Donald Trump, presidente dos EUA. Reprodução.

Tarifa de 50% dos EUA sobre produtos importados do País passa a valer nesta quarta-feira, 6; veja o impacto das exportações por município em levantamento do Estadão

Por Redação

BRASÍLIA — O tarifaço de 50% sobre a importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos entra em vigor nesta quarta-feira, 6, atingindo 906 municípios do País que vendem para os americanos e que não escaparam da tarifa adicional imposta pelo presidente Donald Trump, conforme levantamento do Estadão.

O tarifaço foi decretado há uma semana e passou a valer à 01h01 (horário de Brasília). Trump livrou produtos como aeronaves da Embraer, suco de laranja, petróleo e celulose, mas sobretaxou carne, café, máquinas, pescados e outros produtos. Mercadorias que embarcarem a partir desta quarta deverão ter a tarifa aplicada, segundo o decreto da Casa Branca.

As empresas mais afetadas estão nos municípios do Sudeste e Sul do País, as duas regiões que mais exportam para os EUA. Em São Paulo, por exemplo, estão os principais produtores de carne. Em Minas Gerais, os exportadores de café serão impactados. No Rio Grande do Sul, as armas vendidas para os americanos serão taxadas.

O levantamento feito pelo Estadão leva em conta os 30 produtos mais exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024 e os segmentos que foram alvo da sobretaxa adicional de 40% decretada por Trump no último dia 30 — uma taxa de 10% já havia sido anunciada sobre o Brasil, totalizando 50%.

A incidência do tarifaço utilizada no levantamento é baseada em divulgação do Ministério do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Dentro dos grupos de mercadorias que não escaparam da tarifa adicional, há produtos que, a depender da especificação, podem ser isentos. Portanto, o levantamento não é definitivo.

Não foram considerados os itens enquadrados na Seção 232, que taxa produtos específicos com a mesma alíquota em todos os países, como aço, alumínio e madeira.

Entre os municípios mais afetados estão Piracicaba (SP), que vende máquinas e peças para os americanos; Matão (SP), com preparações de frutas; Guaxupé (MG), que vende café; Jaraguá do Sul (SC), com máquinas e materiais elétricos; Campo Grande (MS), com a carne; e Ribeirão Pires (SP) e São Leopoldo(RS), que têm fábricas de armas vendidas aos EUA.

Regiões Norte e Nordeste são mais vulneráveis ao tarifaço, dizem pesquisadores

Estudo dos pesquisadores Flávio Atalibra Barreto e Thiago Freitas, do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do FGV/IBRE, aponta que as regiões Norte e Nordeste são mais sensíveis aos impactos do tarifaço porque exportam produtos de baixo valor agregado e com forte peso social nos empregos, como frutas, pescados, calçados e têxteis. Além disso, elas possuem os Estados mais dependentes dos EUA na pauta de exportação, como o Ceará.

Sul e Sudeste, por outro lado, também são impactados, pois possuem empresas que lideram as exportações para os americanos, mas contam com uma pauta mais diversificada e valor agregado maior, como máquinas, veículos, aeronaves e equipamentos industriais.

“As isenções beneficiaram proporcionalmente as regiões mais ricas do País e menos as regiões mais pobres, como Norte e Nordeste”, diz Barreto. “Quando você constrói uma pauta de exportação mais diversificada, com capacidade de acessar novos mercados e uma estrutura produtiva mais qualificada, isso dá uma musculatura maior para o segmento prospectar novos mercados.”

Como mostrou a reportagem, as exceções beneficiaram o Sudeste, mas ainda deixaram impactos relevantes no Sul, segundo os pesquisadores, porque os produtos têm forte concorrência internacional e menor margem de absorção tarifária, como carnes, móveis, máquinas e armamentos.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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