O DF foi pioneiro ao incorporar práticas integrativas em saúde (PIS) já em 1983, em Planaltina, com projetos de cultivo e uso de plantas medicinais. Foto: Matheus H. Souza/Agência Brasília

Política da Secretaria de Saúde reúne mais de 120 UBSs com atendimentos, rede de hortos medicinais e convênio com a Fiocruz para pesquisa e formação profissional

Por Delmo Menezes

“Eu tomava muita medicação e vivia dopada. A auriculoterapia e o reiki me ajudaram tanto que consegui reduzir quase todos os remédios. Mais do que isso: me inspiraram a estudar e hoje também sou terapeuta voluntária. Posso dizer que essa prática mudou a minha história.” O relato de Sheila Alves de Souza, paciente da Unidade Básica de Saúde (UBS) 5 de Samambaia, resume o impacto das Práticas Integrativas em Saúde (PIS) oferecidas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que vêm transformando a vida de milhares de pessoas em todo o DF.

O Distrito Federal foi pioneiro nacional na incorporação das práticas integrativas à rede pública. A primeira experiência ocorreu em 1983, em Planaltina, com o cultivo e o uso de plantas medicinais. Desde então, a política foi se expandindo e se institucionalizou: em 2010, a SES-DF criou uma gerência específica e, em 2014, publicou a Política Distrital de Práticas Integrativas em Saúde, que hoje é referência no país.

Atualmente, a rede oferece acupuntura, arteterapia, auriculoterapia, automassagem, fitoterapia, homeopatia, lian gong, medicina e terapias antroposóficas, meditação, musicoterapia, reiki, shantala, tai chi chuan, terapia comunitária integrativa, ayurveda, yoga (hatha e laya) e a técnica de redução de estresse (T.R.E.). Todas são conduzidas por profissionais da SES-DF e apoiadores voluntários capacitados.

Mais de 130 unidades básicas de saúde (UBSs) — cerca de 75% do total — oferecem ao menos uma dessas modalidades. Considerando também hospitais, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e policlínicas, a cobertura chega a 65% de toda a rede pública.

“O Distrito Federal foi o primeiro território do país a implantar as práticas integrativas em sua rede de saúde. Elas não substituem tratamentos convencionais, mas ampliam o cuidado, promovem bem-estar e fortalecem o vínculo entre usuários e profissionais”, explica o médico Marcos Trajano, gerente de Práticas Integrativas em Saúde da SES-DF.

Segundo ele, o investimento do GDF demonstra compromisso com a qualidade e a humanização do atendimento. “Mais que isso, demonstra um sistema de saúde que promove vínculo, humanidade e respeito ao direito democrático das pessoas de escolher suas terapêuticas preferidas”, afirma. “A oferta de PIS representa a democratização do acesso a recursos que antes estavam restritos ao setor privado”, conclui.

O DF foi pioneiro ao incorporar práticas integrativas em saúde (PIS) já em 1983, em Planaltina, com projetos de cultivo e uso de plantas medicinais. Foto: Matheus H. Souza/Agência Brasília

Hortos medicinais: saberes e convivência

Um dos pilares da política distrital é a rede de 37 hortos agroflorestais medicinais biodinâmicos, onde são cultivadas espécies do Cerrado e de outros biomas utilizadas em fitoterapia. Além de fornecer insumos para os tratamentos, esses espaços funcionam como ambientes educativos e de convivência comunitária, promovendo o contato direto entre a população e o cuidado em saúde.

Para Trajano, essa relação entre o paciente e a equipe é o que torna as práticas integrativas tão transformadoras. “Essas práticas abrem espaço para escuta e convivência. É saúde feita com humanidade, em que a pessoa não é vista apenas pela doença, mas em sua integralidade”, reforça.

Impacto na vida dos pacientes

A aposentada Gilvanete Maria Bueno, 70 anos, encontrou no reiki uma nova forma de cuidar de si. “Eu cheguei com ansiedade e depressão, problemas que refletiam no meu corpo. Em duas semanas já comecei a dormir melhor e a sentir mais leveza. Hoje tomo menos remédios, inclusive para arritmia, e quando saio das sessões parece que estou flutuando”, conta.

De acordo com a fisioterapeuta Luciana Escarião Soares, referência técnica distrital em reiki, a procura tem aumentado expressivamente. “Muitos pacientes chegam com depressão, ansiedade ou fibromialgia e relatam melhora significativa em poucas sessões”, relata.

Pesquisa e formação

Em 2024, a SES-DF firmou um convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para ampliar a pesquisa, a formação e o desenvolvimento institucional na área das práticas integrativas pelos próximos quatro anos. “É um dos maiores investimentos do país nesse campo. Ele garante o direito democrático de a população escolher terapêuticas de sua preferência, com segurança e qualidade”, afirma Marcos Trajano.

A secretaria também vem investindo na formação de novos profissionais. Neste ano, a SES-DF e a Escola de Saúde Pública do DF (ESP/DF) abriram a segunda residência em atenção básica com foco em PIS do Brasil, contemplando cinco categorias profissionais — educação física, nutrição, terapia ocupacional, fisioterapia e farmácia — e 15 residentes na primeira turma.

A lista completa de unidades que oferecem práticas integrativas, bem como modalidades online e materiais de apoio, está disponível no site da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

As práticas integrativas no DF mostram que o cuidado vai além do tratamento da doença — é também acolhimento, escuta e transformação de vidas.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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