
Glaucoma avança sem sintomas e já é a principal causa de cegueira irreversível no mundo
Por Redação
Semana Mundial do Glaucoma, de 8 a 14 de março, reforça a importância do diagnóstico precoce; especialista alerta para consultas regulares
Uma doença silenciosa, que muitas vezes evolui sem qualquer sinal aparente, já se tornou a principal causa de cegueira irreversível no mundo: o glaucoma. Para chamar a atenção da população sobre os riscos e a importância do diagnóstico precoce, especialistas reforçam o alerta durante a Semana Mundial do Glaucoma, realizada entre os dias 8 e 14 de março.
O problema é que a doença costuma avançar de forma lenta e sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce e aumenta o risco de danos permanentes à visão.
Foi o que aconteceu com Renato Marques. Aos 30 anos, ele procurou um oftalmologista apenas para verificar o grau dos óculos e acabou recebendo o diagnóstico de glaucoma. Sem compreender a gravidade da doença, utilizou o colírio prescrito por apenas um mês e interrompeu o tratamento.
“Achei que estava curado”, relembra.
Seis anos depois, ao retornar ao consultório para uma nova avaliação, descobriu que o quadro havia evoluído. “O médico explicou a gravidade da doença. Se eu soubesse antes que era algo tão sério, teria cuidado melhor e talvez evitado essa situação. Agora faço exames todos os anos”, conta.
Doença silenciosa e perigosa
O glaucoma provoca degeneração progressiva do nervo óptico, estrutura responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. Essa lesão leva à perda permanente da visão.
Segundo o oftalmologista Edney Resende Moura Filho, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a maioria dos pacientes não percebe sinais da doença no início.
“Cerca de 90% das pessoas não apresentam sintomas nas fases iniciais. Por isso, a única forma de identificar o glaucoma precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista”, explica o especialista.
Estudos indicam que aproximadamente metade das pessoas que convivem com glaucoma no mundo sequer sabe que tem a doença.
Diagnóstico precoce é fundamental
O glaucoma é caracterizado pela lesão progressiva do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular. Embora possa atingir pessoas de qualquer idade, o risco aumenta com o avanço da idade.
Entre os principais fatores de risco estão:
- histórico familiar da doença
- idade acima de 40 anos
- uso prolongado de medicamentos à base de corticoide
- traumas oculares prévios
A perda visual costuma ocorrer de forma gradual. Em muitos casos, quando o paciente percebe alguma alteração, parte significativa da visão já foi comprometida.
“É comum que o paciente já apresente perda de campo visual sem perceber, especialmente nas fases iniciais”, destaca o médico.
Pode surgir em qualquer fase da vida
Ao contrário da catarata, geralmente associada ao envelhecimento, o glaucoma pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância.
Juliana Luzia de Souza nasceu com a doença devido a um fator genético. A suspeita surgiu ainda nos primeiros dias de vida, quando médicos perceberam alterações nos olhos da criança.
Ela passou pela primeira cirurgia com apenas três dias de vida e começou a usar óculos aos 30 dias. Hoje, aos 30 anos, já realizou sete cirurgias. Juliana perdeu a visão do olho direito, mantendo apenas percepção de luz.
“Como não tive a chance de fazer exames preventivos antes do diagnóstico, sei o quanto é importante realizar consultas regulares. Assim é possível identificar a doença mais cedo e evitar que o quadro se agrave”, relata.
Tratamento exige disciplina
Outro desafio no controle do glaucoma é a adesão ao tratamento. Como a doença geralmente não provoca sintomas, muitos pacientes acabam abandonando o uso dos medicamentos.
“Muitas pessoas param de usar o colírio por não perceberem melhora imediata ou por causa de efeitos colaterais, como irritação ocular. Mesmo assim, o uso regular é essencial para evitar a progressão da doença”, alerta o oftalmologista.
Embora o glaucoma não tenha cura, ele pode ser controlado com acompanhamento médico contínuo, uso correto de medicamentos e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
Onde buscar atendimento
Em caso de suspeita de glaucoma ou de qualquer alteração na visão, a recomendação é procurar avaliação médica o quanto antes.
No Distrito Federal, o primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação inicial, se necessário, o paciente é encaminhado para atendimento especializado.
Especialistas reforçam que consultas oftalmológicas periódicas continuam sendo a principal forma de prevenir a perda de visão causada pelo glaucoma. O diagnóstico precoce permite controlar a doença e reduzir significativamente o risco de cegueira.
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Da Redação do Agenda Capital / IgesDF




