Servidores pedem exoneração em massa após suspeitas de espionagem
Por Redação
A crise instalada na Câmara Legislativa do Distrito Federal ganhou novos contornos nesta quinta-feira (14), após um grupo de pelo menos 20 servidores pedir exoneração coletiva de cargos comissionados em meio às investigações sobre um suposto esquema de espionagem nos computadores da Casa.
Os servidores divulgaram um documento conjunto relatando um ambiente de forte pressão interna, insegurança funcional, deterioração do clima organizacional e episódios recorrentes de desconfiança institucional. A decisão ocorre poucos dias após a abertura de uma investigação administrativa sobre possíveis irregularidades envolvendo o sistema de tecnologia da informação da CLDF.
Debandada atinge áreas estratégicas
Os pedidos de exoneração atingem setores considerados essenciais para o funcionamento tecnológico da Câmara Legislativa. Entre as áreas afetadas estão:
- Infraestrutura de Tecnologia da Informação;
- Administração de sistemas;
- Inovação e inteligência de dados;
- Atendimento e cultura digital;
- Gestão de contratos de TI.
Segundo o memorando apresentado pelos servidores, o principal motivo para a saída em massa foi a individualização de responsabilidades sem considerar o contexto coletivo, técnico e operacional das atividades desempenhadas pelos setores envolvidos.
No texto, os profissionais afirmam que houve um “profundo abalo na confiança organizacional”, comprometendo a permanência nas funções de confiança exercidas até então.
Os servidores também destacaram que os departamentos afetados operam em regime de alta complexidade técnica, exigindo dedicação permanente, plantões informais e atendimentos emergenciais frequentes. Diante do cenário atual, o grupo avaliou que o ambiente tornou-se incompatível com a continuidade dos trabalhos.
Entenda a investigação
A crise começou na última segunda-feira (11), quando a CLDF passou a apurar uma denúncia anônima registrada na Ouvidoria da Casa. O relato apontava instabilidades na rede de internet e “comportamentos estranhos” em computadores corporativos, levantando suspeitas de possível monitoramento irregular ou espionagem interna.
Após tomar conhecimento da denúncia, o presidente da Câmara Legislativa, deputado distrital Wellington Luiz, determinou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e informou que a Polícia Civil do Distrito Federal seria acionada para investigar o caso.
As primeiras medidas administrativas adotadas pela Casa incluíram:
- O afastamento por 60 dias do diretor de Modernização e Inovação Digital, Walerio Oliveira Campôres;
- A exoneração do chefe de Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Pedro Cunha Rego Celestin.
Processo seguirá sob sigilo
Em nota oficial, a Câmara Legislativa informou que as investigações ficarão sob responsabilidade da Comissão de Processo Disciplinar e Tomada de Contas Especial (CPTCE), que terá prazo inicial de 60 dias para concluir os trabalhos, podendo haver prorrogação pelo mesmo período.
A Mesa Diretora da CLDF afirmou ainda que, por se tratar de procedimento sigiloso e em fase de apuração, não haverá novos comentários públicos até a conclusão das investigações.
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Da Redação do Agenda Capital






