obra chega a R$ 319 milhões, dos quais mais de R$ 77,6 milhões já foram executados.

Atualmente, os trabalhos incluem serviços de terraplenagem, drenagem, estruturas, contenções e sistemas complementares, gerando aproximadamente 350 empregos diretos e indiretos. A obra também conta com a participação de dez reeducandos do sistema penitenciário, conforme prevê a Lei nº 4.652/2011.

Expansão histórica em Samambaia

O diretor-presidente do Metrô-DF, Handerson Cabral, destaca que a ampliação do ramal de Samambaia estava prevista desde a concepção original do sistema, há cerca de três décadas.

“Já existia uma decisão do governo de preparar a infraestrutura da expansão de Samambaia. Conseguimos finalizar a licitação e começamos as obras entre março e abril de 2025”, afirmou.

O projeto prevê a construção das estações 35 e 36, além de três subestações retificadoras de energia e toda a infraestrutura necessária para a operação do novo trecho.

A ampliação acrescentará cerca de 3,6 quilômetros de via férrea ao sistema, estendendo o percurso a partir da atual Estação Samambaia até o subcentro oeste da cidade, próximo à 1ª Avenida Sul.

As duas novas estações somarão aproximadamente 7 mil metros quadrados de área construída e estarão localizadas em pontos estratégicos, próximos à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ao Centro Olímpico e Paralímpico (COP) e a novos empreendimentos habitacionais.

A expectativa é que entre 12 mil e 15 mil passageiros utilizem diariamente as novas estações. Estudos apontam que isso poderá retirar das ruas o equivalente a 3.225 automóveis por dia ou reduzir a circulação de 62 ônibus articulados diariamente.

Ceilândia também ganhará novas paradas

A cidade mais populosa do Distrito Federal também será beneficiada pela expansão da malha metroviária.

O processo licitatório para a ampliação do ramal de Ceilândia foi reaberto em março deste ano. O projeto contempla a construção de 2,3 quilômetros de novas vias a partir da atual estação terminal, em direção à BR-070.

Serão implantadas duas novas estações: uma próxima à UPA e outra nas proximidades do Centro Olímpico e Paralímpico da cidade.

A previsão é de que o novo trecho atenda entre 15 mil e 18 mil passageiros por dia.

Com a conclusão das expansões de Samambaia e Ceilândia, o sistema ganhará mais 5,9 quilômetros de extensão, passando dos atuais 42,3 quilômetros para 48,2 quilômetros de vias.

Segundo Handerson Cabral, o impacto será significativo para a mobilidade urbana da capital.

“Quando a ampliação dos ramais de Samambaia e Ceilândia for concluída, o metrô deverá receber mais 25 mil passageiros diariamente. São iniciativas extremamente importantes para a mobilidade urbana do Distrito Federal”, ressaltou.

Linha 2 promete transformar a mobilidade da região Sul

Paralelamente às obras em andamento, o Metrô-DF trabalha na elaboração dos estudos para a implantação da Linha 2, considerada um dos projetos mais ambiciosos da história do transporte público do DF.

A futura linha deverá conectar cidades como Gama, Santa Maria, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Cruzeiro ao Plano Piloto, incluindo integração com a Rodoviária do Plano Piloto e a Esplanada dos Ministérios.

Atualmente, estão sendo desenvolvidos os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA).

De acordo com o diretor-presidente do Metrô-DF, a próxima etapa será a elaboração da modelagem econômica e financeira e do anteprojeto de engenharia, fundamentais para viabilizar a licitação da obra.

“A determinação da governadora Celina Leão é que isso seja feito o mais rápido possível, porque temos uma demanda de passageiros tão grande como a que atendemos hoje nas regiões de Ceilândia e Samambaia”, afirmou.

A Linha 2 deverá ter cerca de 60 quilômetros de extensão e capacidade para transportar aproximadamente 130 mil passageiros por dia, sendo cerca de 50 mil apenas no horário de pico da manhã.

Os investimentos estimados variam entre R$ 13,4 bilhões e R$ 20,4 bilhões, dependendo do traçado definitivo e das soluções técnicas adotadas.

Usuários aprovam expansão

A ampliação do sistema é bem recebida por moradores das regiões que serão beneficiadas.

Morador da Expansão do Setor O, em Ceilândia, o aposentado José Lamartine, de 72 anos, considera a iniciativa fundamental para a população.

“Eu uso muito pouco, mas é muito importante para todos, principalmente lá para o Setor O. Vai ficar ainda melhor, com menos complicações e ainda mais rápido”, afirmou.

Já o fotógrafo Pedro Ícaro Barroso, de 29 anos, morador do Itapoã, utiliza frequentemente o metrô para se deslocar até Taguatinga e Ceilândia.

“É superinteressante e necessário termos essa expansão, principalmente dos locais que são mais afastados do Plano Piloto, como Gama e Santa Maria. Com a expansão das linhas de metrô, vai facilitar demais”, destacou.

Tecnologia e conforto para os passageiros

Além das obras físicas, o Metrô-DF vem investindo na modernização dos serviços oferecidos aos usuários.

Entre as principais novidades estão a implantação do pagamento por aproximação diretamente nas catracas, a ampliação dos validadores eletrônicos, a substituição dos bilhetes de papel por QR Code e a instalação de painéis informativos com horários de chegada e partida dos trens em todas as 27 estações.

Outro avanço importante foi o lançamento do aplicativo oficial do sistema, disponível para Android e iOS, que permite acompanhar em tempo real a operação dos trens. A ferramenta também oferece serviços como Achados e Perdidos e um canal de denúncias por meio da aba Segurança.

O horário de funcionamento também foi ampliado. As estações passaram a abrir às 5h30, meia hora mais cedo do que anteriormente, e o atendimento aos domingos foi estendido até 21h30, atendendo uma demanda antiga dos usuários.

Com obras em andamento, novos projetos estruturantes e investimentos em tecnologia, o Metrô-DF se consolida como uma das principais apostas do GDF para melhorar a mobilidade urbana, reduzir o tempo de deslocamento e oferecer mais qualidade de vida à população do Distrito Federal.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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