Câmara Legislativa do DF (CLDF). Foto: Reprodução

Com voos mais altos e desgaste político, CLDF caminha para renovação recorde e pode marcar uma das maiores mudanças da história da Casa

Por Delmo Menezes*

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) caminha para viver, nas eleições de 2026, uma das maiores renovações desde a sua criação. Projeções de bastidores e análises do cenário político indicam que mais de 60% dos atuais deputados distritais podem não retornar à Casa, resultado de um conjunto de fatores que vão desde a busca por voos mais altos até o desgaste político provocado por baixo desempenho parlamentar e envolvimento em escândalos.

O histórico recente reforça essa tendência. Nas eleições de 2022, que definiram a legislatura 2023–2026, 12 dos 24 deputados eleitos eram novatos, o que representou 50% de renovação. Em 2018, o índice foi ainda mais expressivo, superando 60%, consolidando a CLDF como uma das casas legislativas com maior rotatividade do país. O patamar de 50% registrado em 2022 também se repetiu em pleitos anteriores, como em 2006 e 2014, demonstrando que a alternância é uma marca constante do Legislativo distrital.

Voos mais altos reduzem chance de reeleição

Um dos principais fatores que devem impulsionar a renovação em 2026 é a decisão de deputados distritais que não pretendem disputar a reeleição, optando por projetos políticos mais ambiciosos. Entre os nomes já citados nos bastidores estão Fábio Félix (PSOL) e Thiago Manzoni (PL), e outros que ainda avaliam concorrer à Câmara dos Deputados, como é o caso de Jorge Vianna (PSD). A deputada Paula Belmonte (PSDB) virá concorrer ao GDF.

No caso de Manzoni, o cenário depende diretamente da deputada federal Bia Kicis. Caso ela decida disputar o Senado, abre-se espaço para que o distrital tente uma vaga federal. Movimentos como esse reduzem o número de parlamentares que buscarão permanecer na CLDF, abrindo caminho para novos nomes.

Desempenho fraco e desgaste político

Além das candidaturas a outros cargos, a atuação considerada pífia de parte dos distritais pesa negativamente no cálculo eleitoral. Parlamentares com baixa produtividade legislativa, pouca presença nos debates e reduzida visibilidade política tendem a enfrentar forte resistência do eleitorado.

Outro fator determinante é o desgaste provocado por escândalos que envolveram alguns deputados ao longo da legislatura. Mesmo quando não resultam em condenações judiciais, episódios desse tipo costumam impactar diretamente a imagem pública e influenciar o desempenho nas urnas, especialmente em um eleitorado cada vez mais atento às redes sociais e ao noticiário político.

Disputa promete ser uma das mais acirradas

Se, de um lado, cresce a possibilidade de saída de parlamentares, de outro, a concorrência por uma vaga na CLDF será extremamente acirrada. O pleito de 2026 deve reunir um número expressivo de candidatos com histórico político robusto, incluindo nomes que já exerceram mandatos de deputado distrital, deputado federal, senador e até governador.

Entre os postulantes considerados “de peso” estão Gim Argello, Agnelo Queiroz — que também pode optar por disputar uma vaga na Câmara Federal — e André Kubitschek. A eles se somam políticos que tiveram votações expressivas em eleições anteriores, mas não alcançaram êxito, como Rodrigo Delmasso, Bispo Renato Andrade, Agaciel Maia, Cláudio Abrantes, Cristiano Araújo, Joe Valle, Chico Leite, Luzia de Paula, Professor Israel, Sandra Faraj, Telma Rufino, Delegado Fernando Fernandes, Júlia Lucy, Reginaldo Sardinha e Valdelino Barcelos, entre outros.

Esse cenário indica uma pulverização de votos e eleva o risco para deputados de mandato que não conseguiram construir bases eleitorais sólidas ao longo dos últimos quatro anos.

Tendência histórica de alta renovação

Desde sua criação, a CLDF apresenta índices de renovação superiores à média das assembleias legislativas estaduais. A cada eleição, metade — ou mais — de seus parlamentares é substituída, refletindo tanto a volatilidade do eleitorado do Distrito Federal quanto o alto nível de competitividade política local.

Caso se confirme uma renovação em torno de 60% ou mais em 2026, a próxima legislatura poderá trazer um redesenho completo das forças políticas internas, com impacto direto na relação da Câmara com o Executivo local e na definição de pautas estratégicas para o DF.

Mais do que uma simples troca de nomes, o processo sinaliza um recado claro do eleitor: mandatos pouco ativos, desgastados ou desconectados das demandas da população tendem a ser descartados, enquanto a disputa se intensifica entre políticos experientes e novas lideranças que buscam espaço na Casa.

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*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

1 COMENTÁRIO

  1. O maior escândalo em 2025 foi a aprovação da compra do banco Master pelo BRB. Esse fato demonstra que a câmara não tem nenhuma competência no papel de fiscalizar os atos do executivo, são meros capachos para atender aos interesse do governo.

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