Presidente do Metrô, Marcelo Dourado, denuncia lobby rodoviário, diz jornal

Marcelo Dourado, presidente do Metrô-DF. Foto: Reprodução

Discussão surgiu após o Jornal de Brasília publicar reportagem mostrando o silêncio das autoridades locais e federais, que antes anunciaram grandes projetos ferroviários

Por Raphaella Sconetto

A ausência de uma linha férrea atuando de forma efetiva no transporte de cargas e de passageiros entre o DF e Goiás é alvo de críticas do próprio presidente da Companhia do Metropolitano (Metrô), Marcelo Dourado. Ele denuncia um forte lobby do modal rodoviário que impede os investimentos. A discussão surgiu após o Jornal de Brasília publicar reportagem ontem mostrando o silêncio das autoridades locais e federais, que antes anunciaram grandes projetos.

Dourado argumenta que, quando foi gestor da Superintendência do Desenvolvimento do Centro- Oeste (Sudeco) – de 2011 a 2014 -, entregou os estudos para os trens que ligariam Brasília a Goiânia (GO) e Luziânia (GO) à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “Sempre tive o discurso dos trens regionais, seja de passageiros ou de cargas. Todos os países desenvolvidos têm trens regionais. O Brasil é o único país continental que não tem”, aponta.

“Há um lobby poderoso do modal rodoviário. Montadoras, empresas de caminhões e de ônibus. É inacreditável pensar que, em vez de aumentar a malha ferroviária, a do Brasil encolheu. Temos menos de 30 mil quilômetros em todo o país. É muito pouco”, critica.

Para ele, o resultado disso é único: “O mais grave é a nossa infraestrutura logística”. “As nossas estradas estão superlotadas e não temos escoamento através do trilho. Se investissem, o preço do transporte, do frete, iria lá para baixo. Mas ninguém investe e o governo federal não prioriza”, acusa.

Projetos engavetados

A reportagem do JBr. mostrou ontem que o Governo do Distrito Federal, que chegou a fazer reuniões sobre o tema e publicizá-las à época, passou a bola: alegou que a demanda é a nível nacional e não há qualquer secretaria ou órgão local que pudesse responder. A Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), por sua vez, apontou que os estudos do transporte de passageiros e de cargas estão sob a responsabilidade da Agência Nacional Transportes Terrestres (ANTT). Esta, por fim, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Fontes ouvidas pelo JBr apontaram que os dois projetos, tanto DF-Luziânia quanto DF-Goiânia, são considerados “greenfield”: investimentos que sequer saem do papel. Segundo a fonte, que não quis se identificar, ainda não foi definido como será o projeto da linha férrea de Brasília a Luziânia. Já a ferrovia que ligaria Brasília a Goiânia se trata apenas de “projeto político”. “São projetos complexos e que requerem muito investimento e vontade pública para acontecer. Demoram décadas para que comecem alguma obra”, afirmou.

O trecho ferroviário que passa atualmente por Brasília integra o corredor logístico Centro-Sudeste e liga à cidade de Alumínio (SP). A concessão é da Ferrovia Centro- Atlântica e as principais cargas que vêm para a capital são minérios, coque (obtido a partir da destilação do carvão mineral) e derivados do petróleo. Por mês, são transportadas 100 mil toneladas.

Da Redação com informações do JBr

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