Farmacêutica Novo Nordisk em Bagsvaerd, nos arredores de Copenhague. Foto: Reprodução.

Mercado de obesidade ganha novo capítulo com lançamento do Wegovy em comprimido nos EUA

Por Redação

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk iniciou nesta segunda-feira (5) a venda, nos Estados Unidos, do Wegovy em versão comprimido, marcando uma nova etapa na corrida global pelos medicamentos para perda de peso. A pílula, de uso diário, foi aprovada pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) no mês passado e chega ao mercado em um cenário de forte concorrência, especialmente com a americana Eli Lilly.

O comprimido Wegovy será comercializado inicialmente em doses de 1,5 miligrama (mg) e 4 mg, ao custo de US$ 149 por mês para pacientes que pagam do próprio bolso. A estratégia mira principalmente consumidores sem cobertura de planos de saúde, um público cada vez mais relevante diante dos altos preços praticados no setor.

A novidade representa uma vantagem competitiva para a Novo Nordisk, que busca recuperar espaço perdido para a Eli Lilly, cujo medicamento injetável Zepbound vem superando o Wegovy em prescrições semanais nos EUA ao longo do último ano. A Lilly, por sua vez, aguarda a aprovação de seu próprio comprimido para emagrecimento, prevista possivelmente para março.

Alternativa às injeções e aposta em novos consumidores

Um dos principais atrativos do Wegovy em comprimido é a flexibilidade de uso, oferecendo uma alternativa para pacientes que não se adaptam ou não desejam utilizar medicamentos injetáveis. O comprimido contém semaglutida, o mesmo princípio ativo presente nos tratamentos injetáveis da Novo para emagrecimento e diabetes, comercializados sob as marcas Wegovy e Ozempic.

A dose de 1,5 mg funciona como etapa inicial do tratamento e já é utilizada também no medicamento oral para diabetes tipo 2 da empresa, o Rybelsus. Além das doses iniciais, a Novo Nordisk planeja comercializar o Wegovy em comprimido em versões de 9 mg e em uma dose mais alta para uso prolongado, de 25 mg. Segundo o site da farmacêutica, essas duas doses custarão US$ 299 por mês, enquanto a dose de 4 mg passará a custar US$ 199 a partir de 15 de abril.

O mercado reagiu positivamente ao anúncio. As ações da Novo Nordisk subiram mais de 2% no fim da manhã desta segunda-feira, enquanto os papéis da Eli Lilly recuaram cerca de 1% no pré-mercado americano.

Pressão por preços mais baixos

O lançamento ocorre em meio a um movimento político para reduzir os custos dos medicamentos para obesidade nos Estados Unidos. O preço de tabela dos injetáveis da classe GLP-1 gira em torno de US$ 1.000 por mês ou mais, o que tem gerado críticas e pressão sobre as farmacêuticas.

Em novembro do ano passado, a Novo Nordisk já havia reduzido o preço do Wegovy injetável para US$ 349 mensais para pacientes que pagam em dinheiro. Em acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, tanto a Novo quanto a Eli Lilly se comprometeram a oferecer doses iniciais de seus comprimidos para emagrecimento por US$ 149 por mês a beneficiários do Medicare e Medicaid, além de consumidores que pagam do próprio bolso por meio do novo site de venda direta da Casa Branca, o TrumpRx, previsto para ser lançado ainda este mês.

A Eli Lilly informou que, caso seu comprimido seja aprovado, pretende limitar o preço das doses mais altas a US$ 399 por mês para clientes recorrentes que pagam em dinheiro.

Produção e abastecimento

A demanda pelos medicamentos GLP-1 tem sido considerada sem precedentes nos últimos anos, levando inclusive a restrições de fornecimento em 2024. Para evitar novos gargalos, a Novo Nordisk afirmou que vem fabricando o Wegovy em comprimido em sua unidade na Carolina do Norte e acumulando estoques antes do lançamento oficial.

Com a chegada da versão oral do Wegovy, a Novo amplia seu portfólio e reforça a aposta em um mercado bilionário, que deve continuar crescendo impulsionado pela busca por tratamentos mais acessíveis, eficazes e convenientes para o controle do peso.

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Da Redação do Agenda Capital

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