Os alunos da Escola Classe 708 Norte ficam ansiosos pela hora da merenda, curiosos para saber o que será servido; refeições balanceadas e nutritivas são elogiadas pelos estudantes. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

A merenda escolar vai muito além do prato. Ela envolve cuidado, capacitação e uma política pública que garante alimentos frescos e variados, com qualidade nutricional.

Por Redação

O Governo do Distrito Federal (GDF) está apostando forte na promoção de uma alimentação mais saudável, saborosa e sustentável para os estudantes da rede pública. Com um investimento de mais de R$ 222 milhões previsto para 2025, o programa de merenda escolar não só beneficia cerca de 400 mil crianças, como também impulsiona a agricultura familiar do DF.

Logo cedo, na Escola Classe 708 Norte, a movimentação para a hora do lanche já começa a tomar conta da cozinha e dos corredores. As crianças, ansiosas, querem saber o que será servido. A cozinheira Julia Pereira de Oliveira, que prepara com carinho as refeições dos 355 alunos da unidade, relata com orgulho o impacto do seu trabalho:

“Cozinho com amor, como se estivesse servindo meus netos. Quando a panela volta vazia, é sinal de que deu certo”, conta ela, emocionada.

A merenda escolar vai muito além do prato. Ela envolve cuidado, capacitação e uma política pública que garante alimentos frescos e variados, com qualidade nutricional. A cada seis meses, Julia e os demais profissionais da cozinha fazem cursos de capacitação que abrangem todo o processo de preparo, desde a higienização dos alimentos até o momento de servir.

Os alunos da Escola Classe 708 Norte ficam ansiosos pela hora da merenda, curiosos para saber o que será servido; refeições balanceadas e nutritivas são elogiadas pelos estudantes. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

E o carinho é correspondido pelos alunos. Cauã Santos da Cruz, de 8 anos, e Lucauã Fernandes Campos, de 10, têm seus pratos preferidos: arroz com peixe e macarrão com carne, respectivamente. Já a estudante Evellem Cristina, de 11, conta que passou a comer de forma mais saudável até em casa depois que começou a frequentar a escola:

“Eu comia muito doce, mas agora acostumei a comer comida saudável aqui e levei isso pra casa também”.

Qualidade e variedade no prato

A diretora de Alimentação Escolar da Secretaria de Educação do DF (SEEDF), Camila Beiró, explica que a prioridade do GDF é garantir refeições equilibradas, seguras e com grande diversidade. A maior parte dos alimentos é in natura ou minimamente processada – apenas 3% contêm aditivos ou conservantes.

Até o momento, já foram pagos R$ 53,4 milhões pela Secretaria de Educação, sendo R$ 12,3 milhões destinados a alimentos provenientes da agricultura familiar. No total, as escolas já receberam 2.164 toneladas de alimentos não perecíveis e 6.399 toneladas de perecíveis, das quais 2.481 toneladas vêm diretamente de produtores locais.

O DF possui atualmente 14 contratos com fornecedores da agricultura familiar para entrega de frutas, legumes e verduras; além de contratos para fornecimento de queijo, manteiga e outros itens diversos. Cerca de 825 famílias de agricultores são beneficiadas com o Programa de Aquisições (PAA), que compra alimentos para distribuição gratuita a estudantes e pessoas em situação de insegurança alimentar.

Camila destaca a importância econômica da iniciativa:

“O DF investe seis vezes mais que o Governo Federal. Isso garante variedade no cardápio e fortalece a economia local”.

Alimentação como política educacional

Cerca de 546 mil refeições são preparadas diariamente na rede pública, sempre sob orientação técnica de nutricionistas e com envolvimento direto de gestores e merendeiras. O cardápio é adaptado às necessidades dos alunos, inclusive para aqueles com restrições alimentares, como diabetes ou intolerância à lactose.

A diretora da Escola Classe 708 Norte, Viviane Costa Moreira, destaca o impacto social da merenda escolar:

“Muitos alunos fazem sua principal refeição aqui. Eles vêm de outras regiões administrativas porque os pais trabalham no Plano Piloto. Por isso, a alimentação escolar é fundamental”.

A diretora da Escola Classe 708 Norte, Viviane Costa Moreira, afirma que o cuidado tomado pelo GDF em oferecer alimentação de qualidade para os estudantes é primordial, uma vez que muitos deles têm sua principal refeição do dia feita na escola. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Viviane também observa que, com o tempo, os hábitos alimentares dos alunos vão mudando para melhor:

“Aos poucos, até os que resistem começam a experimentar e apreciar os alimentos saudáveis ao verem os colegas comendo”.

Com essa política, o GDF não apenas alimenta o corpo, mas também fortalece o aprendizado, o bem-estar e o desenvolvimento de milhares de crianças e adolescentes, mostrando que comida de verdade também é uma poderosa ferramenta de transformação social.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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