Celina Leão, Paula Belmonte e Leandro Grass procuram aproximação com o ex-governador, que deixa a disputa pelo GDF a pouco mais de uma semana do primeiro turno
Por Delmo Menezes
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de barrar, por 5 votos a 2, a candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao Governo do Distrito Federal abriu uma nova frente de articulação política na corrida pelo Palácio do Buriti. A pouco mais de uma semana do primeiro turno, candidatos passaram a buscar uma aproximação com o ex-governador e com o eleitorado que pretendia votar nele.
Arruda não poderá mais fazer campanha, participar de debates ou utilizar propaganda eleitoral no rádio e na televisão. O TSE também determinou o fim da condição de candidato.
A movimentação dos adversários ocorre em meio à tentativa de conquistar não apenas votos, mas também o apoio político de um dos nomes mais conhecidos da política brasiliense.
Celina Leão busca aproximação com o PSD
A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), se movimenta no sentido de construir uma parceria com o PSD. Durante agenda de campanha em Samambaia neste sábado (26/9), ela confirmou que pretende buscar apoio junto ao PSD.
Celina revelou que já conversou com Paulo Octávio, presidente regional do partido, sobre uma possível aproximação entre as duas legendas.
“Houve o nosso pedido, sim. Eu tenho falado com o Paulo Octávio, da nossa intenção de caminhar juntos. E eu estou na expectativa da gente conseguir trazer o PSD”, afirmou.
Segundo a governadora, integrantes do PSD também já a procuraram. Para Celina, a aproximação entre as siglas pode ocorrer naturalmente diante da nova configuração da disputa.
Apesar da busca pelo apoio político, Celina afirmou que respeita a autonomia dos eleitores e que não considera que votos tenham dono. A estratégia da campanha é apresentar as realizações do governo e novas propostas para o Distrito Federal.
Paula Belmonte também procura Arruda
A candidata Paula Belmonte (PSDB) também entrou na disputa pelo apoio do ex-governador.
Conforme apuração do Agenda Capital, a tucana procurou Arruda em busca de uma aproximação que possa resultar em apoio nesta reta final da campanha.
A estratégia de Paula passa pela tentativa de ampliar o diálogo com os eleitores que acompanhavam o ex-governador. A campanha tucana também pretende intensificar as agendas de rua e apresentar propostas para as regiões administrativas.
Entre as propostas destacadas pela candidatura está a construção de um segundo hospital em Ceilândia.
A aproximação com Arruda, caso avance, poderá representar uma nova configuração política para Paula Belmonte na reta final do primeiro turno.
Leandro Grass abre diálogo com o ex-governador
Do campo da esquerda, Leandro Grass (PT) também confirmou que começou a conversar com Arruda.
Em declaração neste sábado (26/9), Grass afirmou que pretende dialogar com o ex-governador e sinalizou disposição para incorporar propostas defendidas por Arruda caso seja eleito.
A campanha petista trabalha com a possibilidade de atrair parte do eleitorado que ficou sem candidato após a decisão do TSE. O discurso de Grass busca apresentar convergências em áreas como saúde e mobilidade urbana.
O movimento chama atenção porque coloca, no mesmo tabuleiro, candidatos de campos políticos diferentes tentando estabelecer algum tipo de interlocução com o grupo político de Arruda.
Arruda ainda não declarou apoio
Apesar da movimentação dos candidatos, Arruda ainda não anunciou apoio formal a nenhum dos postulantes ao GDF.
Após a decisão do TSE, o ex-governador afirmou que não recorreria e, naquele momento, declarou que não apoiaria nenhum candidato. Também fez referências positivas a alguns concorrentes, entre eles Paula Belmonte e Leandro Grass.
A postura de Arruda mantém aberta uma das principais incógnitas da reta final da eleição: qual será o destino político do eleitorado que pretendia votar no ex-governador?
O peso político da saída
Arruda chegava à reta final da campanha com mais de 20% das intenções de voto em levantamentos recentes. A saída do ex-governador, portanto, provoca uma redistribuição do cenário eleitoral a poucos dias da votação.
Análises publicadas neste sábado apontam que parte desses votos pode se distribuir entre Celina Leão, Leandro Grass, Paula Belmonte e outros candidatos, enquanto outra parcela pode permanecer indecisa ou optar pelo voto nulo.
O fato é que, depois da decisão do TSE, o nome de Arruda deixou de estar na disputa, mas sua força eleitoral continua no centro das articulações políticas do Distrito Federal.
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Da Redação do Agenda Capital




