A escolha de um líder cristão para receber o seu voto deve ser guiada por princípios que alinham a fé com a responsabilidade pública, focando no caráter, na competência e no compromisso com o bem comum. Foto: Agenda Capital/IA

Não basta dizer que é cristão: o eleitor quer saber o que você fez. Cristão de verdade não escolhe candidato pelo discurso

Por Delmo Menezes*

Com a aproximação das eleições de 2026, as redes sociais estão tomadas por pessoas que se apresentam como representantes dos valores cristãos e conservadores. Alguns surgem de repente, com discursos ensaiados, frases de efeito e muita exposição, principalmente quando precisam conquistar votos.

Mas o eleitor cristão precisa fazer uma pergunta simples: qual é a história de quem está pedindo seu voto?

Não basta citar Deus, carregar uma Bíblia ou declarar-se defensor da família. Liderança se prova com atitudes, coerência e trabalho — e não apenas com discursos nas redes sociais.

Nos últimos anos, muitos que se apresentam como “líderes cristãos” passaram a utilizar a fé como instrumento de promoção política. Alguns aparecem somente em época de eleição e desaparecem depois que as urnas fecham.

É preciso discernimento.

Também é preocupante quando pessoas que se apresentam como representantes do segmento evangélico recorrem a comportamentos e discursos que pouco têm a ver com os princípios que dizem defender.

Vídeos ensaiados, dancinhas, frases de impacto e manifestações feitas exclusivamente para conquistar engajamento não substituem trabalho, compromisso e coerência.

A Bíblia adverte, em Deuteronômio 5:11: “Não tome o nome do Senhor, o seu Deus, em vão”. O ensinamento é direto: o nome de Deus não pode ser usado de forma leviana, falsa ou oportunista.

Trajetória vale mais que discurso

Quem já exerceu mandato precisa ser avaliado pelo que efetivamente fez. Quais projetos apresentou? Que posições defendeu? Como votou em temas importantes? Foi coerente com aquilo que prometeu durante a campanha? Defendeu a família, a liberdade, a justiça social, a dignidade humana e os demais princípios que dizia representar?

Não se trata de exigir que todos pensem exatamente da mesma maneira. A democracia pressupõe diferenças e o debate de ideias. Mas o eleitor tem o direito — e o dever — de cobrar coerência de quem pede seu voto.

Um verdadeiro líder cristão não deve aparecer apenas quando precisa de votos. Sua atuação deve ser permanente, antes, durante e depois das eleições.

Por isso, o eleitor cristão precisa olhar menos para a performance nas redes sociais e mais para a trajetória do candidato.

Isso não significa transformar a fé em instrumento partidário. Significa exercer a cidadania com responsabilidade. O voto é uma decisão séria e não deve ser entregue simplesmente a quem fala mais alto, tem mais seguidores ou produz o vídeo mais viral.

Está na hora de separar liderança verdadeira de oportunismo eleitoral.

O povo de Deus não precisa de políticos que apenas falem como cristãos. Precisa de representantes que demonstrem, por suas atitudes, os valores que dizem defender.

É hora de discernir. É hora de escolher bem.

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*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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