Diego Torres Dourado é o primeiro suplente da candidata ao Senado; Michelle afirma que não existe acordo para deixar o cargo caso seja eleita
Por Delmo Menezes
Uma especulação começa a ganhar espaço nos bastidores da política de Brasília: caso Michelle Bolsonaro (PL) seja eleita para o Senado pelo Distrito Federal, seu irmão, Diego Torres Dourado, poderia assumir a cadeira em algum momento do mandato. A hipótese, entretanto, é negada pela própria candidata, que afirma não existir qualquer acordo prévio para deixar o cargo.
Michelle aparece entre os nomes que lideram a disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal. Na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, ela registrou 21% das intenções de voto, tecnicamente empatada com Leila do Vôlei, que tinha 18%, considerando a margem de erro de três pontos percentuais.
A discussão ganhou força depois de declarações do candidato ao Senado Sebastião Coelho (Novo), que criticou a composição da chapa de Michelle e questionou a escolha do irmão como primeiro suplente. A mesma estratégia foi adotada por Bia Kicis (PL), que indicou o filho, Samuel Kicis, para a primeira suplência.
O irmão na linha de sucessão
Diego Torres Dourado está oficialmente registrado como primeiro suplente de Michelle. O segundo suplente é Cristian Viana, do Podemos. Os dados constam no cadastro eleitoral divulgado pelo Senado.
Diego não é um nome estranho ao grupo político de Michelle. Ele já atuou como assessor especial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e deixou a função em 2025 para se dedicar à campanha da irmã.
A escolha de um familiar como primeiro suplente, portanto, tornou-se um dos assuntos que circulam nos bastidores da campanha do PL no Distrito Federal.
É nesse contexto que surgiu a versão de que Michelle poderia não exercer integralmente o mandato, especialmente diante das responsabilidades familiares que afirma ter assumido desde a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
Michelle nega qualquer acordo
Em manifestação divulgada nesta quarta-feira (16), Michelle reagiu às declarações de Sebastião Coelho e afirmou ter ficado surpresa com o conteúdo das críticas.
A ex-primeira-dama disse que sua candidatura e a de Bia Kicis representam uma escolha de Jair Bolsonaro e que o ex-presidente trata as duas como a “chapa do seu coração”.
Michelle também afirmou que a escolha de Diego Torres como primeiro suplente partiu de Jair Bolsonaro, enquanto a definição do segundo suplente teria sido discutida estrategicamente com o ex-presidente.
A candidata, porém, foi direta ao negar a existência de um acordo para que o irmão assuma o mandato em seu lugar.
Cuidados com Bolsonaro entram no debate
Outro elemento utilizado nos bastidores para alimentar a especulação é a própria rotina de Michelle. Em seu comunicado, ela afirmou que é uma das poucas pessoas autorizada a cuidar do marido e que precisa acompanhar tarefas como alimentação, medicamentos e tratamento.
Michelle disse ainda que essa situação limita sua agenda de campanha e seus deslocamentos pelo país.
A questão, portanto, passou a ser explorada politicamente: de um lado, opositores levantam dúvidas sobre a capacidade de Michelle conciliar o mandato no Senado com as responsabilidades familiares; de outro, a candidata afirma que está apenas cumprindo seu papel ao lado do marido e nega qualquer plano de transferência do mandato.
Suplente não assume automaticamente
Há ainda uma questão jurídica importante nessa discussão. A eleição de Michelle não significaria automaticamente a posse de Diego Torres. O suplente somente assume a cadeira nas hipóteses previstas constitucionalmente, como vacância do cargo ou afastamento do titular nos casos estabelecidos pela legislação.
Em caso de licença temporária superior a 120 dias, por exemplo, o primeiro suplente pode ser convocado. Em situações de renúncia, morte ou perda do mandato, também há previsão de substituição pelo suplente.
Assim, a simples eleição de Michelle não produziria, por si só, a transferência da cadeira para o irmão.
Família também está no centro da estratégia do PL
A escolha de familiares como suplentes não é exclusiva da chapa de Michelle. Bia Kicis, que disputa a outra vaga ao Senado pelo PL, registrou seu filho, Samuel Kicis, como primeiro suplente. A composição das duas chapas colocou a estratégia familiar no centro das discussões políticas no Distrito Federal.
A estratégia também foi alvo de críticas políticas. Durante passagem por Ceilândia, o presidente Lula questionou a escolha de familiares como suplentes nas chapas de Michelle e Bia Kicis, sem citar diretamente as candidatas.
A pergunta que permanece nos bastidores
Com Michelle entre os nomes que aparecem nas primeiras posições das pesquisas, a discussão sobre sua suplência tende a permanecer no ambiente político de Brasília até a eleição.
A pergunta que circula nos bastidores é simples: se Michelle for eleita, ela cumprirá integralmente o mandato de oito anos no Senado ou, em algum momento, Diego Torres poderá ocupar a cadeira?
Até o momento, porém, não há confirmação de qualquer acordo nesse sentido. O que existe é uma especulação política alimentada pela escolha do irmão como primeiro suplente e pelas próprias declarações de Michelle sobre as responsabilidades que mantém com Jair Bolsonaro.
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Da Redação do Agenda Capital




