Último jogo do Flamengo no Mané Garrincha com a presença de público foi contra o Athletico-PR na decisão da Recopa em 16.02.2020. Foto: Delmo Menezes / Agenda Capital.

Duelo em Brasília, nesta quarta-feira, será o primeiro da Libertadores-2021 com público. Neste período, clube calcula ter tido prejuízo de até R$ 150 milhões sem bilheteria e sócio torcedor.

Por Delmo Menezes

Flamengo e Defensa y Justicia se reencontram uma semana após o equilibrado embate na Argentina, onde o Rubro-Negro saiu vencedor por 1 a 0 e trouxe a vantagem para o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, a ser realizado nesta quarta-feira, às 21h30, no Estádio Mané Garrincha.

Na tarde desta terça-feira (20), o Flamengo finalizou a preparação para o confronto contra o Defensa y Justicia. Como venceu a partida de ida por 1 a 0, na Argentina, o Mais Querido jogará com a vantagem do empate para garantir classificação para as quartas de final da competição.

O técnico Renato Gaúcho comandou um treino tático no CT do Brasiliense. Após a atividade, o artilheiro Gabigol, que alcançou o hat-trick contra o Bahia, no último domingo (18), foi presenteado por seus companheiros de time com a bola autografada do jogo.

A partida marcará o retorno da Nação Rubro-Negra ao estádio. A última vez que o Flamengo jogou com apoio da torcida foi há um ano e quatro meses. Na ocasião, o Mais Querido venceu o Barcelona de Guayaquil por 3 a 0, no Maracanã, com gols de Gustavo Henrique, Gabi e Bruno Henrique.

O confronto foi transferido para Brasília por conta da permissão da presença de 25% do público, se tornando, portanto, a primeira partida desta edição do torneio a contar com torcida

O Estádio Nacional Mané Garrincha é considerado a segunda Casa do Flamengo fora do Rio de Janeiro. Foram 497 dias de espera até o reencontro com a torcida, que será de 25% da capacidade do estádio, ou seja, cerca de 18 mil pessoas. A partida contra o Defensa y Justicia, pelas oitavas de final da Libertadores, marcará o primeiro jogo da equipe novamente com público desde o fechamento dos estádios devido à pandemia de coronavírus.

Após alcançar o hat-trick contra o Bahia, o artilheiro Gabigol foi presenteado com a bola do jogo por seus companheiros de time. Foto: Alexandre Vidal / CRF

A busca pela liberação

No dia 9 de julho, a Prefeitura liberou 10% de público no Maracanã para a final da Copa América, entre Brasil e Argentina. A autorização das autoridades gerou desconforto no Flamengo, que já tivera solicitação negada na final do Carioca.

Há um mês, o risco no Rio saiu de muito alto para alto. Pela legislação, podia ter jogo de futebol com 10% de público. Com base nisso, o Flamengo trabalhou junto à Prefeitura para que liberasse para o Flamengo também. Não dá para ter dois pesos e duas medidas – explicou Dunshee ao ge.

Depois que a Conmebol liberou a presença de público nas oitavas de final da Libertadores, o Flamengo enviou protocolo à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), basicamente o mesmo que o usado pela Conmebol na Copa América, com pequenas alterações. A SMS retornou pedindo alguns ajustes, mas o clube segue confiante de que em breve conseguirá a liberação para jogar no Maracanã.

O Estádio Nacional Mané Garrincha é a segunda casa do Flamengo. Foto: Delmo Menezes / Agenda Capital.

Em campo, aproveitamento cai para 69,5%

O impacto da ausência da torcida também foi sentido em campo. Principalmente nos primeiros jogos de Maracanã vazio, os jogadores deixaram claro que o silêncio nas arquibancadas afetou o desempenho. O fator casa do Flamengo se diluiu.

Desde o fechamento dos estádios, o Flamengo fez 47 partidas como mandante, com aproveitamento de 69,5%: 30 vitórias, oito empates e nove derrotas. O levantamento é do Espião Estatístico.

Para ter uma base de comparação, o Espião Estatístico analisou os 47 jogos anteriores, ainda com público. Aqui, vale um adendo: este período corresponde a boa parte da passagem de Jorge Jesus no comando da equipe. Neste recorte, o aproveitamento como mandante foi bem maior: 84,3%, com 38 vitórias, cinco empates e quatro derrotas.

O último jogo do Flamengo com torcida, aliás, foi também na Libertadores. Com 63.426 presentes no Maracanã, a equipe venceu o Barcelona de Guayaquil por 3 a 0, gols de Gustavo Henrique, Bruno Henrique e Gabigol. Do time que entrou em campo naquela partida, dois jogadores deixaram o clube: o lateral-direito Rafinha e o volante Gerson, além do técnico Jorge Jesus.

