
Zelensky disse que 90% dos termos do plano de paz foram acordados, reforçando um número usado pelas autoridades americanas.
Por Redação
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, encontrou-se com Donald Trump no resort de Mar-a-Lago, na Flórida, neste domingo (28), para discutir uma revisão do plano de paz que visa encerrar o conflito com a Rússia. Apesar de o encontro ter durado mais de três horas e ter sido marcado por um tom mais amigável, a reunião terminou sem anúncios de avanços concretos, evidenciando a complexidade das negociações.
Negociações em estágio final, mas sem garantias
Trump demonstrou otimismo, afirmando que as partes estão “muito próximas” de um entendimento, embora tenha ressaltado que o processo é difícil e que um acordo pode, inclusive, não acontecer. Segundo o presidente norte-americano, o momento atual é o mais favorável em quatro anos para encerrar a guerra. Caso as negociações falhem, ele alertou que o conflito poderá se arrastar, resultando na perda de mais milhões de vidas.
A influência de Putin
Mesmo ausente fisicamente, o presidente russo, Vladimir Putin, foi figura central no dia. Trump conversou por telefone com Putin por mais de uma hora antes de receber Zelensky. O histórico de Trump ouvir as posições de Moscou antes de se reunir com o líder ucraniano costuma preocupar os aliados da Ucrânia, mas, desta vez, o clima do encontro em Mar-a-Lago foi descrito como positivo. Trump chegou a elogiar a postura de Putin em relação à gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, afirmando acreditar que o líder russo deseja seriamente a paz.
O desafio dos “últimos 10%”
Zelensky indicou que cerca de 90% dos termos do plano de paz já foram acordados. No entanto, os 10% restantes envolvem os pontos mais sensíveis do conflito:
- Territórios: Trump sugeriu que a Ucrânia deveria considerar a entrega de terras agora para evitar perdas maiores no futuro.
- Donbass: O destino desta região continua sendo uma das questões mais espinhosas.
- Cessar-fogo: Zelensky defende que qualquer alteração nas fronteiras nacionais precisa de um referendo popular, o que exigiria um cessar-fogo imediato — ideia que a Rússia rejeita no momento.
Aproximação pessoal
Diferente de encontros anteriores marcados por tensões, Trump foi enfático ao elogiar a coragem de Zelensky e do povo ucraniano. O uso do ambiente informal de Mar-a-Lago serviu para tentar estreitar os laços pessoais entre os líderes.
As negociações devem continuar nas próximas semanas, com novas reuniões previstas entre as equipes dos Estados Unidos, Ucrânia e Europa, possivelmente em Washington. Trump também deve voltar a conversar com Putin para tentar alinhar os termos que o Kremlin estaria disposto a assinar.
Exigências e posições da Ucrânia (Zelensky)
- Referendo Popular: Zelensky afirma que qualquer alteração nas fronteiras nacionais (cessão de terras) exige uma votação popular, conforme a constituição ucraniana.
- Cessar-fogo Imediato: Para que o referendo acima seja realizado, o líder ucraniano exige a interrupção total dos combates.
- Plano de Paz: Zelensky busca a aprovação dos EUA para uma revisão do seu plano, indicando que 90% dos termos já estariam alinhados.
- Segurança Nuclear: A questão do controle e da segurança da usina de Zaporizhzhia permanece como uma prioridade inegociável.
Exigências e Posições da Rússia (Putin)
- Controle de Territórios: A Rússia mantém o foco na região de Donbass como seu principal objetivo e exige uma definição rápida sobre o destino dessa área.
- Rejeição à Trégua: O Kremlin recusa qualquer cessar-fogo temporário, argumentando que isso apenas prolongaria o conflito.
- Assinatura Final: Putin exige ser o validador final de qualquer termo, deixando claro que nada será decidido sem sua anuência direta.
O papel de mediação de Trump
- Pressão por Concessões: Trump sugere que a Ucrânia deve abrir mão de territórios agora para evitar perdas maiores em uma eventual invasão russa futura.
- Ceticismo sobre Prazos: Embora otimista, Trump não aceita prazos rígidos, focando na complexidade das “questões espinhosas” que faltam resolver.
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Da Redação do Agenda Capital e Agências Internacionais




