Hipertensão cresce entre adultos jovens e eleva risco de infarto e AVC
Por Redação
A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade e afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Considerada uma “assassina silenciosa”, a doença muitas vezes não apresenta sintomas, mas está diretamente associada a complicações graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e até declínio cognitivo e demência.
Nos Estados Unidos, quase metade da população adulta convive com a hipertensão. No Brasil, a prevalência é de 29,7%, segundo dados do Vigitel. O número preocupa autoridades de saúde, sobretudo porque estudos recentes mostram o aumento de mortes por doenças cardiovasculares relacionadas à pressão alta entre pessoas de 35 a 64 anos, faixa etária antes considerada de menor risco.
De acordo com Eduardo Sanchez, diretor médico para prevenção da Associação Americana do Coração (AHA), a hipertensão é o fator de risco mais modificável para doenças cardiovasculares. “Quando conseguimos reduzir a pressão arterial com mudanças no estilo de vida e medicamentos, mudamos drasticamente a trajetória de infartos e AVC”, afirma.
Conhecer os números é o primeiro passo
Saber qual é a própria pressão arterial é fundamental. Estimativas indicam que mais de 50% das pessoas com hipertensão não controlada sequer sabem que têm a doença. A pressão é medida em milímetros de mercúrio (mmHg) e apresentada em dois números: a pressão sistólica (quando o coração bombeia o sangue) e a diastólica (quando o coração relaxa entre os batimentos).
Valores abaixo de 120 por 80 mmHg (12 por 8) são considerados normais. Acima disso, já podem ocorrer danos progressivos aos vasos sanguíneos e a órgãos vitais como coração, rins e cérebro. Especialistas recomendam aferir a pressão ao menos uma vez por ano e garantir que a medição seja feita corretamente, inclusive com o braço apoiado e em repouso.
Outro ponto de atenção é a chamada “hipertensão do jaleco branco”, quando a pressão se eleva apenas no consultório médico. Por isso, as diretrizes da AHA indicam a medição domiciliar como forma de confirmar o diagnóstico e acompanhar o controle da doença.
Entender os fatores de risco
A hipertensão se desenvolve ao longo do tempo e pode ter origem genética, ambiental ou comportamental. Segundo Fatima Coronado, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), fatores como tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e sono inadequado aumentam significativamente o risco.
Histórico familiar de infarto ou AVC também eleva a probabilidade de desenvolver pressão alta. A idade é outro fator importante, já que as artérias tendem a se tornar mais rígidas com o passar dos anos. Mulheres que desenvolvem hipertensão durante a gravidez precisam de acompanhamento contínuo, pois apresentam maior risco cardiovascular no futuro.
Alimentação saudável faz diferença
Uma das estratégias mais eficazes para controlar a pressão é a adoção da dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), considerada a mudança de estilo de vida mais eficiente para reduzir a hipertensão. O plano alimentar prioriza frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos ricos em potássio, nutriente que ajuda a eliminar o excesso de sódio do organismo e relaxa as paredes das artérias.
Reduzir o consumo de sal é essencial. A AHA recomenda a ingestão máxima de 2,3 gramas de sódio por dia, sendo que valores ainda menores trazem benefícios adicionais. Evitar alimentos ultraprocessados, refeições prontas e excesso de álcool também contribui de forma significativa para o controle da pressão arterial.
Exercício, controle do estresse e peso corporal
A prática regular de atividade física é outro pilar no combate à hipertensão. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida ou bicicleta, fortalecem o coração e facilitam o bombeamento do sangue. Exercícios isométricos, como prancha e agachamento na parede, também ajudam a melhorar o fluxo sanguíneo.
Além disso, atividades que reduzem o estresse — como meditação, ioga, práticas religiosas e oração — podem auxiliar no controle da pressão. Mesmo quando não há perda de peso imediata, o exercício já traz benefícios diretos para a saúde cardiovascular.
Medicamentos salvam vidas
Em muitos casos, apenas mudanças no estilo de vida não são suficientes, e o uso de medicamentos torna-se necessário. O objetivo do tratamento é manter a pressão abaixo de 130/80 mmHg, ou idealmente abaixo de 120/80 mmHg. Existem diversas opções eficazes, e os médicos podem ajustar doses e combinações para reduzir efeitos colaterais e facilitar a adesão ao tratamento.
Especialistas reforçam que o uso de remédios não substitui hábitos saudáveis. Pelo contrário: dieta equilibrada, atividade física e controle do estresse potencializam o efeito dos medicamentos e reduzem o risco de outras doenças.
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Da Redação do Agenda Capital





