Reportagem do Estadão identifica dirigentes da Ordem Médica Brasileira com especialidades sem registro e práticas contestadas
Por Redação
A Ordem Médica Brasileira (OMB), criada com a proposta de oferecer uma nova via para a emissão de títulos de especialista, está no centro de uma série de questionamentos envolvendo a atuação de seus dirigentes. Um levantamento sobre os profissionais que ocupam cargos de liderança na entidade e em suas sociedades filiadas identificou casos de divulgação de especialidades sem registro oficial, atuação fora da área de formação, currículos contestados e defesa de práticas consideradas controversas pela comunidade científica.
A organização trava uma disputa judicial com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) para obter o direito de emitir certificações de especialistas. O debate ocorre em um momento de crescimento do número de médicos generalistas e de discussões sobre os critérios para a concessão de títulos de especialização.
A análise dos dirigentes da entidade revelou que quase metade dos profissionais avaliados promove ou defende tratamentos sem comprovação científica robusta ou práticas classificadas como pseudociências. Também foi constatado que uma parcela significativa atua em áreas diferentes daquelas em que possui especialização reconhecida e que alguns divulgam especialidades sem possuir o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), documento exigido para anunciar oficialmente determinada especialidade médica.
Entre os principais dirigentes da OMB, dois ocupantes da cúpula da entidade não possuem título de especialista registrado no CFM. Um deles já foi alvo de sanções éticas aplicadas por conselho regional de medicina por divulgar especialidade sem o devido registro, embora afirme ser vítima de perseguição institucional e negue qualquer irregularidade relacionada ao atendimento de pacientes.
Quem são os médicos ligados a OMB
Lucio Monte Alto – Presidente: Não possui títulos de especialista registrado. Foi punido duas vezes pelo CRM/SC por infrações éticas como divulgar título ou especialidade que não possui.
Lucas Caseri – Vice-Presidente: Médico do Esporte e Fisiatra. Fundador da Anabolic Academy, plataforma que divulga informações sobre anabolizantes nem sempre amparadas pelas melhores evidências científicas.
Tiago Laerte – Secretário-Geral: Não tem título de especialista registrado. Divulga em suas redes sociais ser médico das áreas de endocrinologia e nutrologia, embora não tenha RQE em nenhuma delas.
Na análise dos perfis dos 108 dirigentes das sociedades de especialidades, a reportagem verificou que a grande maioria (107) tem RQE em alguma área, mas que, assim como Laerte, ao menos 15 divulgam uma especialidade que não possuem.
Há ainda nove dirigentes cujo RQE não é compatível com a especialidade que o profissional representa na OMB, ou seja, o profissional é diretor em uma sociedade de especialidade sem ter o título de especialista naquela área.
O levantamento também aponta forte concentração de dirigentes que atuam no mercado de emagrecimento, reposição hormonal e medicina integrativa, segmentos considerados altamente lucrativos. Apesar disso, poucos possuem formação reconhecida nas especialidades tradicionalmente relacionadas a essas áreas, como endocrinologia.
Especialistas ouvidos durante a apuração avaliam que esse cenário levanta dúvidas sobre a credibilidade de uma entidade que pretende elaborar provas para certificar novos especialistas. Segundo eles, profissionais responsáveis por avaliar candidatos deveriam possuir ampla experiência e reconhecimento técnico na especialidade que representam.
Outro aspecto que chamou a atenção foi a identificação de dirigentes que divulgam tratamentos sem respaldo científico consolidado, incluindo protocolos hormonais, terapias alternativas, uso de cetamina em situações controversas e conteúdos relacionados à desinformação sobre vacinas. Em alguns casos, também foram encontrados cursos e mentorias voltados para médicos, com promessas de aumento de faturamento em clínicas particulares.
A Ordem Médica Brasileira (OMB) rebate as críticas e afirma que eventuais condutas individuais de seus integrantes não podem ser atribuídas à instituição. A entidade sustenta ainda que a elaboração das provas e a definição dos critérios técnicos são de responsabilidade de instâncias colegiadas e departamentos científicos, e não de dirigentes individualmente.
Enquanto a disputa judicial sobre a emissão de títulos de especialista segue em andamento, o perfil dos dirigentes da Ordem Médica Brasileira amplia o debate sobre a necessidade de rigor técnico, transparência e credibilidade nos processos de certificação profissional da medicina brasileira.
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Da Redação do Agenda Capital com informações do Estadão






Engraçado que basicamente o mundo todo é mais permissivo ao uso de anabolizantes, a classe médica pode prescrever e acompanhar conforme orientação. Estudos utilizam até 600mg de testosterona por semana em pacientes, buscando visualizar alterações, em que boa parte das alterações cardiovascular são minimas e reversiveis, porém, basicamente o mundo todo está errado e o que está correto é o CFM que limita o médico a prescrever hormônios para fins estéticos, enquanto o plástico consegue POR MEIO DE UMA CIRURGIA, que há de fato, muito mais riscos trabalhar com estética. Só lembrando, EUA primeiro país que mais utiliza ergogênicos (sendo prescrito para militares acima de 30 anos TODOS), estamos em segundo, terceiro Arabia Saudita (onde você compra ergogênicos sem prescrição médica), Noruega e Reino Unido, desses, somos o único que limta a autonomia do médico em prescrever e acompanhar os pacientes. Bom, o mundo todo está errado, nós estamos certos.
Quanta ma fé. dr Lucas Caseri é um medico com residencia e 2 RQE. A plataforma dele conta com estudos científicos sobre anabolizantes, diversos deles publicados nas maiores revistas do mundo. Tem infinitamente mais publicações que 90% dos dirigentes da SBEM, que com certeza patrocinaram essa matéria. Na verdade TODOS que foram discutir com ele não chegaram nem aos pés. Mas é isso.. mais facil intitular ele como “autor de plataforma sobre anabolizante” do que pesquisar sobre seu curriculo. Assim segue ladeira abaixo o prestígio das sociedades médicas, da qual eu, que tenho residencia e rqe, me orgulho de nao fazer parte de nenhuma