Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA em exercício no Mar do Caribe. O presidente Donald Trump diz que combate ao narcotráfico justifica o reforço militar na região. Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusa Washington de usar o narcotráfico como pretexto para "impor uma mudança de regime" em Caracas. Foto: Sgt. Nathan Mitchell/SGT. NATHAN MITCHELL

O governo Maduro informou ainda que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU, além de acionar outras organizações multilaterais e governos aliados

Por Redação

A tensão diplomática entre Venezuela e Estados Unidos voltou a subir neste sábado (20), após a confirmação de que militares norte-americanos apreenderam um segundo navio petroleiro na costa venezuelana, em águas internacionais. A embarcação, que navegava com bandeira do Panamá e transportava petróleo venezuelano com destino à Ásia, parou voluntariamente para inspeção e permitiu a entrada das forças armadas dos EUA, segundo informações divulgadas por dois funcionários americanos.

A apreensão acontece apenas dias depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar um bloqueio total a petroleiros sancionados que chegam ou saem do território venezuelano, ampliando o cerco econômico contra o governo de Nicolás Maduro. Também é a segunda interceptação do tipo registrada neste mês, reforçando a presença militar dos EUA na região e intensificando o clima de conflito geopolítico no Caribe.

Venezuela fala em “ato de pirataria”

O governo venezuelano reagiu com veemência ao episódio. Em comunicado oficial, Caracas classificou a interdição como um “grave ato de pirataria internacional” e acusou os Estados Unidos de “roubo e sequestro” da embarcação e de sua tripulação.

“A Venezuela denuncia e rejeita o roubo e o sequestro de um novo navio privado de transporte de petróleo, bem como o desaparecimento forçado da sua tripulação, cometido por militares dos Estados Unidos da América em águas internacionais”, afirma o texto divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores venezuelano.

O governo Maduro informou ainda que levará o caso ao Conselho de Segurança da ONU, além de acionar outras organizações multilaterais e governos aliados para denunciar práticas consideradas ilegais e agressivas pelos EUA.

EUA reforçam perseguição ao petróleo venezuelano

A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, confirmou a operação em uma publicação no X (antigo Twitter). Segundo ela, as apreensões fazem parte de uma ofensiva para combater o transporte de petróleo venezuelano sujeito a sanções americanas.

“Os Estados Unidos continuarão a perseguir o movimento ilícito de petróleo sancionado que é usado para financiar o narcoterrorismo na região”, declarou Noem.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também reforçou que as ações militares vão seguir com máxima rigidez no entorno da Venezuela.

“O presidente Trump foi claro: o bloqueio aos petroleiros sancionados que partem ou se dirigem à Venezuela permanecerá em pleno vigor até que a empresa criminosa de Maduro devolva todos os bens norte-americanos roubados”, disse Hegseth, também no X.

Apesar de a medida ter sido anunciada com foco em navios sancionados, fontes do governo americano confirmaram que o petroleiro apreendido neste sábado não estava na lista de sanções dos EUA. A tripulação, contudo, não ofereceu resistência à inspeção.

Crise petrolífera e diplomática

A Venezuela, que possui uma das maiores reservas de petróleo do planeta, sofre com sanções impostas pelos Estados Unidos desde 2019, sob acusação de violações democráticas e corrupção envolvendo o governo Maduro. As restrições afetaram diretamente a capacidade venezuelana de exportação e reduziram drasticamente a economia do país.

A escalada de apreensões ocorre num momento em que Caracas tenta aumentar seu fluxo comercial com países asiáticos para amenizar a crise econômica interna. A interceptação do navio panamenho tende a aprofundar o conflito bilaterial e fortalecer o discurso venezuelano de que Washington age para sufocar financeiramente o país e impedir seu desenvolvimento.

Diplomacia em ebulição

A disputa agora deve migrar também para os organismos internacionais. Maduro promete denunciar os Estados Unidos por violação das leis marítimas e abuso de poder militar, acusando Trump de tentar provocar um incidente regional durante um período de instabilidade econômica global.

Do lado americano, a operação é vista como parte de uma estratégia de contenção do governo venezuelano, que Washington acusa de envolvimento com atividades ilícitas e de desviar recursos do setor petrolífero para fins políticos e militares.

Com a escalada, cresce o risco de novos embates diplomáticos e militares nas águas caribenhas, enquanto o petróleo segue no centro das tensões entre Caracas e Washington. Nos próximos dias, a comunidade internacional deve acompanhar de perto os desdobramentos e possíveis reações do governo venezuelano diante do que chamou de “pirataria internacional”.

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Da Redação do Agenda Capital

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