Equipe do HRSM realiza sonho de avó em cuidados paliativos e transforma ambiente hospitalar em cenário para momento único entre mãe e filha
Por Elza Neves
O ambiente hospitalar, muitas vezes marcado pela rotina de exames e tratamentos, ganhou novas cores e significados no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). Em uma ação de humanização promovida pela equipe da unidade, um quarto de internação foi transformado em cenário de festa para a realização do chá revelação do bebê de Emily da Silva Souza, de 23 anos.
A celebração teve um motivo nobre: permitir que a futura avó, Karina Martins, de 44 anos, participasse deste momento especial. Karina está internada há 40 dias na unidade, gerida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), onde realiza tratamento para um adenocarcinoma (câncer de intestino) sob cuidados paliativos.
Moradoras do Recanto das Emas, mãe e filha enfrentam juntas este período delicado. Para Emily, que está no quarto mês de gestação, realizar o evento longe da mãe estava fora de cogitação.
“Sempre foi meu sonho viver esses momentos. A internação da minha mãe acabou sendo mais longa do que esperávamos. Eu só viveria isso se fosse com ela. Com minha mãe internada, não teria sentido fazer longe dela”, relata Emily.
Mobilização da equipe multidisciplinar
Ao saberem do desejo da paciente e da filha, os profissionais do HRSM entraram em cena. A iniciativa foi liderada pela médica paliativista Brunna Rezende, que mobilizou a equipe para garantir que o evento ocorresse com segurança e afeto.
“É um tipo de câncer menos comum em pessoas jovens e, quando acontece, impacta toda a família. Nosso compromisso é garantir que, apesar da gravidade da doença, a paciente seja cuidada como pessoa. A internação e o diagnóstico não a impedem de viver tudo o que faz parte da sua trajetória”, destacou a médica.
Para viabilizar o chá, a terapeuta ocupacional Letícia Albuquerque Félix atuou na organização do espaço, assegurando que o ambiente fosse acolhedor, mas respeitasse as condições de saúde de Karina. “A terapia ocupacional busca promover qualidade de vida, autonomia e vivências significativas. Por isso, organizamos tudo para garantir um momento seguro, respeitando os limites físicos e emocionais da paciente”, explicou Letícia.
A chegada de Esther
Entre balões, sorrisos e muita emoção, o anúncio surpreendeu a futura mamãe, que apostava em um menino. A revelação confirmou: vem aí a Esther.
A alegria tomou conta do quarto e emocionou a avó de primeira viagem. Karina, que inicialmente sugeriu que a filha fizesse a festa em casa, expressou sua gratidão pelo acolhimento hospitalar.
“É meu primeiro neto e só tenho a agradecer a Deus. Eu disse para ela fazer o chá em casa, do jeito que sempre sonhou, mas ela não quis. Então, a equipe do hospital acolheu a ideia e ajudou para que acontecesse”, contou Karina.
Após a revelação, houve ainda um desfecho especial: Emily e Karina foram levadas ao Centro Obstétrico do HRSM, onde a avó pôde ouvir, pela primeira vez, o coração da neta bater.
Para a enfermeira paliativista Léia Lima, ações como essa reforçam a verdadeira essência do cuidado em saúde. “É um cuidado centrado na pessoa, não no diagnóstico. A Karina está em tratamento, está viva e mantém sua história e seus vínculos. O cuidado paliativo também envolve humanização, respeito e valorização”.
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Da Redação do Agenda Capital







