Palácio do Buriti. Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Candidatos apresentaram planos para áreas prioritárias e trocaram críticas sobre gestão pública, BRB, saúde, educação e contas do Distrito Federal

Por Delmo Menezes

Os principais candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram, na terça-feira (11/8), de uma sabatina promovida pelo Correio Braziliense, em parceria com o Sindiatacadista e a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF). O encontro reuniu os 11 nomes que tiveram as candidaturas aprovadas em convenção e serviu para apresentar propostas e confrontar diferentes visões sobre os principais problemas da capital.

Além da governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP), participaram Expedito Mendonça (PCO), Rico Pinheiro (PRTB), Samara Mineiro (UP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Elisson Ferreira (Agir), Robson Raymundo (PSTU), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo).

Entre os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, estão: Celina, Arruda, Grass, Paula Belmonte, Cappelli e Kiko.

O debate teve como principais temas a situação financeira do Distrito Federal, a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB), saúde pública, educação, segurança, mobilidade urbana, habitação e transparência.

Celina Leão defende continuidade e equilíbrio das contas

A governadora Celina Leão utilizou a sabatina para defender as medidas adotadas desde que assumiu o comando do Executivo e, ao mesmo tempo, marcar diferenças em relação à gestão anterior, da qual foi vice-governadora.

Celina afirmou que herdou problemas nas contas públicas e criticou a condução da operação envolvendo o BRB e o Banco Master. Segundo ela, o governo adotou medidas de redução de despesas, incluindo decretos que determinaram cortes de 25% nos contratos.

Uma das medidas anunciadas é a transferência do gabinete do Palácio do Buriti para o Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga. A mudança, segundo a governadora, faz parte da estratégia de redução de custos.

Na saúde, Celina colocou a atenção básica como prioridade. Ela afirmou que uma das primeiras medidas foi a contratação de médicos para completar as equipes e prometeu reajuste salarial para profissionais da área após o período de restrições eleitorais. Também anunciou a implantação de um sistema integrado de gestão que permitirá a criação de um prontuário único para os pacientes.

Na educação, a candidata defendeu a valorização dos professores, a substituição gradual dos contratos temporários e a manutenção das escolas cívico-militares. Também destacou a construção de quase 30 Centros de Educação da Primeira Infância e o fim da fila de creches.

Na mobilidade, Celina apresentou a expansão do metrô como uma das prioridades. Segundo ela, estão em processo de licitação as expansões para o Setor O e Samambaia, além de estudos para Santa Maria e para o VLT na região da Hélio Prates.

Arruda promete mudanças no BRB e expansão do metrô

O ex-governador José Roberto Arruda justificou sua candidatura como uma alternativa ao que classificou como “desgoverno e bagunça” no Distrito Federal. Um dos principais assuntos abordados por ele foi a situação financeira do BRB.

Arruda defendeu uma reestruturação do banco, incluindo o fechamento de agências fora do Distrito Federal, a criação de um Programa de Desligamento Voluntário e a redução de despesas consideradas não essenciais. Para ele, a recuperação da instituição também dependerá de diálogo com o governo federal.

Na saúde, o candidato fez críticas ao modelo de gestão do Iges-DF e defendeu uma reformulação da instituição. Entre suas propostas estão a ampliação das equipes de Saúde da Família, a contratação de médicos e a construção de novas unidades de saúde em regiões como Recanto das Emas, São Sebastião e Sol Nascente.

Para a mobilidade, Arruda propôs a expansão de linhas do metrô para diferentes regiões do DF e do Entorno, além da implantação do VLT na W3, do projeto Interbairros e de um Anel Rodoviário para retirar o tráfego pesado das áreas centrais.

Na segurança e no ordenamento urbano, defendeu uma política de maior rigor contra ocupações irregulares. Também prometeu convocar servidores concursados, incluindo 3,3 mil profissionais da educação, caso seja eleito.

Leandro Grass aposta em revisão de gastos e transparência

O candidato do PT, Leandro Grass, apresentou uma proposta de reformulação administrativa do DF. Uma das prioridades seria solucionar a situação do Centrad e transferir parte da estrutura do governo para o complexo, reduzindo gastos com aluguel de imóveis.

Grass também defendeu a revisão da estrutura das secretarias e uma administração baseada em critérios técnicos, planejamento e eficiência.

Na área econômica, o candidato afirmou que pretende revisar as renúncias fiscais concedidas pelo Distrito Federal, estimadas por ele entre R$ 10 bilhões e R$ 13 bilhões anuais. A proposta é estabelecer contrapartidas para os benefícios fiscais e cortar despesas consideradas supérfluas sem aumentar impostos.

Sobre o Fundo Constitucional, Grass defendeu a manutenção dos recursos federais destinados ao DF e afirmou que o mecanismo é fundamental para financiar áreas como segurança, saúde e educação.

Em relação ao BRB, o candidato colocou a transparência como primeiro passo para discutir o futuro da instituição. Ele defendeu a divulgação das informações financeiras e a realização de uma auditoria para identificar a real situação do banco.

Na educação, Grass prometeu valorizar professores e demais profissionais das escolas e ampliar a oferta de unidades em tempo integral, com formação voltada também para arte, ciência, tecnologia e profissionalização.

