Estratégia do ex-governador de Goiás é mirar no eleitor de direita e centro-direita após avanço em cenários de segundo turno contra Lula
Por Delmo Menezes
O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, tem adotado uma estratégia mais agressiva na disputa pelo eleitorado de direita. Nas últimas semanas, o ex-governador de Goiás elevou o tom das críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), enquanto sua equipe busca consolidá-lo como alternativa competitiva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.
A mudança de estratégia ocorre em meio à divulgação de pesquisas de intenção de voto que apontam crescimento de Caiado. Levantamento do instituto Real Time Big Data indica que, em um cenário de segundo turno, o ex-governador aparece numericamente à frente de Lula, com 44% das intenções de voto contra 43% do presidente. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.
Embora continue distante dos líderes no primeiro turno em parte dos levantamentos, aliados avaliam que o desempenho no segundo turno fortalece o discurso de que Caiado poderia reunir condições para unificar setores da direita e disputar o Palácio do Planalto com competitividade. Em outra pesquisa recente, da Genial/Quaest, o ex-governador registrou 4% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro lideravam o cenário testado.
Estratégia mira disputa interna na direita
Nos bastidores da pré-campanha, a avaliação é de que a principal disputa neste momento não é diretamente contra Lula, mas pela liderança do campo conservador. A estratégia passou a concentrar críticas ao senador Flávio Bolsonaro, que enfrenta desgaste político decorrente de episódios recentes envolvendo sua atuação pública e controvérsias amplamente repercutidas no cenário nacional.
Interlocutores de Caiado entendem que esse cenário abre espaço para atrair eleitores de perfil conservador que não se identificam necessariamente com o bolsonarismo mais fiel. A aposta da campanha é ampliar o diálogo com uma direita considerada independente, apresentando o ex-governador como um nome com experiência administrativa e potencial de crescimento eleitoral.
Críticas se intensificam
A mudança de posicionamento ficou evidente nas manifestações públicas de Caiado. Após declarações de Flávio Bolsonaro sobre urnas eletrônicas, o pré-candidato do PSD ironizou o episódio em suas redes sociais ao afirmar que encontros diplomáticos deveriam ser aproveitados para ampliar mercados, atrair investimentos e fortalecer a economia brasileira, e não para discutir o sistema eleitoral.
Em outra frente, Caiado também direcionou críticas ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Sem citá-lo nominalmente, comparou o parlamentar ao personagem Pateta, da Disney, afirmando que atitudes tomadas nos Estados Unidos poderiam trazer prejuízos ao Brasil.
O ex-governador também criticou indiretamente o fato de Eduardo possuir green card norte-americano, argumentando que quem deveria ter prioridade para acessar o mercado dos Estados Unidos seria o produtor rural brasileiro, defendendo a ampliação das oportunidades comerciais para o agronegócio.
Durante agendas públicas, Caiado passou a afirmar que o presidente Lula não teria conseguido estabelecer diálogo para enfrentar desafios internacionais e, ao mesmo tempo, declarou que os principais problemas enfrentados pela campanha de Flávio Bolsonaro decorreriam das próprias ações do senador.
Mudança de foco
No início da pré-campanha presidencial, Caiado concentrava suas críticas no governo federal e defendia pautas voltadas ao eleitorado conservador, incluindo a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, porém, o foco passou a ser a disputa pela hegemonia da direita.
A avaliação de integrantes da campanha é que parte expressiva dos eleitores de Flávio Bolsonaro declara apoio ao senador principalmente pela rejeição ao presidente Lula, o que abriria espaço para uma candidatura alternativa caso esse eleitorado passe a enxergar Caiado como uma opção viável.
Reações do PL
As declarações de Caiado provocaram reações entre aliados da família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro respondeu às críticas questionando a proximidade institucional do ex-governador com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Já a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) criticou a estratégia adotada pelo pré-candidato, afirmando que ele deveria concentrar seus ataques no presidente Lula, e não em integrantes da direita.
Apesar das divergências atuais, Caiado apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022, participou de manifestações favoráveis à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e, em diferentes ocasiões, classificou o ex-presidente como uma das principais lideranças políticas do país. Ao mesmo tempo, manteve divergências com o bolsonarismo durante a pandemia de Covid-19 e apoiou candidatos diferentes dos apoiados por Bolsonaro nas eleições municipais de 2024.
Com o início da fase mais intensa da pré-campanha, a tendência é que a disputa pela liderança do campo conservador se acirre ainda mais. O desempenho de Caiado nas próximas pesquisas será acompanhado de perto por partidos e lideranças políticas, especialmente diante dos sinais de crescimento apresentados em alguns levantamentos de intenção de voto, que já o colocam em situação de empate técnico com Lula em cenários de segundo turno.
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Da Redação do Agenda Capital





