Governadora afirma acreditar na candidatura de Michelle Bolsonaro, confirma Bia Kicis como segunda aposta do PL ao Senado, adota tom conciliador em relação a Ibaneis Rocha e indica que o MDB seguirá como aliado nas eleições de 2026.
Por Delmo Menezes
Em uma das entrevistas políticas mais repercutidas desta semana no Distrito Federal, a governadora e pré-candidata à reeleição, Celina Leão (PP), afirmou acreditar que Michelle Bolsonaro (PL) disputará uma das duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. Durante entrevista concedida nesta quinta-feira (10/7) ao programa CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, Celina também confirmou que a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) deverá ocupar a segunda vaga da chapa majoritária apoiada pelo PL.
As declarações ganham relevância poucos dias após o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciar que desistiu de concorrer ao Senado, provocando uma reconfiguração do cenário político local.
Ao longo da entrevista, Celina adotou um discurso conciliador em relação ao ex-governador, evitou especular sobre os motivos da desistência e reforçou que pretende manter unida a ampla aliança de centro-direita no Distrito Federal.
Michelle Bolsonaro é prioridade
Celina disse acreditar que Michelle Bolsonaro dificilmente abrirá mão da disputa pelo Senado, sobretudo diante do desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
“Acredito que Michelle Bolsonaro será, sim, candidata. Sempre falo com ela e acho muito importante a participação das mulheres. Em todas as pesquisas ela aparece em primeiro lugar”, afirmou.
Segundo a governadora, o PL já definiu que apoiará sua candidatura ao Governo do Distrito Federal com duas candidatas ao Senado.
“Está fechado. O PL vem com duas candidaturas ao Senado, nos apoiando.”
A chefe do Executivo comemorou o protagonismo feminino na eleição do próximo ano.
“São três mulheres em uma chapa. Isso é emblemático. Fico feliz em ver mulheres se colocando à disposição para disputar cargos importantes.”
Relação próxima com Michelle
Celina também falou sobre a amizade que mantém com Michelle Bolsonaro e revelou sua percepção sobre o momento vivido pela ex-primeira-dama.
Segundo ela, Michelle atravessa um período de forte desgaste emocional em razão da situação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A primeira percepção que eu tenho é que, se ela tiver que escolher entre a família e a política, ela escolhe a família.”
Mesmo assim, Celina acredita que Michelle continuará desempenhando papel central na política nacional.
Ela destacou que a ex-primeira-dama construiu uma liderança própria nos últimos anos, especialmente à frente do movimento de mulheres do PL.
“Ela não é mais apenas esposa de Bolsonaro. Ela virou uma líder do movimento de mulheres.”
Tom moderado sobre Ibaneis Rocha
Embora tenha reconhecido que alguns movimentos políticos recentes de Ibaneis não contribuíram para o ambiente da base governista, Celina evitou fazer críticas contundentes.
Segundo ela, ainda não conversou pessoalmente com o ex-governador desde o anúncio da desistência.
“Acredito que foi uma decisão de foro íntimo.”
Celina também elogiou a gestão de Ibaneis.
“Ele foi governador por quase oito anos. Até os adversários precisam reconhecer que fez muitas obras e entregas.”
No entanto, apontou dois episódios que, em sua avaliação, geraram desgaste político:
- a cobrança pública feita por Ibaneis em relação à própria governadora;
- a tentativa de retirar o deputado distrital Wellington Luiz da presidência do MDB-DF.
Apesar disso, ressaltou que pretende manter o MDB na aliança.
MDB pode indicar o vice
Questionada sobre a possibilidade de o MDB reivindicar a vaga de vice-governador, Celina não descartou o cenário.
Ela informou que terá reunião com dirigentes do partido na próxima semana e destacou que a política é construída por meio do diálogo.
“Acredito que tudo, pensando em um projeto maior, consegue acomodar todo mundo.”
A declaração foi interpretada nos bastidores como um indicativo de que o MDB poderá participar da composição da chapa majoritária, embora atualmente o Republicanos também seja cotado para indicar o candidato a vice.
