Por Dr. Cid Carvalhaes*
Senectude, 3a. idade, mais experientes, idosos, subterfúgios para referirem aos velhos. Quanto orgulho em ser velho, mesmo cercado dos incontáveis preconceitos. O Senhor, AINDA, trabalha! Já não está na hora de DESCANSAR. Poxa, depois de tanto tempo CHEGA de trabalhar. Cuidado, sua IDADE já não permite isto ou aquilo.
Dependendo de onde vem é um cuidadoso preconceito, conforme a origem, é uma discriminação preconceituosa. Velho não é sinônimo de doenças, se assim o fosse, crianças não morriam. Velho não é para ser confinado em casa, pois, se nossa casa fosse destinada a não sairmos dela não teria como castigo a prisão domiciliar.
Lembro-me de segmento do discurso do professor Hilton Rocha quando da sua posse na Academia Mineira de Medicina: “…. ao cruzarmos os umbrais desse Sodalício, os mais incautos insistem em inaugurar nossa senectude. Devo adverti-los, enquanto nossos corações pulsarem vitalidade haveremos de transfundir.”
Rememorar o passado, cheio de ensinamentos nos faz mais expedientes. Questionarmos como era “no seu tempo” é uma grande discriminação com se estivéssemos fora do tempo. Vivenciamos, sim, com muita acuidade todas as vicissitudes atuais e as definimos muito bem.
Limitações existem, específicas para todas as idades, dependendo da tarefa a ser desempenhada. Orgulhamos das nossas existências. Tivemos, muitos de nós velhos, ver o final da II Guerra Mundial, os ajustes do pós-guerra, avanços tecnológicos, era das conquistas do espaço, homem na lua, Elvis Presley, James Deam, Beatles, Rolling Stone, Brasil campeão, bi, tri mundial bem antes dos anos 90. Maria Esther Bueno, Eder Jofre, Peças teatrais, filmes icônicos, significantes obras literárias, enfim, incontáveis conquistas que os mais jovens desconhecem suas origens.
Ser velho, que privilégio. Parafraseando o professor Hilton Rocha: enquanto nossos corações pulsarem, vitalidades continuaremos a transfundir.
“FELIZ DIA DOS PAIS”.
*Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes – Médico neurocirurgião, advogado e escritor. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Presidente do Conselho Deliberativo da SBN, Presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e Presidente da Federação Nacional dos Médicos. Especialista no Direito Médico e da Saúde e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito da Escola Paulista de Direito. É Colunista do Agenda Capital.





