Cunha tem se mobilizado para derrubar no Congresso os vetos presidenciais à Lei Complementar 219/2025, proposta que altera pontos importantes da Lei da Ficha Limpa

Por Redação

A cena política brasileira pode assistir, nos próximos meses, a um dos movimentos mais surpreendentes desde a ascensão do Centrão ao comando do Congresso. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, articula nos bastidores um plano ambicioso: retornar ao mandato de deputado federal nas eleições de 2026 e, já em 2027, disputar novamente o comando da Casa legislativa.

Segundo aliados próximos, Cunha tem se mobilizado para derrubar no Congresso os vetos presidenciais à Lei Complementar 219/2025, proposta que altera pontos importantes da Lei da Ficha Limpa e que pode reabilitar politicamente nomes antes impedidos de ocupar cargos de direção no Parlamento. A eventual mudança abre caminho não apenas para Cunha, mas também para outros caciques com pendências judiciais que foram afastados da vida institucional ao longo dos últimos anos.

Nova legislação eleitoral é peça-chave do plano

A proposta de alteração da Lei da Ficha Limpa tem um ingrediente ainda mais simbólico: é de autoria da deputada Dani Cunha (União Brasil-RJ), filha do ex-presidente da Câmara. O texto busca flexibilizar dispositivos que hoje impedem políticos com condenações colegiadas de concorrerem a determinados postos de comando, incluindo a Mesa Diretora.

A aprovação da mudança — e a derrubada dos vetos feitos pelo Executivo — é vista por interlocutores de Cunha como o principal passo para reconstruir seu caminho ao centro do poder legislativo.

Ambições renovadas

Cunha, que presidiu a Câmara entre 2015 e 2016 e foi figura central no processo de impeachment de Dilma Rousseff, mantém forte influência nos bastidores e ainda conta com redes de apoio entre parlamentares veteranos e setores do Centrão. A eventual volta de políticos experientes, “barrados” pela legislação atual, fortaleceria — na visão de seus aliados — uma candidatura sólida à presidência da Câmara em 2027.

Apesar de ainda depender da própria eleição para deputado federal no próximo ano, o ex-parlamentar já sinaliza que pretende retomar protagonismo e reconstruir seu espaço no tabuleiro do poder em Brasília.

Cenário em aberto

A articulação em torno da Lei Complementar 219/25 tende a gerar debates acalorados no Congresso e na sociedade civil, reacendendo discussões sobre integridade, transparência e critérios de elegibilidade. Caso o novo desenho jurídico avance, a disputa interna na Câmara poderá ganhar novos contornos — e reacender o papel de figuras historicamente polêmicas.

Eduardo Cunha, ao que tudo indica, prepara seu movimento de retorno ao palco principal. Resta saber se o ambiente político permitirá que o ex-presidente da Câmara recupere o protagonismo que já teve — e quais serão as reações tanto dentro quanto fora do Parlamento.

Siga o Agenda Capital no Instagram: https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/

Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here