
Estratégia do candidato do PL é evitar ficar como principal alvo de adversários; para campanha de Lula, presidente ainda avalia quais debates pretende disputar
Por Delmo Menezes*
A participação dos principais candidatos à Presidência da República nos debates do primeiro turno das eleições de 2026 começa a se transformar em um dos temas estratégicos da campanha. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à sucessão presidencial, sinaliza que pretende comparecer aos debates televisivos no primeiro turno somente se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comparecer.
A avaliação feita por integrantes da campanha de Flávio é que, sem Lula no palco, o senador poderá se transformar no principal alvo dos ataques dos demais concorrentes. A estratégia ganhou força diante do aumento das críticas dirigidas ao candidato do PL por adversários que também disputam espaço no campo da direita.
Inicialmente, Flávio teria considerado participar de todos os debates para apresentar suas propostas e confrontar os adversários. O cenário, porém, teria mudado à medida que nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) passaram a elevar o tom das críticas ao candidato bolsonarista.
Nesse ambiente, a presença de Lula passou a ser considerada pela equipe de Flávio como um fator importante para a definição da agenda de debates. A lógica é que, com o presidente no mesmo palco, o confronto tende a se concentrar entre os dois nomes que representam os polos políticos mais fortes da disputa.
Lula também avalia participação
Do outro lado, a campanha de Lula também trabalha com uma participação seletiva nos debates. Assessores próximos ao presidente afirmam que ele ainda avalia quais encontros serão considerados prioritários e não descartam uma agenda mais restrita.
A estratégia atribuída ao petista é combinar alguns debates televisivos de maior alcance com sabatinas e entrevistas individuais. Entre os eventos considerados relevantes está o debate da Globo, tradicionalmente um dos momentos de maior audiência da corrida presidencial.
A própria cobertura eleitoral preparada pela emissora prevê debates e entrevistas com os candidatos à Presidência durante o primeiro turno.
Caso Lula confirme uma participação reduzida, a decisão poderá provocar um efeito em cadeia entre os demais candidatos. Se Flávio mantiver a posição de comparecer apenas aos encontros com o presidente, alguns debates poderão ocorrer sem os dois nomes que atualmente concentram grande parte da atenção da disputa.
Debate é direito do eleitor de comparar candidatos
A discussão sobre a presença ou ausência dos candidatos vai além da estratégia eleitoral de cada campanha. Os debates constituem um dos principais momentos em que o eleitor pode colocar diferentes candidatos diante das mesmas regras, perguntas e limitações de tempo.
Em um mesmo palco, os concorrentes são obrigados a apresentar propostas, responder a críticas e explicar posições sobre temas de interesse nacional. O formato também permite observar a capacidade de argumentação, o domínio de assuntos relevantes e a maneira como cada candidato reage a questionamentos e situações de pressão.
Por isso, a ausência dos principais nomes pode reduzir o alcance do confronto direto entre projetos distintos de governo. Ao mesmo tempo, a legislação eleitoral não obriga todos os candidatos a participar de todos os debates.
Segundo as regras eleitorais, são considerados aptos a participar dos debates televisivos candidatos filiados a partidos que tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. As emissoras e os partidos também precisam estabelecer previamente as regras dos encontros e comunicá-las à Justiça Eleitoral.
A legislação permite ainda a realização de debates sem a presença de determinado candidato, desde que a emissora comprove que ele foi convidado com antecedência mínima de 72 horas. Para os debates do primeiro turno, as regras, inclusive aquelas que definem o número de participantes, precisam obedecer aos critérios previstos na legislação eleitoral.
Cinco candidaturas em disputa pelo espaço
O cenário previsto para os debates presidenciais coloca em evidência, além de Lula e Flávio Bolsonaro, nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. A composição pode transformar os encontros em um espaço de confronto não apenas entre esquerda e direita, mas também entre diferentes correntes do campo oposicionista.
Para Flávio, participar de um debate sem Lula poderia significar enfrentar simultaneamente críticas vindas de adversários que disputam o mesmo eleitorado. A estratégia, portanto, busca evitar que o candidato do PL fique isolado no centro dos ataques.
Para os demais concorrentes, entretanto, a ausência de Lula e Flávio também pode representar uma oportunidade para ampliar a exposição e apresentar propostas ao eleitorado sem a presença dos dois candidatos que concentram maior atenção pública.
Primeiro turno terá papel decisivo
Os debates do primeiro turno ganham importância porque o eleitor ainda terá diante de si um conjunto maior de opções. É nesse período que candidatos precisam conquistar espaço, apresentar propostas e tentar ampliar suas bases eleitorais para chegar ao segundo turno.
Ainda existe uma parcela expressiva do eleitorado sem voto consolidado. De acordo com as últimas pesquisas de intenções de votos, cerca 7% dos eleitores ainda estão indecisos. Considerando um eleitorado nacional na casa dos 150 milhões de eleitores, cada 1 ponto percentual representa aproximadamente 1,5 milhão de votos. Se formos considerar 7% de indecisos, chegamos 10,5 milhões de eleitores.
A televisão continua sendo um dos ambientes de maior visibilidade da campanha, mas os debates também são reproduzidos e repercutidos nas redes sociais, ampliando o alcance de declarações e confrontos feitos durante os programas.
Para o eleitor, a expectativa é que os principais candidatos estejam presentes no maior número possível de confrontos, permitindo uma comparação direta entre propostas, prioridades e visões de país.
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*Delmo Menezes – Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.




