O Willow é um conjunto de discos circulares do tamanho de um barril de petróleo, conectados por centenas de fios de controle pretos, que descem até um refrigerador de banho de hélio líquido de bronze. O sistema mantém o microchip quântico a um milésimo de grau acima do zero absoluto. Foto: Reprodução.

Em um laboratório na Califórnia, o novo computador promete revolucionar a medicina e a segurança global, enquanto reacende debates sobre universos paralelos.

Por Redação

À primeira vista, ele parece um enorme lustre dourado ou uma estrutura metálica remanescente de um filme de ficção científica dos anos 1980. Suspenso a um metro do chão em uma instalação de alta segurança em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, não há teclados, telas ou luzes piscantes. Este é o Willow, a aposta do Google para liderar a corrida pela supremacia na computação quântica.

Por trás de sua aparência exótica, que lembra uma água-viva de cabos e discos, reside o lugar mais frio do universo conhecido. O sistema opera a uma temperatura próxima do zero absoluto (273,15 °C negativos), condição necessária para paralisar vibrações atômicas e permitir o funcionamento do chip quântico. Hartmut Neven, chefe de Quantum AI do Google afirma que o Willow é uma figura excêntrica que mistura genialidade técnica com o estilo de festivais de arte, descreve a máquina como capaz de resolver problemas hoje considerados insolúveis.

Um salto tecnológico sem precedentes

O chip Willow, com seus 105 qubits, atingiu marcos que, segundo o Google, encerram o debate sobre a superioridade quântica. Em testes recentes, o computador resolveu em minutos um problema de referência que levaria 10 septilhões de anos para ser concluído por computadores convencionais — um período de tempo superior à própria idade do universo.

Essa capacidade de processamento exponencial já está sendo aplicada em algoritmos como o “Quantum Echoes”, que auxilia na compreensão da estrutura de moléculas. Segundo Neven, o potencial prático é vasto:

  • Descoberta de medicamentos: processos mais eficientes para criar novas drogas.
  • Energia e clima: otimização da produção e armazenamento de energia, ajudando no combate às mudanças climáticas.
  • Produção de alimentos: melhorias significativas na eficiência agrícola.

Para especialistas como o professor Peter Knight, do Reino Unido, o Willow representa um novo caminho por demonstrar, pela primeira vez, a capacidade de correção de erros em tempo real, o que pode antecipar a era da computação quântica em escala útil de décadas para apenas sete ou oito anos.

O fim da criptografia atual?

O poder do Willow, no entanto, traz preocupações sérias. A capacidade de realizar trilhões de operações simultâneas significa que a criptografia que protege segredos de Estado, sistemas financeiros e o mercado de criptomoedas pode se tornar obsoleta.

Especialistas alertam para a estratégia conhecida como “Harvest Now, Decrypt Later” (colher agora, decifrar depois), onde agências estatais estariam armazenando dados criptografados hoje para acessá-los quando a tecnologia quântica amadurecer. Até mesmo o bitcoin precisará migrar para uma tecnologia de blockchain mais robusta até o fim da década para sobreviver a essa ameaça.

A nova corrida espacial e o multiverso

O desenvolvimento do Willow ocorre em meio a uma intensa disputa geopolítica. A China, com investimentos estatais estimados em US$ 15 bilhões e uma estratégia centralizada, compete diretamente com o modelo comercial do ocidente. O Reino Unido também busca se posicionar como uma potência no setor.

Além da economia e da política, o Willow toca em questões existenciais. A velocidade inexplicável do sistema levou Neven a sugerir que o computador pode estar acessando universos paralelos para ampliar seu processamento, uma teoria alinhada à formulação de muitos mundos da mecânica quântica. Embora controversa, a ideia reforça que o que acontece naquele laboratório em Santa Bárbara está transformando a ficção científica em fato econômico e científico.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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