Americano e ucraniano responderam a jornalistas na Casa Branca em clima amistoso, contrastando com bate-boca de encontro anterior
Por Redação
WASHINGTON – O presidente ucraniano Volodmir Zelenski chegou à Casa Branca nesta segunda-feira, 18, apoiado por uma delegação sem precedentes de líderes europeus, para o encontro com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Em uma primeira troca de palavras entre os líderes no Salão Oval, o americano prometeu garantias de segurança à Ucrânia e o ucraniano pediu ajuda para fortalecer seu Exército.
Vestindo um terno escuro em vez de sua vestimenta militar habitual, Zelenski saiu de um SUV preto e foi calorosamente recebido por Trump na Casa Branca, em contraste ao fiasco do encontro anterior em fevereiro. Os dois conversaram alguns minutos com repórteres e seguiram para a reunião privada. Depois, os líderes europeus se somam ao encontro.
O líder ucraniano deverá enfrentar uma escolha difícil de Trump neste momento: entregar parte de seu território à Rússia em troca de promessas dos EUA para a segurança futura da Ucrânia, ou manter sua posição e correr o risco de reacender a ira de Trump.
Nas primeiras trocas de palavras, Trump prometeu que os EUA participarão da assistência à segurança da Ucrânia como parte de um acordo para pôr fim à guerra, mas se recusou a fornecer mais detalhes sobre como será essa ajuda. “Todos (americanos e europeus) estarão envolvidos, mas haverá muita ajuda”, disse Trump. “Nós também vamos ajudá-los.”
O líder americano disse ainda que poderá garantir uma reunião conjunta com Putin e Zelensky “se tudo correr bem hoje”. Ele diz acreditar que há uma “chance razoável de acabar com a guerra” por meio dessa reunião.
No domingo, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, afirmou que Vladimir Putin concordou durante reunião com Donald Trump em permitir que os Estados Unidos e aliados europeus ofereçam à Ucrânia uma garantia de segurança semelhante ao mandato coletivo de defesa da Otan, como parte de um eventual acordo para encerrar a guerra.
Trump voltou a repetir que defende um acordo paz mais amplo em vez de um cessar-fogo, como quer o ucraniano.
Sentado ao lado de Trump no Salão Oval, Zelensky agradeceu ao presidente dos EUA por seus “esforços pessoais” para impedir a guerra da Rússia na Ucrânia e entregou a ele uma carta de sua mulher para a primeira-dama Melania Trump.
Questionado sobre que tipo de garantias de segurança ele desejava dos Estados Unidos, Zelensky respondeu: “Tudo: inteligência, treinamento, defesa aérea, entre outras coisas”.
Trump foi questionado se descartaria tal mobilização: “Informaremos isso, talvez, mais tarde hoje. Também nos reuniremos com sete grandes líderes de grandes países e conversaremos sobre isso.” “Todos estarão envolvidos”, acrescentou. “Quando se trata de segurança, haverá muita ajuda.”
Antes da coletiva acabar, Trump disse que falará com Putin após o encontro com os europeus. Segundo ele, o russo também tem interesse no fim da guerra. Os dois seguem agora para uma reunião bilateral.
Trump se reuniu com Vladimir Putin na sexta-feira, 15, no Alasca e desde então mudou seu discurso sobre a guerra. Antes, ele havia abandonado a pressão para que a Ucrânia cedesse território e passou a advogar por um cessar-fogo.
Agora, ele acredita que Kiev precisa abrir mão da região do Donbas, onde a Rússia controla apenas uma parte e passou a defender um acordo de paz mais amplo, como pede Putin.
Clima amistoso
Quebrando o protocolo que adotou desde o início da guerra na Ucrânia, Volodmir Zelenski apareceu para seu encontro com Donald Trump na Casa Branca vestindo um terno preto. A roupa foi elogiada pelo americano.
O jornalista Brian Glenn na Casa Branca, antes de dirigir a sua pergunta ao ucraniano, disse a Zelensky que o terno era “fabuloso”. “Ficou bem em você”, completou. “Eu disse a mesma coisa”, afirmou Trump. O republicano chegou a brincar que o repórter era “o mesmo que atacou” Zelensky da última vez.
Durante a última ida de Zelensky à Casa Branca, Glenn perguntou ao líder ucraniano sobre suas roupas, insinuando que sua vestimenta casual era desrespeitosa.
O ucraniano respondeu que se lembrava e que o jornalista vestia “o mesmo terno”. “Eu troquei [de terno], você não”, continuou o ucraniano. Ambos os líderes riram dos comentários e seguiram em um clima amistoso.
A cena contrasta com a última vez que Zelensky pisou no Salão Oval da Casa Branca, quando protagonizou um bate-boca com o presidente e seu vice JD Vance. Na época, Trump chamou o ucraniano de ingrato e o acusou de ‘apostar na 3ª Guerra Mundial’. Eles cancelaram a entrevista coletiva que teriam em seguida.
Para o encontro de hoje, líderes europeu também viajaram a Washington para apoiar Zelensky e garantir que ele não cairia em uma nova provocação de Trump.
A diferença de recepção entre Zelensky e Putin não passou despercebido. Na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, no Alasca, tapetes vermelhos indicaram o caminho para Trump e Putin se dirigirem a uma plataforma com a inscrição “Alasca 2025”. Putin entrou na limusine presidencial de Trump, algo incomum.
Na chegada de Zelensky à Casa Branca hoje, Trump cumprimentou o presidente ucraniano na entrada da residência executiva, depois que a comitiva de Zelensky percorreu a entrada da casa, enfeitada com bandeiras e cercada por militares americanos uniformizados. Após um aperto de mão e cumprimentos, Trump respondeu “nós os amamos” enquanto um repórter gritava uma pergunta sobre sua mensagem para a Ucrânia.
Em ambas as circunstâncias, Trump recebeu os líderes estrangeiros, dando-lhes boas-vindas em solo americano.
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Com AP/NYT/W.Post





