Fumaça sobe sobre Kiev após um ataque russo com mísseis, em meio à ofensiva da Rússia contra a Ucrânia neste domingo. Reprodução.

O ataque provocou reações imediatas de líderes globais. O presidente francês Emmanuel Macron condenou os bombardeios, acusando a Rússia de “se aprofundar cada vez mais na lógica da guerra e do terror”.

Por Redação

Kiev, Ucrânia – A capital ucraniana foi alvo, neste domingo (7), do maior ataque aéreo russo desde o início da invasão em fevereiro de 2022. Segundo autoridades locais, mais de 800 drones foram lançados contra a cidade, deixando ao menos cinco mortos e dezenas de feridos. Pela primeira vez, um prédio central do governo em Kiev foi atingido.

O bombardeio danificou o edifício que abriga gabinetes de ministros, no distrito histórico de Pechersky. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram uma densa coluna de fumaça subindo do local. Ainda não está claro se o prédio foi diretamente atingido ou se sofreu danos causados por destroços de ataques próximos.

“Esses assassinatos agora, quando a diplomacia real já poderia ter começado há muito tempo, são um crime deliberado e um prolongamento da guerra”, afirmou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em publicação no X (antigo Twitter). Ele voltou a cobrar aliados por reforço urgente às defesas aéreas do país.

Bombeiros trabalham no local da sede do governo da Ucrânia danificada durante ataques com drones e mísseis russos, em meio à ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, em Kiev — Foto: Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia em Kiev/Divulgação

Civis entre as vítimas

O impacto sobre a população civil foi devastador. Um prédio residencial no oeste de Kiev foi atingido, matando duas pessoas, entre elas um bebê de apenas três meses, segundo a agência AFP.
Em Dnipropetrovsk, um homem de 54 anos perdeu a vida, enquanto em Zaporizhzhia uma mulher morreu após novo bombardeio. Também houve registro de vítimas em Sumy, região fronteiriça com a Rússia.

No total, cinco pessoas foram mortas e mais de 20 ficaram feridas apenas na capital, de acordo com o Ministério do Interior da Ucrânia. Bombeiros trabalharam durante toda a madrugada para conter incêndios e resgatar moradores em meio a escombros.

Resposta internacional

O ataque provocou reações imediatas de líderes globais. O presidente francês Emmanuel Macron condenou os bombardeios, acusando a Rússia de “se aprofundar cada vez mais na lógica da guerra e do terror”.
O recém-eleito primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou que “esses ataques covardes mostram que [o presidente russo Vladimir] Putin acredita que pode agir impunemente. Ele não está sério sobre a paz”.

Zelensky informou ter conversado com Macron para alinhar esforços diplomáticos e buscar uma resposta internacional coordenada. A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, também se manifestou: “Vamos restaurar os prédios, mas vidas perdidas não podem ser recuperadas. O mundo precisa responder não apenas com palavras, mas com ações”.

Prédio emchamas da capital Kiev na Ucrânia. Reprodução.

O que diz Moscou

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a ofensiva e afirmou que os alvos foram fábricas de armamentos, arsenais, infraestrutura de transporte militar, estações de radar, aeródromos e depósitos de drones.
De acordo com a Força Aérea ucraniana, o país conseguiu abater ou neutralizar 747 drones e quatro mísseis. Ainda assim, houve nove impactos diretos de mísseis e 56 ataques de drones em 37 localidades.

Perspectivas de cessar-fogo enfraquecem

O ataque marcou uma escalada significativa, já que até então Moscou vinha evitando bombardear alvos centrais do governo em Kiev. Para analistas, a ofensiva reflete o pessimismo crescente em torno de negociações de cessar-fogo, em um momento em que Putin fortalece laços com a China e demonstra pouca disposição para acordos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se reuniu recentemente com Putin, manifestou frustração com Moscou, mas até agora não anunciou sanções adicionais. Na sexta-feira, ele disse estar trabalhando em um pacote de garantias de segurança para Kiev, que, segundo ele, poderia ajudar a encerrar o conflito – já considerado o mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma reunião entre a Ucrânia e seus aliados está marcada para a próxima semana. No centro das discussões estarão o fortalecimento das defesas aéreas e o fornecimento de equipamentos para ataques de maior alcance contra alvos russos.

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Da Redação com Agências Internacionais

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