Urupês é a primeira cidade no interior de SP a oferecer a tirzepatida no sistema público de saúde. Foto: Reprodução.

Prefeitura de Urupês no interior de São Paulo, lança programa inédito com caneta emagrecedora no SUS

Por Redação

A Prefeitura de Urupês, a cerca de 415 quilômetros da capital paulista, anunciou que passará a oferecer gratuitamente o medicamento tirzepatida — conhecido comercialmente como Mounjaro — para o tratamento da obesidade na rede pública. A medida torna o município o primeiro do estado de São Paulo a disponibilizar a chamada “caneta emagrecedora” pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa prevê atendimento inicial a cerca de 200 pacientes com obesidade, priorizando pessoas em situação de vulnerabilidade social, inscritas no CadÚnico, e que estejam na fila de espera para cirurgia bariátrica. Outro critério obrigatório é a comprovação de tentativa prévia de tratamento não farmacológico por, no mínimo, seis meses. A presença de comorbidades, como hipertensão e diabetes, também será considerada para fins de priorização.

Segundo a administração municipal, o tratamento será acompanhado por uma equipe multidisciplinar formada por endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social. Os resultados serão avaliados a partir da evolução clínica dos pacientes, com análises de peso, índice de massa corporal (IMC), adipômetro, exames laboratoriais e redução do uso de medicamentos para doenças associadas à obesidade, além de indicadores de qualidade de vida e autoestima.

De acordo com o prefeito e médico Roberto Cacciari Filho (PL), a política pública surge como uma ferramenta complementar no enfrentamento de uma doença que ele classifica como epidêmica. “Nós identificamos a necessidade de uma ferramenta adjuvante aos pacientes que estão em busca de perda de peso. A obesidade nos preocupa muito, pois traz consequências danosas e inúmeras comorbidades. Por isso, iniciamos um estudo para definir quem pode adotar o protocolo e quem tem contraindicação absoluta”, afirmou.

O medicamento será aplicado nas unidades de saúde do município e deverá estar sempre associado a mudanças no estilo de vida e acompanhamento contínuo. “Com o uso do medicamento em conjunto com nutricionista, educador físico, psicólogo, assistente social e endocrinologista, conseguimos traçar um plano terapêutico em que a tirzepatida é apenas uma das ferramentas para o sucesso do tratamento”, destacou o prefeito.

Mesmo os pacientes que não tiverem indicação para o uso do fármaco continuarão sendo acompanhados pela rede municipal, com orientações sobre alimentação, prática de atividades físicas e suporte psicológico. A expectativa da prefeitura é que a estratégia reduza gastos futuros com o tratamento de doenças associadas à obesidade e contribua para diminuir a fila por cirurgias bariátricas.

Cacciari também sinaliza a possibilidade de ampliação do programa no futuro. “Tenho esperança de que possamos expandir para além desse público mais vulnerável, alcançando também a classe C. A tendência é que o medicamento fique mais acessível com o tempo. O programa veio para ficar”, afirmou.

Tempo de tratamento

Em Urupês, o tratamento com tirzepatida está previsto para durar de quatro a seis meses. Especialistas, no entanto, alertam que a obesidade é uma doença crônica e que, em muitos casos, a interrupção do medicamento pode levar ao reganho de peso. O prefeito afirma que o município está preparado para arcar com doses de manutenção quando houver indicação clínica.

Licitação e debate regulatório

Para viabilizar o programa, a prefeitura abriu processo de licitação para definir a empresa fornecedora das canetas de tirzepatida. Inicialmente, a administração considera a possibilidade de aquisição por meio de farmácias de manipulação, já que existe uma brecha na regulamentação da Anvisa que permite a manipulação da substância — diferentemente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.

A farmacêutica Eli Lilly, detentora da patente do Mounjaro, já se manifestou publicamente contra essa permissão, classificando-a como uma contradição que expõe a população a riscos desnecessários. Há registros de um mercado paralelo do medicamento, com relatos de canetas sem procedência ou sem a substância declarada.

Segundo a prefeitura, o edital de licitação exige que as empresas participantes sigam rigorosamente todas as normas da Anvisa para a produção e fornecimento das canetas. O processo ainda não foi concluído, e não foi informado se a Eli Lilly participa do certame.

Apesar das controvérsias, a gestão municipal aposta que a política poderá servir de referência para outras cidades. De acordo com Cacciari, prefeitos de diferentes regiões já procuraram Urupês em busca de informações sobre o modelo adotado.

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Da Redação do Agenda Capital

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