Macron alerta para afastamento dos EUA de aliados sob liderança de Trump

Por Delmo Menezes

O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um duro alerta sobre os rumos da política externa dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump, afirmando que o país tem se afastado progressivamente de aliados históricos e se desvinculado das regras que sustentam a ordem internacional do pós-guerra.

A declaração foi feita durante o tradicional discurso anual aos embaixadores franceses, em Paris, e repercutida pela agência AFP. Na avaliação de Macron, o mundo vive um momento de fragilidade institucional e de crescente disputa entre grandes potências.

“As instituições multilaterais estão funcionando com cada vez menos eficácia”, afirmou o presidente francês. “Vivemos em um mundo de grandes potências com uma tentação real de dividir o mundo.”

Críticas ao unilateralismo americano

Macron ecoou críticas semelhantes feitas recentemente pelo chanceler alemão, alertando para uma postura cada vez mais assertiva e unilateral dos Estados Unidos. Segundo ele, Washington tem demonstrado menor compromisso com fóruns multilaterais, tratados internacionais e mecanismos de cooperação que garantiram décadas de estabilidade relativa.

Para o líder francês, essa mudança de postura representa um risco direto ao equilíbrio global, especialmente em um cenário marcado por conflitos regionais, disputas energéticas e tensões geopolíticas crescentes.

Visão transacional e expansionista

Analistas internacionais interpretam as declarações de Macron como um alerta direto à visão de política externa atribuída a Donald Trump, caracterizada como transacional e expansionista. De acordo com especialistas, essa abordagem prioriza interesses imediatos dos EUA, com foco em controle territorial, energético e mineral, em detrimento de alianças estratégicas de longo prazo.

Essa lógica, segundo a leitura europeia, enfraquece o sistema multilateral, estimula rivalidades entre potências e pode levar a uma fragmentação da ordem internacional, com zonas de influência cada vez mais definidas.

Europa busca autonomia estratégica

O discurso de Macron também reforça a defesa histórica da França por uma maior autonomia estratégica da Europa, tanto no campo militar quanto diplomático e econômico. Para o presidente francês, a União Europeia precisa estar preparada para agir de forma mais independente diante de um cenário internacional cada vez mais imprevisível.

“O risco não é apenas o enfraquecimento das instituições globais, mas a normalização de uma lógica de força, na qual os mais poderosos impõem suas regras”, avaliam diplomatas europeus próximos ao governo francês.

Cenário global mais instável

A fala de Macron ocorre em um contexto de redefinição das relações internacionais, com a ascensão de disputas por recursos estratégicos, tensões comerciais e questionamentos sobre o papel histórico dos Estados Unidos como fiador da ordem liberal internacional.

Para observadores internacionais, o alerta do presidente francês não se limita aos EUA, mas serve como um chamado à comunidade internacional sobre os riscos de um mundo cada vez mais dividido, menos cooperativo e mais orientado por interesses imediatos de grandes potências.

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Da Redação do Agenda Capital

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