Declarações ocorrem em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF e após sanções contra ministros da Corte
Por Redação
BRASÍLIA – A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (9) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem medo” de usar o poderio econômico e militar norte-americano para proteger a liberdade de expressão em escala global. A declaração foi feita pela secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus acusados de participação na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
“Eu não tenho nenhuma ação adicional para antecipar para vocês hoje, mas posso dizer que isso é uma prioridade para a administração, e o presidente não tem medo de usar o poder econômico, o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, afirmou Leavitt.
Contexto político
A porta-voz destacou que a liberdade de expressão é “a questão mais importante do nosso tempo” e lembrou que o próprio Trump foi “censurado” após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando perdeu acesso a contas em redes sociais.
Segundo Leavitt, Washington já tomou medidas significativas contra o Brasil, incluindo sanções financeiras e tarifárias, como forma de pressionar o governo e o Judiciário brasileiro. Em julho, Trump anunciou um aumento tarifário de 50% contra produtos brasileiros, medida que entrou em vigor no mês passado, atrelada ao processo contra Bolsonaro e às decisões judiciais que atingem plataformas digitais americanas.
Pergunta provocativa
As declarações foram feitas em resposta a uma pergunta de Michael Shellenberger, ativista ligado ao trumpismo e responsável pela divulgação do Twitter Files Brazil, que critica decisões judiciais brasileiras contra redes sociais. Shellenberger, convidado a abrir a coletiva, questionou a Casa Branca sobre punições ao Brasil diante do julgamento do STF.
Ele agradeceu ao presidente americano por “agir em defesa da liberdade de expressão” e afirmou que a condenação de Bolsonaro o impediria de disputar as eleições de 2026. No entanto, Bolsonaro já foi declarado inelegível em outros processos na Justiça Eleitoral.
Sanções contra autoridades brasileiras
A escalada de tensões entre Washington e Brasília ganhou força quando o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal contra Bolsonaro, foi alvo da Lei Magnitsky, legislação que prevê bloqueios e sanções a autoridades acusadas de abusos. O Departamento do Tesouro americano notificou bancos brasileiros para cortarem relações financeiras com Moraes.
Além dele, outros ministros do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde) tiveram vistos revogados pelos EUA. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teve seu visto renovado, em decisão que o governo brasileiro considerou um gesto para evitar atrito com a ONU às vésperas da Assembleia Geral em Nova York.
Reações e especulações
Nos bastidores, autoridades brasileiras avaliam que novas sanções podem ser aplicadas após a condenação de Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, tem liderado esforços de lobby em Washington e se reuniu com interlocutores do Departamento de Estado para pressionar por mais restrições a ministros do STF.
Na semana passada, Trump foi questionado sobre possíveis bloqueios à participação da delegação brasileira na Assembleia da ONU. “Veremos”, respondeu o republicano. O Itamaraty avalia que uma medida nesse sentido violaria convenções internacionais que regulam a sede das Nações Unidas.
Mensagem oficial dos EUA
Nesta terça-feira, o perfil oficial da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil publicou mensagem no X (antigo Twitter) reforçando a posição americana: “Dia 7 de setembro marcou o 203º Dia da Independência do Brasil. Foi um lembrete do nosso compromisso de apoiar o povo brasileiro que busca preservar os valores de liberdade e justiça. Para o ministro Alexandre de Moraes e os indivíduos cujos abusos de autoridade têm minado essas liberdades fundamentais – continuaremos a tomar as medidas cabíveis.”
O texto foi replicado de Darren Battie, subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado e aliado próximo de Eduardo Bolsonaro e do comentarista Paulo Figueiredo. Ambos, acompanhados de Ricardo Pita, conselheiro do Departamento de Estado, estiveram em Washington na última semana para encontros sobre o tema.
Impasse político
Enquanto o governo Trump endurece o discurso, diplomatas americanos já indicaram a empresários brasileiros que o impasse só será solucionado por meio de uma saída política. Para analistas, as declarações da Casa Branca representam um ponto de máxima tensão entre Brasília e Washington desde o início da gestão republicana.
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Da Redação do Agenda Capital





