
Com a Paulista lotada e respaldado pela militância, o governador deixou claro que pretende ser mais que um coadjuvante no cenário nacional
Por Redação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou neste domingo (7/9) um discurso mais duro durante manifestação na Avenida Paulista em defesa da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em tom inédito até então, Tarcísio fez críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, ecoando pautas centrais do bolsonarismo e reforçando sua estratégia de aproximação com a base mais fiel do ex-presidente às vésperas da disputa presidencial de 2026.
“Só traduzi um pouco do sentimento das pessoas. As pessoas estão cansadas, muito cansadas. Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”, declarou o governador, acrescentando que não aceitará “a ditadura de um Poder sobre o outro”.
A fala marca uma guinada em sua postura política. Até aqui, Tarcísio costumava evitar embates abertos com o STF, o que gerava desconfiança entre setores do bolsonarismo. O tom mais inflamado, porém, foi recebido com entusiasmo por aliados de Bolsonaro. O ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, classificou o discurso como “divisor de águas” e “momento importante”.
Mobilização em torno da anistia
No ato, que reuniu milhares de apoiadores vestidos de verde e amarelo, Tarcísio defendeu que a anistia aos investigados e condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro deve ser entendida como um caminho para a “pacificação” nacional.
“Tem uma parcela da população que acha injusto o que está acontecendo. Foi uma manifestação de força. Ruas lotadas não só em São Paulo, mas em outras cidades. A gente acredita que isso ajuda, dá força às articulações no Congresso. Vai se estabelecendo um consenso de que o caminho para pacificação é a anistia”, afirmou.
Estratégia para 2026
O endurecimento do discurso é interpretado como um movimento calculado de Tarcísio para consolidar-se como herdeiro político do bolsonarismo. Embora seja o nome preferido de parte da direita moderada, o governador vinha encontrando resistência entre os apoiadores mais radicais de Bolsonaro justamente por não confrontar diretamente o STF.
Agora, ao alinhar-se mais firmemente ao discurso de Bolsonaro, Tarcísio busca reduzir essa distância e se credenciar como candidato viável da direita em 2026 — sobretudo se Bolsonaro permanecer inelegível.
Com a Paulista lotada e respaldado pela militância, o governador deixou claro que pretende ser mais que um coadjuvante no cenário nacional: quer se firmar como protagonista no tabuleiro da sucessão presidencial.
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Da Redação do Agenda Capital