Se Jorge Jesus era unanimidade na torcida e fazia questão de, ao fim de toda partida, saudar as arquibancadas junto com os jogadores, seus sucessores viveram uma realidade bem diferente.

Neste período sem público, dois técnicos passaram pelo Flamengo sem a possibilidade de interação mais próxima com a torcida: Domènec Torrent e Rogério Ceni. Se antes o termômetro de popularidades deles era a arquibancada, as redes sociais assumiram esse papel.

Público não deve bater capacidade liberada

Recém-chegado ao Flamengo, Renato Gaúcho terá contato com a torcida logo em sua terceira partida. Mas a expectativa é de que o público no Mané Garrincha não alcance a capacidade máxima de 18 mil pessoas.

As dificuldades logísticas são levadas em consideração no cenário: além de o jogo ser em Brasília, só serão permitidos no estádio torcedores completamente vacinados (com duas doses ou dose única) ou que tenham um exame negativo de PCR de até 48 horas antes do jogo. Menores de idade estão vetados de acesso ao Mané Garrincha.

Os preços para o jogo também são um fator que explicam a baixa procura de ingressos: o ingresso mais barato custa R$ 140, e o mais caro, R$ 500.

Ainda assim, o jogo contra o Defensa y Justicia é visto como um primeiro passo. A partida acontece três meses antes da previsão na readequação do orçamento.

A diretoria entende que, nesta retomada, será natural ter algum tipo de prejuízo na operação dos jogos. A conta é de que o Flamengo só conseguirá um retorno financeiro com públicos a partir de 25% da capacidade do Maracanã, e com preços mais altos do que o normal.

Goleiro Diego ALbves comemorando a última vitória do Rubro-Negro. Foto: Reprodução.

Todo o processo de retomada é gradual. Se você quebrar a perna, não vai correr uma maratona em seguida. Queremos passar uma mensagem de esperança para a população, para a torcida. Logicamente que a ciência e o bem da coletividade estão acima dos interesses – disse Dunshee.

Brasília, por mais que provavelmente gere um prejuízo na operação, não está descartada para futuros jogos. A diretoria também busca alternativas em praças mais baratas. O objetivo maior do Flamengo, porém, é dar um segundo passo em breve – reencontrar sua torcida na própria casa, no Maracanã.

Estamos jogando em Brasília, mas queremos jogar os próximos no Rio. (Brasília) é uma praça importante para a gente. É perto, é central, tem muita torcida do Flamengo. Foi conveniente. O Flamengo quase foi à Justiça (para jogar no Rio). A prefeitura não estava sinalizando positivamente, mas em vez de ficar brigando, optamos por ir a Brasília – finalizou Dunshee.

Flamengo e Defensa y Justicia:

Estádio: Mané Garrincha, em Brasília (DF) Data e hora: 21 de julho de 2021, às 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Roberto Tobar (CHI)
​Assistentes: Alejandro Molina (CHI) e Sebastian Vela (COL)
Árbitro de vídeo: Cristián Garay (CHI)

Onde assistir: Fox Sports e Tempo Real do LANCE!

FLAMENGO (Técnico: Renato Gaúcho)
Diego Alves; Isla, Rodrigo Caio, Gustavo Henrique (Léo Pereira) e Filipe Luís; Willian Arão, Diego, Everton Ribeiro e Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol.

Desfalques: César, Thiago Maia e Piris da Motta (em recuperação)

DEFENSA Y JUSTICIA (Técnico: Sebastián Beccacece)
Unsain; Frías, Braian Rivero e Cardona; Matías Rodríguez, Loaiza, Rotondi, Escalante e Soto; Walter Bou e Contreras.

Desfalques: Juan Rodríguez (lesionado)

Data e hora: 21 de julho de 2021, às 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Roberto Tobar (CHI)
​Assistentes: Alejandro Molina (CHI) e Sebastian Vela (COL)
Árbitro de vídeo: Cristián Garay (CHI)

Onde assistir: Fox Sports e Tempo Real do LANCE!

FLAMENGO (Técnico: Renato Gaúcho)
Diego Alves; Isla, Rodrigo Caio, Gustavo Henrique (Léo Pereira) e Filipe Luís; Willian Arão, Diego, Everton Ribeiro e Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol.

Desfalques: César, Thiago Maia e Piris da Motta (em recuperação)

DEFENSA Y JUSTICIA (Técnico: Sebastián Beccacece)
Unsain; Frías, Braian Rivero e Cardona; Matías Rodríguez, Loaiza, Rotondi, Escalante e Soto; Walter Bou e Contreras.

Desfalques: Juan Rodríguez (lesionado)

Da Redação do Agenda Capital e GE

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