Por Dr. Cid Carvalhaes*
Março. Mês das Mulheres. Serão verdadeiros os propósitos? Há de se questionar — e muito. O comércio, em seu afã de faturamento, desdobra-se em “promoções”; aumentam as vendas e os lucros. Enquanto isso, mulheres que exercem as mesmas atividades que os homens continuam ganhando menos e enfrentando enormes empecilhos para ascender em suas carreiras.
Embora sejam maioria demográfica no Brasil, persistem como minoria na esmagadora maioria dos espaços de poder. Cargos de comando e chefia — na saúde, na educação, na política, em centros decisórios, no Judiciário, no Ministério Público e nas Forças Armadas — ainda são majoritariamente ocupados por homens. Anuncia-se, com alarde, o fato de uma mulher chegar ao generalato, ainda assim como oficial médica, enquanto em muitas áreas as mulheres seguem sendo preteridas.
As agressões são frequentes, e as medidas protetivas se avolumam. Feminicídios ocorrem diariamente. Em média, quatro mulheres são assassinadas por dia no país. Assédios morais e sexuais de toda ordem acontecem em todos os lugares. Reflexões se impõem.
Explicações simplistas, atribuindo tudo apenas ao machismo, não expressam plenamente a gravidade da situação. Retrocedendo à época da colonização do Brasil, prevaleceu uma lógica cruel: a esposa para gerar filhos e as mucamas para servir e satisfazer. Essas mulheres foram massacradas de igual forma, diferenciando-se apenas nas condições materiais. As esposas tinham um pouco mais de conforto para os padrões da época; as mucamas, muito menos. Ambas, porém, eram tratadas como seres de menor importância. Aos homens, tudo; às mulheres, imposições de toda ordem.
Durante muito tempo, prevaleceu a ideia de que matar mulheres poderia “lavar a honra com sangue”. Hoje, em muitos casos, ainda se mata por uma lógica perversa de posse: “Se não for minha, não será de mais ninguém”.
Fala-se em evolução social, em conquistas, em avanços e emancipação das mulheres. No entanto, diante de tantos fatos, percebe-se o quanto ainda há de incoerência e hipocrisia social. Pode-se apontar também o comodismo de autoridades em todos os níveis e a complacência, muitas vezes condenável, de parte da sociedade.
Mudanças profundas são imprescindíveis.
Mães, esposas, companheiras, filhas, irmãs, sobrinhas, amigas, colegas — mulheres valorosas que florescem e orientam nossas vidas.
Nosso respeito, nossa gratidão e nossas homenagens.
Obrigado!
*Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes – Médico neurocirurgião, advogado e escritor. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Presidente do Conselho Deliberativo da SBN, Presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e Presidente da Federação Nacional dos Médicos. Especialista no Direito Médico e da Saúde e Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito da Escola Paulista de Direito. É Colunista do Agenda Capital.





