Palácio do Buriti em Brasília, sede do Governo do DF.

Paula Belmonte busca aproximação com ex-governador, enquanto Celina Leão, Leandro Grass e outros candidatos miram os eleitores que ficaram sem candidato após decisão do TSE

Por Delmo Menezes

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter, por 5 votos a 2, o indeferimento do registro de José Roberto Arruda (PSD) retirou da corrida ao Governo do Distrito Federal um dos nomes de maior peso político da eleição de 2026 e abriu uma nova disputa: a corrida pelos votos que estavam destinados ao ex-governador.

O TSE confirmou nesta quinta-feira (24) a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), que havia considerado Arruda inelegível em razão de condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora. Com a decisão, a Justiça Eleitoral determinou a cessação da condição de candidato sub judice, além da interrupção da campanha, inclusive inserções no rádio e na televisão e participação em debates.

A saída de Arruda acontece na reta final da eleição e altera a aritmética e, principalmente, a estratégia dos demais concorrentes.

Paula Belmonte entra no radar do eleitorado de Arruda

Entre os candidatos, Paula Belmonte (PSDB) foi uma das primeiras a sinalizar que pretende conversar diretamente com Arruda e com seu grupo político.

A tucana afirmou que pretende apresentar seu projeto ao ex-governador e buscar seu apoio, além de conversar com lideranças e apoiadores ligados a ele.

“Vou procurar o Arruda para conversar, porque acredito que precisamos unir aqueles que defendem uma mudança no Distrito Federal”, afirmou Paula.

O movimento coloca a candidata em uma posição de disputa por uma parcela do eleitorado que se identificava com Arruda, embora não seja possível afirmar, neste momento, que esses votos migrarão automaticamente para sua candidatura.

O último Datafolha divulgado antes da decisão definitiva do TSE ajuda a dimensionar o tamanho desse eleitorado. No cenário com Arruda, ele aparecia com 18%, enquanto, no cenário sem o ex-governador, Paula Belmonte aparecia com 7%. A pesquisa ouviu 910 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.

Celina também mira o voto de centro-direita

A governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, também deixou claro que pretende disputar os votos que estavam com Arruda.

Antes da decisão definitiva, Celina afirmou que se trata de um eleitorado ligado à centro-direita, com preocupação com gestão, obras, saúde e educação.

“Esse voto a gente vai, com certeza, atrás dele”, declarou.

O primeiro levantamento divulgado após a decisão, porém, ainda não mede uma eventual migração provocada pelo julgamento. O Datafolha divulgado no dia 24 utilizou entrevistas realizadas antes da confirmação da saída de Arruda. No cenário sem o ex-governador, Celina aparecia com 42%, contra 23% de Leandro Grass e 7% de Paula Belmonte.

Portanto, os números servem como referência para o cenário sem Arruda, mas não podem ser interpretados como uma fotografia do eleitorado depois da decisão do TSE.

Grass tenta conversar com o eleitor de Arruda

Leandro Grass (PT) também entrou na disputa por esse eleitorado.

Durante agenda na Associação Brasileira de Enfermagem, o candidato afirmou que mantém uma relação de respeito com Arruda e disse acreditar que parte dos eleitores do ex-governador busca mudanças para o Distrito Federal.

Grass afirmou que pretende dialogar com essa parcela do eleitorado e apresentar sua proposta para Brasília.

O movimento mostra que a disputa pelo eleitorado de Arruda não ficará restrita ao campo da centro-direita. O candidato petista também pretende apresentar-se como alternativa para eleitores que possam estar procurando uma mudança na administração do DF.

Cappelli critica decisão e presta solidariedade

Ricardo Cappelli (PSB) adotou outro tom. O candidato prestou solidariedade a Arruda e criticou a decisão judicial.

Cappelli afirmou que a governadora Celina Leão teria trabalhado para retirar Arruda da disputa e questionou o que classificou como uma espécie de “condenação vitalícia”.

A declaração coloca o candidato em uma posição de aproximação política com o ex-governador, embora não haja, até o momento, indicação de que Arruda tenha decidido apoiar qualquer outro nome.

Kiko Caputo também tenta ocupar espaço

Kiko Caputo (Novo) declarou que sempre defendeu que a eleição fosse decidida pelo voto, mas afirmou que decisão judicial deve ser cumprida.

Nas redes sociais, o candidato também procurou diretamente os eleitores que consideravam votar em Arruda e apresentou sua candidatura como alternativa para esse grupo.

Arruda diz que não apoiará outro candidato

Um elemento importante para os próximos movimentos é a própria posição de José Roberto Arruda.

Após a decisão do TSE, o ex-governador afirmou que não pretende recorrer e que não apoiará outro candidato, dizendo que seu caminho eleitoral se encerra naquele momento.

Essa posição pode dificultar uma transferência organizada do seu eleitorado para outra candidatura.

Isso porque uma coisa é o eleitor simpatizar com determinado político; outra é esse eleitor aceitar automaticamente a indicação de um novo candidato.

Quem pode herdar os votos de Arruda?

A resposta definitiva ainda não existe.

Paula Belmonte aparece como uma das candidatas que mais explicitamente tenta estabelecer uma ponte com Arruda, suas lideranças e seus apoiadores. Celina Leão também mira o eleitorado de centro-direita e de perfil administrativo que se identificava com o ex-governador. Leandro Grass procura conversar com os eleitores que desejam mudança, enquanto Cappelli e Kiko Caputo também se movimentam para ocupar o espaço aberto.

O que está em disputa, portanto, não é apenas um percentual de intenção de voto. É um capital político construído durante anos por um ex-governador que, mesmo fora da eleição, continua tendo um eleitorado identificado com seu nome.

A próxima rodada de pesquisas deverá ser fundamental para mostrar para onde esse eleitorado está migrando.

A eleição entra em uma nova fase

A saída de Arruda transforma o cenário eleitoral do Distrito Federal.

Até a decisão do TSE, os demais candidatos precisavam considerar a presença de um adversário que aparecia com percentual relevante nas pesquisas. Agora, a disputa passa a ser também pela parcela do eleitorado que ficou sem seu candidato.

O desafio para os concorrentes será transformar a simpatia ou identificação que esses eleitores tinham com Arruda em voto efetivo.

E há uma questão que somente as próximas pesquisas poderão responder: o eleitor de Arruda vai escolher outro candidato, migrar para a abstenção, votar em branco ou simplesmente permanecer indeciso? Essa é a nova incógnita da eleição para o Palácio do Buriti.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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