Entre as palavras de ordem, estavam pedidos pela taxação de grandes fortunas e por mais apoio às populações tradicionais e indígenas.
Por Delmo Menezes
O segundo dia da COP-30, nesta terça-feira (11/11), foi marcado por protestos, atos simbólicos e um clima de tensão em Belém. Manifestantes chegaram a invadir o pavilhão da Zona Azul, onde ocorrem os debates oficiais da conferência, exigindo “justiça climática” e denunciando a responsabilidade das grandes potências e corporações na crise ambiental global.
Entre as palavras de ordem, estavam pedidos pela taxação de grandes fortunas e por mais apoio às populações tradicionais e indígenas. A segurança da ONU precisou agir para conter o grupo e restabelecer a ordem no local.
Mais cedo, na orla da Universidade Federal do Pará (UFPA), centenas de representantes de movimentos sociais participaram da Cúpula dos Povos, evento paralelo à conferência oficial. A mobilização reuniu pescadores, parteiras, indígenas e militantes da Central de Movimentos Populares (CMP), que marcharam pela orla do rio Guamá antes da tradicional Barqueata da Amazônia, com cerca de 200 embarcações.

“Os ricos paguem a conta”, dizem manifestantes
O coordenador nacional da CMP, Raimundo Bonfim, afirmou que o povo sofre as consequências da destruição ambiental causada pelo modelo econômico atual.
“O sistema capitalista tem um modo de produção e consumo envenenado. Ele gera pobreza, fome e desastres naturais. Não é justo explorarem nossos recursos e sobreviverem nos seus ares-condicionados mundo afora. Os ricos precisam pagar a conta da emergência climática”, disse.
Entre as pautas levadas ao encontro, destacam-se demandas por moradia agroecológica, cozinhas comunitárias e apoio governamental às comunidades tradicionais.

“A floresta é nossa casa”
O ativista indígena Roque Waiwai, liderança do povo Waiwai, fez um apelo pela preservação da Amazônia.
“A floresta que vocês estão falando é minha casa. Nossa casa, nosso prédio, nosso shopping”, declarou.
Ele criticou a condução do manejo florestal pelo governo, defendendo que os povos originários são os verdadeiros guardiões da natureza.
O pescador Manoel Bueno dos Santos, conhecido como Nego da Pesca, também destacou o papel dos trabalhadores artesanais na preservação ambiental: “Nós estamos em uma luta para, se não acabar com os impactos, pelo menos reduzir a velocidade com que eles acontecem”, afirmou.
Já Maria Augusta da Cunha Borges, presidente da Associação das Parteiras Tradicionais de Breves, pediu reconhecimento e apoio do Ministério da Saúde à atuação das parteiras, que mantêm viva uma tradição centenária na Amazônia.
Críticas internacionais e novos anúncios
Além dos protestos, o dia foi marcado pela fala do governador da Califórnia, Gavin Newsom, que criticou duramente o ex-presidente Donald Trump por ter se afastado dos compromissos climáticos internacionais.
“A postura do governo Trump foi burra e irresponsável”, disse, arrancando aplausos do público.
Durante a conferência, o Bradesco e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, em parceria com as empresas Ecogreen e Aecom, a criação da Ecora, nova certificadora de créditos de carbono voltada a incentivar práticas sustentáveis no setor privado.
Cúpula dos Povos ganha força paralela à COP
Enquanto as negociações oficiais seguem em ritmo tenso, a Cúpula dos Povos se consolida como o principal espaço de expressão dos movimentos sociais durante a COP-30.
Na beira do rio e nas ruas de Belém, o grito que ecoou foi uníssono: “Justiça climática já!”.
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Da Redação do Agenda Capital





