Decisão foi anunciada por Marcos Pereira ao lado de Tarcísio de Freitas; partido terá 41 deputados federais na próxima legislatura e abre caminho para novas negociações no Congresso
Por Delmo Menezes
O Republicanos oficializou nesta quarta-feira (7/10) o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio foi feito em Brasília pelo presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), em uma mudança de posição em relação ao primeiro turno, quando o partido havia optado pela neutralidade.
Ao chamar Flávio para discursar, Marcos Pereira sinalizou a decisão política da legenda ao apresentá-lo como “nosso próximo presidente da República”. O senador participou do ato ao lado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e de lideranças nacionais do partido, entre elas os senadores Hamilton Mourão e Damares Alves.
Tarcísio, que teve papel central na articulação da adesão, reafirmou seu apoio a Flávio e colocou a estrutura do Republicanos à disposição da campanha. A participação do governador paulista reforça o envolvimento da principal liderança eleitoral da legenda na disputa presidencial.
Mudança depois do primeiro turno
No primeiro turno, o Republicanos decidiu não declarar apoio oficial a nenhum dos candidatos. A estratégia permitia que os diretórios estaduais mantivessem liberdade para estabelecer alianças de acordo com as circunstâncias locais.
Agora, depois do resultado das urnas, a direção nacional decidiu mudar de posição. Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.
A decisão, entretanto, não significa uma adesão automática de todos os integrantes da legenda. Marcos Pereira fez questão de preservar as chamadas “particularidades locais”, citando especificamente Paraíba e Pernambuco, onde setores do partido mantêm aproximação com Lula.
“Venho anunciar que o Republicanos apoiará Flávio Bolsonaro para presidente. […] mantenho respeito às particularidades locais na Paraíba e em Pernambuco”, afirmou Pereira.
Hugo Motta fica fora do anúncio
Um dos principais sinais de que o apoio nacional não representa unanimidade dentro do partido foi a ausência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na cerimônia.
Motta adotou uma posição diferente no primeiro turno e declarou voto em Lula, além de ter participado de atos de campanha do petista na Paraíba. A direção nacional, portanto, optou por não impor uma orientação uniforme às lideranças estaduais.
A ressalva de Marcos Pereira permite que essas diferenças regionais sejam preservadas sem comprometer a decisão nacional de apoiar Flávio.
O peso da bancada de 41 deputados
A decisão do Republicanos também tem uma dimensão importante para a composição política do Congresso Nacional a partir de 2027.
O partido elegeu 41 deputados federais e terá uma das maiores bancadas da próxima legislatura. O PL, partido de Flávio, elegeu 121 deputados, formando a maior bancada da Câmara.
Nesse cenário, o apoio do Republicanos aproxima duas forças importantes da futura Câmara e abre espaço para negociações sobre a formação da base de um eventual governo Flávio.
Também está no horizonte a eleição para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2027. Hugo Motta busca permanecer no comando da Casa, e a aproximação entre Republicanos e PL passa a fazer parte das articulações políticas para a próxima legislatura.
Centrão muda de posição
O movimento do Republicanos ocorre no momento em que outras legendas também abandonam a neutralidade e anunciam apoio a Flávio.
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, já declarou apoio ao candidato do PL. O Novo também oficializou sua adesão nesta quarta-feira. Lideranças como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que disputaram o primeiro turno, igualmente anunciaram apoio a Flávio.
A sucessão de anúncios amplia a rede partidária em torno da candidatura do PL, enquanto Lula trabalha para preservar e ampliar sua própria base política no segundo turno.
Com o Republicanos, a disputa presidencial entra em uma nova etapa: além da batalha pelos votos dos eleitores que ficaram fora do segundo turno, os dois candidatos passam a disputar também o apoio das estruturas partidárias e das bancadas que terão papel relevante no Congresso a partir de 2027.
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Da Redação do Agenda Capital




