Partido abandona projeto de candidatura própria ao Palácio do Buriti e tenta reorganizar forças após desistência de Ibaneis Rocha da disputa pelo Senado
Por Delmo Menezes
O MDB do Distrito Federal realizou na manhã deste sábado (1º), no Clube da Ascade, a convenção partidária que definiu os rumos da legenda para as eleições de 2026. O encontro, realizado das 9h às 13h, reuniu filiados, dirigentes, pré-candidatos e lideranças do partido em um momento considerado decisivo para a reorganização da sigla no cenário eleitoral do Distrito Federal.
A principal definição foi a confirmação do deputado federal Rafael Prudente como candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados. Ao chegar à convenção, Prudente afirmou que o partido chegou a um “denominador comum” sobre seu futuro eleitoral.
“Entendemos que o melhor caminho para o MDB local e nacional é que eu pudesse continuar representando a população do DF na Câmara dos Deputados”, declarou.
A decisão encerra as especulações que envolviam o nome de Prudente em uma eventual candidatura majoritária. O deputado era apontado como uma das alternativas do partido diante da desistência do ex-governador Ibaneis Rocha de disputar uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado.

Apoio a Celina Leão
Outra decisão de peso da convenção foi o apoio do MDB à candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição. Com isso, o partido desistiu de apresentar candidatura própria ao Governo do Distrito Federal e passou a integrar o projeto de continuidade da atual governadora.
A decisão ganha importância porque Celina e Ibaneis foram aliados durante os dois mandatos do ex-governador. Ela ocupou a vice-governadoria durante o segundo mandato e assumiu definitivamente o Palácio do Buriti em março, depois que Ibaneis renunciou ao cargo para cumprir o prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral.
Em junho, a Executiva Nacional do MDB havia criado uma comissão para tratar da formação da chapa majoritária e trabalhava com a possibilidade de Ibaneis ser indicado pelo partido para o Senado em uma aliança com Celina.
O cenário, porém, mudou completamente após a desistência do ex-governador.

Ibaneis fora da eleição
Ibaneis Rocha anunciou em 8 de julho que não disputaria mais o Senado nem qualquer outro cargo nas eleições deste ano. Na ocasião, afirmou estar “cansado e decepcionado” com o momento político e disse que pretendia se dedicar à vida pessoal.
A desistência ocorreu depois de um período de crescente desgaste político entre o ex-governador e Celina Leão. As divergências entre os dois antigos aliados se intensificaram após a posse da governadora, com críticas relacionadas à administração pública e, posteriormente, à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
A saída de Ibaneis alterou o desenho eleitoral do MDB. O ex-governador era até então a principal aposta da legenda para a disputa ao Senado e também uma das figuras centrais nas negociações para a composição da chapa majoritária.
Um partido dividido
A convenção deste sábado também expôs um dos principais desafios do MDB-DF para a campanha: reconstruir a unidade interna depois de meses de divergências políticas.
O chamado “racha” na legenda envolve diferentes grupos e interesses. De um lado, estão os integrantes que defendiam a candidatura de Ibaneis ao Senado e uma composição mais ampla em torno do ex-governador. De outro, setores do partido passaram a trabalhar pela aproximação com Celina Leão e pela preservação do espaço político do MDB na futura composição governista.
A própria desistência de Ibaneis ocorreu em meio a esse processo de perda de apoio interno. Reportagens publicadas após o anúncio apontaram que o ex-governador enfrentava pressão dentro do MDB e que integrantes da legenda mantinham conversas com Celina para redefinir a estratégia eleitoral.
Com a decisão deste sábado, o partido tenta virar a página e concentrar sua estrutura na eleição proporcional e na participação na aliança que apoia Celina.
Chapa para a Câmara
Além de Rafael Prudente, o MDB-DF terá outros nomes na disputa pela Câmara dos Deputados. Entre os candidatos estão o deputado distrital Daniel Donizet, a ex-secretária de Educação Hélvia Paranaguá e o ex-secretário de Governo Zé Humberto.
A legenda também reúne uma série de candidatos à Câmara Legislativa, entre eles Wellington Luiz, Iolando, Hermeto, Jaqueline Silva, Fernanda Mateus, Marcela Passamani, Costa Neto, Zé Alencar, Cristiano Araújo, Washington “Coração Valente”, Josy Jacob, Wesley Amaral, Cândido Teles, Dilson Resende e Stephanie Amaral.
Durante a convenção, filiados participaram do encontro com bandeiras, manifestações de apoio e mobilização em torno dos candidatos. A movimentação buscou demonstrar força da militância e transmitir uma imagem de unidade, justamente em um momento em que o partido chega ao período eleitoral depois de fortes divergências internas.
Prudente assume papel central
Com a retirada de Ibaneis da disputa majoritária, Rafael Prudente passa a ocupar posição ainda mais relevante na estratégia do MDB-DF. Ele terá como principal missão manter a representação do partido na Câmara dos Deputados.
A confirmação de sua candidatura também encerra um período de especulações sobre a possibilidade de o deputado disputar outro cargo. A opção pela reeleição sinaliza que o MDB pretende preservar seu espaço no Congresso e concentrar esforços na eleição de uma bancada competitiva.
O partido chega, portanto, à reta final das convenções com uma estratégia diferente daquela desenhada no início do ano. A legenda que chegou a trabalhar com uma candidatura própria ao Senado, tendo Ibaneis como principal nome, agora apoia Celina Leão ao Palácio do Buriti e concentra sua atuação nas disputas proporcionais.
O novo desenho do MDB
A convenção deste sábado marca, assim, uma nova fase para o MDB-DF. A legenda terá de administrar as diferenças internas deixadas pelo rompimento político entre Ibaneis e Celina, ao mesmo tempo em que busca manter sua bancada e ampliar sua representação na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa.
A decisão de apoiar Celina Leão também coloca o MDB dentro de uma composição eleitoral que poderá reunir diferentes forças políticas do Distrito Federal. O desafio, daqui para frente, será transformar a decisão partidária em unidade efetiva durante a campanha.
O resultado da convenção, porém, também deixa uma questão em aberto: se a decisão formal tomada neste sábado será suficiente para superar as divergências que marcaram o MDB-DF nos últimos meses.
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Da Redação do Agenda Capital





