O texto da ordem executiva assinada por Donald Trump para justificar a taxação trouxe um tom político acentuado, com críticas ao governo brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes
Por Redação
O governo americano anunciou nesta quarta-feira, 30 de julho, o decreto oficial sobre o aumento de tarifas para produtos brasileiros, com 694 exceções à taxação de 50%. A medida entrará em vigor em sete dias e, embora tenha gerado alívio em alguns setores, causou grande apreensão em outros.
Os beneficiados e os impactados
Entre os produtos poupados do “tarifaço”, destacam-se o suco de laranja, a celulose e as aeronaves da Embraer, itens importantes na pauta de exportações brasileiras. Por outro lado, café, carnes e frutas terão um acréscimo de 40% na tarifa, somando-se aos 10% já existentes, totalizando 50%.
Uma estimativa preliminar da Leme Consultores aponta que as exceções abrangem mais de 40% das exportações brasileiras para os EUA. De janeiro a junho deste ano, o Brasil exportou US$ 20 bilhões para os Estados Unidos. Desse total, US$ 8,2 bilhões (41%) foram de produtos isentos da nova tarifa, enquanto US$ 11,81 bilhões (59%) foram impactados.
Um Impacto “muito grande” apesar das exceções
Mesmo com as exceções, o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral avalia que o impacto das tarifas será “muito grande”. Uma taxa de 50% é considerada altíssima, colocando o Brasil em uma situação pior que a de países como Europa e Japão, taxados em 15%. A medida deve afetar produtos nos quais o Brasil tem forte concorrência, como a carne.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que uma avaliação preliminar indicou que o cenário de impacto “não era o pior possível”, mas ressaltou que isso não significa ausência de impactos.
Reações dos setores e do governo brasileiro
Setores como o de exportação de suco de laranja comemoraram a notícia. Ibiapaba Netto, diretor executivo da CitrusBR, recebeu a informação “com alívio e responsabilidade”.
No entanto, a taxação, mesmo que “desidratada” em relação ao que se esperava, ainda é extremamente alta para muitos setores. José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq), lamentou que o setor não tenha sido contemplado nas exceções, visto que o Brasil é considerado um concorrente. A única boa notícia, segundo ele, é que produtos já em trânsito para os EUA não serão tarifados.
Diante do cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) para discutir os próximos passos.
Tom político na justificativa americana
O texto da ordem executiva assinada por Donald Trump para justificar a taxação trouxe um tom político acentuado, com críticas ao governo brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Casa Branca declarou uma “nova emergência nacional”, utilizando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 (IEEPA), e implementou a tarifa adicional de 40% para lidar com “políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”. O texto menciona que as ações brasileiras “prejudicam empresas americanas, os direitos de liberdade de expressão de cidadãos americanos, a política externa dos EUA e a economia dos EUA”.
Desde o anúncio inicial em 9 de julho, Trump justificou a medida alegando uma “caça às bruxas no Brasil”, referindo-se ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, colocando a questão econômica em segundo plano, já que os Estados Unidos são superavitários na relação comercial com o Brasil há muitos anos.
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Da Redação do Agenda Capital





