O senador Rogério Marinho (PL-RN) reúne-se com lideranças e parlamentares do Partido Liberal (PL), na manhã desta quarta-feira, 4 Foto: Wilton Junior/ Estadão.

Líder da oposição afirma que buscará convergência com Tereza Cristina e acusa Davi Alcolumbre de tentar conquistar apoios com recursos e verbas

Por Delmo Menezes

O Partido Liberal (PL) oficializou nesta terça-feira (4) o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à Presidência do Senado Federal. Após reunião com integrantes da bancada, o parlamentar reafirmou que pretende disputar o comando da Casa e declarou contar, atualmente, com mais de 40 votos.

A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e promete uma disputa acirrada entre Marinho, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também se apresenta como candidata.

Marinho afirmou que, no momento oportuno, pretende construir uma aliança com Tereza Cristina, que também disputa o apoio de parlamentares da oposição.

“Fui escolhido pelos nossos companheiros para representar a direita”, declarou o senador, que lidera a oposição no Senado.

Ausência de Michelle Bolsonaro

O lançamento oficial da candidatura não contou com a presença da senadora eleita Michelle Bolsonaro. A ausência foi justificada pela preparação do almoço do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

O nome de Marinho já havia sido anunciado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial do último domingo. Em vídeo gravado nos Estados Unidos, Flávio convocou seus apoiadores a cobrar dos senadores eleitos o voto em favor do candidato do PL.

Marinho foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e mantém relação de confiança com a família Bolsonaro.

Disputa com Alcolumbre

O candidato do PL criticou o atual presidente do Senado e afirmou que Alcolumbre, que conta com o apoio do governo Lula e de setores da esquerda, tentará conquistar votos por meio da distribuição de recursos e verbas.

A declaração evidencia o tom político da disputa pelo comando da Casa, que será decisiva para a relação entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.

Marinho também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem classificou como um “Robin Hood às avessas, que dá com uma mão e tira com a outra”.

O senador afirmou que, caso seja eleito, pretende adotar uma postura de maior rigor na fiscalização do Executivo, especialmente em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal.

“Seremos um presidente que, com apoio do povo, faremos cumprir a Constituição. Se a Lei de Responsabilidade Fiscal for descumprida, não seremos omissos, cumpriremos a lei”, declarou.

A fala sinaliza que a fiscalização das contas públicas poderá ocupar espaço central em sua atuação à frente do Senado, caso vença a eleição.

PL precisa ampliar apoios

A eleição para a Presidência do Senado exige, no mínimo, 41 votos. O PL contará com uma bancada de 29 senadores em 2027, o que significa que Marinho precisará conquistar o apoio de pelo menos outros 12 parlamentares para chegar ao comando da Casa.

O candidato afirmou considerar que já reúne mais de 40 votos, mas a articulação política ainda está em andamento.

O partido aposta na adesão de parlamentares de outras legendas, inclusive de dissidentes do União Brasil, para fortalecer a candidatura e ampliar suas chances de vitória.

Apesar das críticas ao governo Lula, Marinho afirmou que não pretende utilizar a Presidência do Senado para bloquear indiscriminadamente as iniciativas do Executivo.

“Respeitarei dissidência, porque somos democratas e queremos diálogo”, disse. “Não seremos inconsequentes, não paralisaremos governo”.

O senador também criticou o movimento de apoio ao presidente Lula organizado pelo deputado André Janones (Avante-MG), que classificou como um “Exército de mentira”.

Cenário ainda indefinido

A disputa pelo comando do Senado permanece aberta. Davi Alcolumbre trabalha para permanecer no cargo, enquanto Rogério Marinho busca consolidar o apoio da direita e de parlamentares insatisfeitos com a atual condução da Casa.

Tereza Cristina, por sua vez, representa uma alternativa dentro do campo oposicionista e pode se tornar peça-chave nas negociações.

A possibilidade de convergência entre Marinho e Tereza Cristina poderá redefinir o equilíbrio da disputa e influenciar diretamente o resultado da eleição.

Com uma bancada de 29 parlamentares, o PL precisará ampliar sua base de apoio para transformar a candidatura de Marinho em uma vitória. A articulação nos próximos meses será decisiva para determinar quem comandará o Senado Federal a partir de fevereiro de 2027.

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Da Redação do Agenda Capital

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