Crise no MDB-DF coloca em risco eleição de vários pré-candidatos. Imagem criada por IA.

Lideranças ouvidas pelo Agenda Capital afirmam que falta comando, articulação e apoio aos pré-candidatos, enquanto disputas internas comprometem a estratégia eleitoral da legenda.

Por Delmo Menezes

O MDB do Distrito Federal, partido que durante anos ocupou posição de destaque na política local, atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Divergências entre as principais lideranças da legenda, ausência de unidade e dificuldades na condução política têm provocado um ambiente de insegurança justamente no período que antecede as eleições de outubro.

Lideranças do partido ouvidas pelo Agenda Capital, sob condição de anonimato, afirmam que a legenda “perdeu o rumo”. Segundo os relatos, a falta de comando e de uma estratégia unificada tem deixado pré-candidatos sem orientação política e sem o suporte esperado para o início da campanha.

“Falta liderança e sobra desunião. Nas redes sociais dizem que o partido está unido, mas, na prática, cada grupo segue um caminho diferente”, afirmou uma importante liderança emedebista.

A insatisfação também envolve a estrutura partidária. De acordo com a mesma fonte, os recursos que deveriam fortalecer as pré-candidaturas ainda não chegaram, gerando preocupação entre aqueles que apostaram no MDB para disputar as eleições deste ano.

A expectativa inicial era de que a legenda pudesse eleger até quatro deputados distritais. Hoje, porém, o cenário é considerado muito mais modesto.

“Se o MDB conseguir fazer dois deputados distritais, já será motivo para comemoração”, avaliou a liderança.

Nos bastidores, integrantes do partido atribuem o enfraquecimento da legenda às constantes disputas entre seus principais dirigentes. A falta de consenso sobre o futuro político do MDB no Distrito Federal aprofundou as divisões internas e dificultou a construção de um projeto comum para o pleito.

Atualmente, o partido encontra-se dividido em diferentes correntes. Um grupo defende candidatura própria ao Governo do Distrito Federal. Outro trabalha pelo apoio à governadora Celina Leão na disputa pela reeleição. Há ainda dirigentes que preferem manter uma posição de independência, sem compromisso antecipado com qualquer projeto majoritário.

Essa multiplicidade de posições, segundo interlocutores, tem impedido o partido de transmitir segurança aos seus filiados e pré-candidatos, que passaram a conduzir suas articulações de forma individual.

“A impressão é que alguns caciques acreditam ser donos do partido e pensam apenas nos próprios interesses. Quem está disputando eleição acabou ficando em segundo plano”, afirmou outra liderança.

O sentimento predominante entre parte dos filiados é de que, diante da ausência de coordenação política, cada pré-candidato precisará construir sua própria estratégia para buscar espaço nas urnas.

“Agora é cada um por si”, resumiu a fonte.

Enquanto tenta administrar as divergências internas, o MDB-DF corre contra o tempo para reorganizar sua estrutura política e recuperar o protagonismo que já exerceu no cenário distrital. Caso contrário, avaliam integrantes da própria legenda, o partido poderá registrar um dos desempenhos eleitorais mais modestos das últimas décadas, frustrando as expectativas de candidatos e militantes que apostaram na força histórica do MDB no Distrito Federal.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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