A cerimônia contou com arquibancadas decoradas com os temas escolhidos pelo governo: “Brasil Soberano”, “COP-30”, que será realizada em novembro em Belém, e “Brasil do Futuro”.
Por Redação
O tradicional desfile cívico de 7 de setembro, realizado neste sábado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi marcado por manifestações da plateia contra a anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Enquanto as tropas militares e civis desfilavam diante das autoridades, um grupo de populares entoou o coro “sem anistia” quando o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira Motta, chegou ao evento.
A reação do público ocorreu em meio à crescente pressão de parlamentares bolsonaristas para que a Câmara vote com urgência o projeto de lei que prevê perdão aos condenados pelos atos antidemocráticos. Motta, que chegou por volta das 8h20, tem sido cobrado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a pautar a matéria. Ele próprio já admitiu que o número de líderes favoráveis à deliberação aumentou nos últimos dias.
O clima político em torno da anistia dominou os bastidores da celebração da Independência. O Senado não teve representação na cerimônia, já que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), passou o feriado em seu Estado. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compareceu acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de ministros como Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). O desfile começou oficialmente por volta das 9h30, autorizado pelo próprio Lula.
Reação do Planalto
Diante do avanço das articulações no Congresso, Gleisi Hoffmann convocou uma reunião para esta segunda-feira (8) com ministros no Palácio do Planalto. O objetivo é organizar uma ofensiva contra a aprovação da urgência do projeto. O governo pretende mobilizar sua base para convencer parlamentares a rejeitar a proposta já na primeira etapa.
Segundo interlocutores, há preocupação de que, caso a urgência seja aprovada, o texto possa ser levado rapidamente ao plenário, onde aliados de Bolsonaro estimam ter pelo menos 300 votos favoráveis entre os 581 deputados. Um dos projetos em discussão chega a prever anistia retroativa a partir de 2019, o que poderia tornar Bolsonaro elegível para disputar as eleições de 2026, mesmo diante de condenações.
Ausência do STF e de Ibaneis Rocha
Chamou atenção também a ausência dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), no desfile deste ano.
Temas do desfile e discurso de Lula
A cerimônia contou com arquibancadas decoradas com os temas escolhidos pelo governo: “Brasil Soberano”, “COP-30”, que será realizada em novembro em Belém, e “Brasil do Futuro”. Bonés com o slogan “Brasil Soberano” foram distribuídos ao público, que também se destacou pelo uso de camisas da Seleção Brasileira.
No pronunciamento em cadeia nacional, Lula aproveitou a data para enviar recados políticos. “Não somos e não seremos novamente colônia de ninguém. Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro”, afirmou o presidente, em crítica indireta aos Estados Unidos e a setores da política brasileira que, segundo ele, estimulam ataques ao País.
“Sem anistia” como primeiro ato de resistência
O coro ouvido na Esplanada dos Ministérios representa a primeira manifestação popular em evento oficial contra a tentativa de anistia aos condenados de 8 de janeiro. A reação das arquibancadas mostra que o tema, que vem sendo costurado nos corredores do Congresso, já chegou às ruas e tende a inflamar a disputa política nos próximos meses.
Da Redação do Agenda Capital