Prioridades para um novo mandato
Caso seja reeleita, Celina afirmou que pretende concentrar esforços em quatro grandes áreas:
- fortalecimento da saúde pública;
- melhoria da educação;
- continuidade das obras de infraestrutura;
- ampliação da governança digital.
Segundo ela, o GDF vem investindo em tecnologia para monitorar em tempo real indicadores de gestão.
“Tenho todos os dados do governo numa sala ao lado. Sei quais obras estão paralisadas e quais secretarias estão tendo melhor desempenho.”
Ela afirmou que pretende manter um governo voltado tanto para políticas sociais quanto para grandes obras estruturantes.
Situação financeira do GDF
Ao comentar as finanças públicas, Celina negou que o Distrito Federal esteja em dificuldades fiscais.
Segundo ela, ao assumir o governo promoveu cortes de despesas, revisou contratos e reorganizou a equipe econômica.
“Estamos pagando os fornecedores em dia.”
Ela também voltou a afirmar que o Governo do Distrito Federal não utilizou recursos do Tesouro para solucionar a crise envolvendo o BRB.
“O GDF não usou nenhum centavo para o BRB.”
Segundo a governadora, o empréstimo contratado para fortalecer a instituição financeira está em fase final de formalização e o balanço do banco deverá ser divulgado após a conclusão dos trâmites.
Transporte e expansão do metrô
Na área da mobilidade urbana, Celina anunciou que o governo trabalha em dois projetos importantes:
- estudo de viabilidade para implantação de um VLT ligando Ceilândia e Taguatinga;
- expansão da Linha do Metrô, partindo da Asa Sul em direção ao Núcleo Bandeirante, Recanto das Emas e Gama.
Ela também confirmou que o GDF lançou licitação internacional para aquisição de novos vagões.
Sobre o subsídio ao transporte coletivo, afirmou que determinou auditoria antes de qualquer eventual reajuste ou reequilíbrio econômico dos contratos.
Casas rachadas em Samambaia
Questionada sobre os imóveis atingidos por rachaduras provocadas pelas obras do metrô em Samambaia, Celina garantiu que as famílias receberão assistência do governo.
Segundo ela, a Defesa Civil concluiu que, até o momento, não há comprometimento estrutural das residências.
Caso haja necessidade, o governo poderá realizar remoções, indenizações ou conceder o chamado cheque-construção para recuperação dos imóveis.
Entrevista repercute no cenário político
As declarações de Celina Leão repercutiram intensamente no meio político do Distrito Federal por consolidarem, pela primeira vez de forma pública, o desenho da chapa governista para o Senado após a saída de Ibaneis Rocha da disputa.
A entrevista também evidenciou a estratégia da governadora de preservar a unidade da base aliada, manter o MDB próximo do projeto de reeleição e reforçar o protagonismo feminino na sucessão de 2026.
Com liderança nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, Celina Leão busca consolidar uma ampla frente de centro-direita para disputar a reeleição ao Palácio do Buriti, tendo como prioridade a manutenção da estabilidade política e da aliança construída desde o início de seu mandato.
Em tempo: Embora a chapa de Celina Leão já tenha encaminhado as candidaturas de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL-DF) ao Senado, as articulações políticas no Distrito Federal seguem intensas e ainda podem alterar o desenho da coligação governista. Nos bastidores, ganha força a possibilidade de a ex-ministra Cristiane Britto, hoje pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, ser alçada à disputa por uma das vagas ao Senado. Paralelamente, outra negociação relevante envolve o MDB. Segundo apurou a reportagem, o partido poderá indicar o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Wellington Luiz, para ocupar a vaga de vice-governador na chapa de Celina. As conversas, no entanto, ainda estão em andamento e a composição final da aliança de centro-direita para as eleições de 2026 permanece em fase de construção, com definições que devem ocorrer nas próximas semanas.
Como dizia o saudoso Magalhães Pinto: “Política é igual uma nuvem. Você olha está de um jeito. Olha de novo é ja mudou“.
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Da Redação do Agenda Capital