Paula Belmonte coloca transparência, saúde e educação no centro

A candidata do PSDB, Paula Belmonte, afirmou que seu eventual governo terá três pilares principais: transparência, educação e saúde.

Uma das propostas é criar, já no primeiro dia de governo, uma estrutura voltada ao combate à corrupção e ampliar a digitalização do Executivo. A intenção é facilitar o acesso da população às informações públicas e aumentar o controle sobre os gastos e contratos.

Na educação, Paula defendeu a ampliação da oferta de creches próximas às residências das famílias e melhorias na infraestrutura das escolas. Também criticou a falta de espaços adequados para alimentação dos estudantes e defendeu condições melhores para receber alunos com necessidades específicas.

A saúde pública também foi apresentada como prioridade. A candidata prometeu concursos públicos, fortalecimento da atenção primária e construção de hospitais de retaguarda, além de unidades voltadas para cuidados paliativos e atendimento de idosos.

Paula também criticou a relação entre o Iges-DF e a Secretaria de Saúde e defendeu mudanças no modelo de gestão.

No caso do BRB, a candidata afirmou que o banco deve voltar a priorizar o desenvolvimento econômico do Distrito Federal, com atenção aos pequenos comerciantes, empreendedores e jovens que buscam o primeiro emprego.

Cappelli promete “Fila Zero” na saúde e viagens de até uma hora

Ricardo Cappelli, candidato do PSB, apresentou uma plataforma com forte ênfase em saúde, mobilidade, educação e segurança.

Na saúde, sua principal proposta é o programa “Fila Zero”, com o objetivo de reduzir e eliminar filas de consultas, exames e cirurgias. O candidato também defendeu a ampliação do saneamento básico em comunidades carentes.

Para o transporte público, Cappelli propôs o programa “No Máximo Uma Hora”, estabelecendo como meta limitar a uma hora o deslocamento entre casa e trabalho. Para isso, pretende ampliar ônibus expressos, BRTs e faixas exclusivas, reorganizar linhas alimentadoras e retomar a expansão do metrô para regiões como Gama, Santa Maria e Asa Norte.

Na educação, prometeu estabelecer o maior salário do país para professores da rede pública e ampliar a realização de concursos, reduzindo a dependência de contratos temporários.

Na área habitacional, defendeu a criação de uma secretaria especial de regularização fundiária e o programa “A Casa é Sua”, voltado à emissão de escrituras.

Para a segurança pública, Cappelli propôs a recomposição do efetivo da Polícia Militar, o fortalecimento da inteligência cibernética e maior integração entre as forças de segurança.

Sobre o BRB, defendeu que o banco concentre suas atividades no Distrito Federal e priorize o financiamento de pequenos e médios empreendedores.

Kiko Caputo defende profissionalização e avalia privatizações

O candidato do Novo, Kiko Caputo, apresentou uma proposta de gestão baseada na profissionalização da administração pública e na avaliação da eficiência das empresas estatais.

Caputo afirmou que não considera a privatização um tabu, desde que a iniciativa privada consiga oferecer serviços melhores, mais eficientes e com tarifas menores. Antes disso, porém, defendeu a profissionalização das empresas públicas e o preenchimento de cargos de direção por pessoas qualificadas.

No caso da Caesb, afirmou que a empresa pode permanecer sob controle público, mas defendeu maior transparência sobre suas contas.

Para o metrô, propôs investimentos superiores a R$ 1,2 bilhão para recuperar o sistema e ampliar o transporte sobre trilhos.

Na segurança pública, defendeu o aumento do monitoramento por câmeras e o uso de inteligência artificial para identificar situações suspeitas e antecipar ocorrências.

O candidato também apresentou uma visão de planejamento de longo prazo, com políticas públicas estruturadas de acordo com as diferentes fases da vida dos cidadãos, desde o pré-natal e a primeira infância até a formação profissional.

BRB e saúde dominam confronto entre candidatos

Embora cada candidato tenha apresentado propostas distintas, dois temas atravessaram praticamente toda a sabatina: a situação do BRB e os problemas da saúde pública.

O banco se transformou em um dos principais pontos de divergência. Celina Leão defendeu a preservação da instituição e afirmou trabalhar para solucionar a crise por meio do diálogo com órgãos federais e instituições financeiras. Arruda apresentou um plano de enxugamento da estrutura do banco. Grass cobrou transparência e auditoria. Paula Belmonte defendeu que o BRB volte a priorizar o desenvolvimento do Distrito Federal, enquanto Cappelli propôs concentrar novamente as operações da instituição na economia local.

Na saúde, as propostas variaram entre contratação de profissionais, valorização dos servidores, fortalecimento da atenção básica, ampliação da rede, redução das filas e mudanças no modelo de gestão.

A sabatina também evidenciou diferentes estratégias para enfrentar os desafios da mobilidade. Enquanto Celina e Arruda destacaram a expansão do metrô, Cappelli apresentou uma combinação de metrô, BRTs, ônibus expressos e faixas exclusivas. Kiko Caputo, por sua vez, defendeu investimentos para recuperar e ampliar o sistema metroviário.

O encontro deixou claro que a eleição para o Palácio do Buriti deverá ser marcada por uma disputa em torno de modelos diferentes de gestão pública, com os candidatos apresentando propostas que vão desde a continuidade de políticas já em andamento até mudanças mais profundas na administração do Distrito Federal.

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Da Redação do Agenda Capital

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