
Chefe da AGU precisa de 14 votos na Comissão de Constituição e Justiça para avançar ao plenário. Levantamento mostra cenário difícil, retaliação do Centrão e disputa acirrada.
Por Redação
BRASÍLIA E SÃO PAULO – A novela da sucessão no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo e tenso capítulo. Após a oficialização da escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo nome de Jorge Messias, Ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), o foco se volta imediatamente para o Senado Federal. Antes de vestir a toga preta da mais alta corte do país, Messias terá que superar um cenário político adverso e uma sabatina que promete ser dura na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Largada sem vantagem
O levantamento exclusivo realizado pelo Placar Estadão revela que o ministro não começa sua campanha com folga. Nas primeiras horas após o anúncio, a consulta aos 27 membros da CCJ desenhou um cenário de empate técnico e incertezas:
- A favor: 3 votos
- Contra: 3 votos
- Indecisos/Não responderam: 5 votos
- Demais senadores: Não retornaram o contato até o momento.
Para ter seu nome submetido ao plenário da Casa, Messias precisa conquistar a maioria simples da comissão: 14 dos 27 votos. Já no plenário, a exigência sobe para a maioria absoluta: pelo menos 41 dos 81 senadores.
O alto número de indecisos e silêncios estratégicos – mesmo na base do governo – indica que o ministro terá que intensificar o tradicional “beija-mão”, percorrendo gabinetes para sensibilizar parlamentares e garantir apadrinhamento.
O “alerta vermelho” e a sombra de Pacheco
A indicação de Messias frustrou as expectativas de caciques do Centrão, liderados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O grupo, com o apoio até do decano do STF, Gilmar Mendes, articulava a indicação do senador e ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (SD-MG).
Alcolumbre já havia sinalizado ao Planalto, apresentando um mapa de votos, que o nome de Messias enfrentaria rejeição no plenário. A confirmação da escolha de Lula gerou uma reação imediata.
A Retaliação: Apenas duas horas e 15 minutos após o anúncio oficial, Alcolumbre pautou para a próxima terça-feira (25) uma “pauta bomba”: a efetivação e aposentadoria de agentes de saúde. O impacto fiscal estimado varia entre R$ 5 bilhões e R$ 21 bilhões, um custo que recairá exclusivamente sobre a União, desafiando o esforço fiscal do governo.
O governo acendeu o “alerta vermelho”. A lembrança da aprovação apertada do procurador-geral da República, Paulo Gonet (45 votos), sugere que Messias, com menos trânsito político e sob fogo cruzado, corre risco real de rejeição.




O Silêncio dos aliados e a dúvida da oposição
O descontentamento não se restringe à oposição declarada. Aliados históricos e líderes de bancadas importantes adotaram postura cautelosa, evitando declarar apoio antecipado.
- Otto Alencar (PSD-BA): Aliado de longa data, preferiu o silêncio. “Só me pronuncio na CCJ ou no plenário”, afirmou a reportagem.
- Eduardo Braga (MDB-AM): O líder do MDB no Senado, que comanda uma bancada de 11 parlamentares, se disse indeciso. “Ainda não reuni a bancada do MDB. Eu vou ouvir a bancada primeiro”, declarou.
Curiosamente, Messias recebeu sinalizações de abertura de diálogo vindas de nomes da oposição, que também foram pegos de surpresa pela não indicação de Pacheco.
“Achei que ele ia indicar o Rodrigo Pacheco. Eu nem comecei a pensar ainda. Vou conversar com os meus parceiros. Ainda não tenho posição definida.” — Espiridião Amin (PP-ES).
O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) também se declarou indeciso.
O Placar continuará sendo atualizado em tempo real à medida que novas manifestações surgirem, servindo como termômetro daquela que promete ser uma das sabatinas mais disputadas dos últimos tempos.
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Da Redação do Agenda Capital




