A nova Epig segue as diretrizes previstas na chamada “escala bucólica”, com foco na harmonia entre os elementos urbanos e a vegetação. Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília.

O planejamento da nova Epig vem sendo discutido desde 2011, dentro do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU).

Por Redação

A Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig) passa por uma das maiores transformações viárias da capital federal. Com investimento de R$ 160 milhões e execução da Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF), o projeto da nova Epig foi elaborado de forma minuciosa para respeitar a área tombada de Brasília e atender às exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A entrega está prevista para o próximo ano.

A reconstrução da via, que atende a cerca de 30 mil motoristas diariamente, segue as diretrizes da “escala bucólica”, conceito urbanístico de Lucio Costa que preserva a harmonia entre edificações e áreas verdes. Nesse sentido, foram adotadas soluções como a construção de uma rotatória entre o Sudoeste e a Octogonal e duas passagens subterrâneas de ligação com o Parque da Cidade, em substituição a elevados e trincheiras que poderiam comprometer a paisagem e a circulação de pedestres.

A nova Epig segue as diretrizes previstas na chamada “escala bucólica”, com foco na harmonia entre os elementos urbanos e a vegetação | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Mobilidade e preservação

Segundo o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro, o novo projeto equilibra modernização viária e preservação histórica. “Conseguimos criar um corredor exclusivo de ônibus, dando mais velocidade ao transporte público e trazendo conforto para os pedestres que precisam circular naquela região, seja do Sudoeste para o Parque da Cidade, vice-versa, ou mesmo nas estações do BRT”, destacou.

A rotatória, localizada no Trecho 2, foi a alternativa encontrada para evitar a segregação de modais que ocorreria com a construção de viadutos. Já as passagens subterrâneas, no Trecho 4, foram planejadas para garantir segurança e acessibilidade, com iluminação natural, espaços mais amplos, ausência de pontos cegos e até a presença de pequenos comércios.

“Diferentemente das passagens do Plano Piloto, estas foram desenhadas para proporcionar visibilidade completa de entrada e saída, o que traz muito mais segurança ao pedestre”, explica a arquiteta Clebiana Silva, chefe da Assessoria de Projetos de Edificações e Urbanismo da SODF.

Projeto de longo prazo

O planejamento da nova Epig vem sendo discutido desde 2011, dentro do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU). Segundo Clebiana Silva, só foi possível avançar após ajustes técnicos que atenderam às recomendações do Iphan. Em 2019, o governo retomou as tratativas e definiu que todas as exigências deveriam ser consideradas já na contratação das obras.

Uma das novidades foi a apresentação do projeto em 3D, com simulações de tráfego que permitiram avaliar impacto real no trânsito e propor soluções para reduzir os engarrafamentos existentes.

Expectativa da população

A reconstrução da Epig está dividida em seis frentes de trabalho e deve reduzir em até 25 minutos o tempo de viagem dos usuários do transporte público, especialmente nos horários de pico. Para quem depende diariamente da via, a expectativa é de melhora significativa na qualidade de vida.

A manicure Valéria Nunes, 34 anos, que trabalha no Sudoeste, comemora a perspectiva de encurtar o trajeto: “Acho que a obra vai melhorar bastante a situação aqui. Tendo menos tempo no trajeto, será bom demais.”

Já a farmacêutica Celma Nunes, 46 anos, reforça que, apesar dos transtornos temporários, o benefício será coletivo: “Ultimamente estamos tendo transtornos, mas faz parte. Com a obra terminada, a gente vai ter mais tempo, mais qualidade de vida, vamos gastar menos tempo de casa para o trabalho.”

Modernização com identidade

A nova Epig representa mais do que um corredor viário moderno. É também um exemplo de como o desenvolvimento urbano pode andar lado a lado com a preservação do patrimônio cultural. Ao respeitar a escala bucólica e priorizar soluções humanizadas, o GDF reafirma o compromisso de modernizar Brasília sem comprometer os princípios que levaram a capital a ser reconhecida como Patrimônio da Humanidade.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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