Governo turbina programas sociais e mira classe média com isenção do IR
Por Redação
Com a proximidade das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma série de medidas robustas para ampliar o poder de compra da população e estimular a atividade econômica. O pacote inclui desde a isenção do Imposto de Renda (IR) para a classe média até a expansão de programas sociais e linhas de crédito, em um cenário marcado pela desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) e pela pressão inflacionária decorrente de conflitos internacionais.
Isenção do imposto de renda e alívio para a classe média
Uma das frentes principais é a mudança na tabela do Imposto de Renda. A isenção para quem recebe até R$ 5 mil e a redução de alíquotas para rendas de até R$ 7.350 devem deixar de arrecadar entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões este ano. A medida beneficia cerca de 15 milhões de pessoas e foi classificada pelo presidente como um “14º salário” para o trabalhador.
Programas sociais “vitrines” e habitação
O governo também turbinou programas voltados à baixa renda, rebatizados para fortalecer a marca da gestão:
- Gás do Povo: O número de famílias atendidas saltou de 4,5 milhões para 15 milhões em 2026. O programa oferece de 4 a 6 botijões por ano.
- Luz do Povo: A meta é atingir 20,9 milhões de residências com gratuidades ou descontos de até 11,8% na conta de energia.
- Minha Casa Minha Vida: Com aprovação de 90%, o programa habitacional elevou o teto de renda para R$ 13 mil e o valor dos imóveis para R$ 600 mil. A previsão é que novas modalidades, como o Reforma Casa Brasil, movimentem R$ 46 bilhões em 2026.
Somados, o Gás e a Luz do Povo representam um alívio de R$ 15,5 bilhões no orçamento das famílias vulneráveis.
Expansão do crédito e investimentos
O governo aposta no Crédito do Trabalhador, linha consignada que utiliza o FGTS como garantia. Projeções indicam que o volume de novas operações pode chegar a R$ 134 bilhões este ano. Além disso, os desembolsos do BNDES devem ultrapassar os R$ 200 bilhões, visando sustentar o emprego e a renda em um período de crescimento econômico mais tímido (previsão de 1,8% para o PIB).
O contraponto econômico: inflação e juros
Apesar do otimismo do Planalto, economistas alertam para os riscos fiscais e monetários. O excesso de liquidez na economia, aliado à alta do petróleo devido à guerra entre Estados Unidos e Irã, pressiona a inflação.
“Essa quantidade de grana movimentando a economia fez com que a Selic tivesse que ser 15%”, afirma o economista Gabriel Leal de Barros, da ARX Investimentos.
Especialistas apontam que a estratégia pode dificultar a queda dos juros pelo Banco Central e elevar a dívida pública, que já atingiu 78,7% do PIB em janeiro deste ano. Para conter o preço do diesel e evitar greves, o governo também anunciou um pacote de R$ 30 bilhões em subsídios e redução de impostos sobre combustíveis.
Desafios políticos e polarização
Embora o volume de recursos seja expressivo, analistas políticos questionam se as medidas serão suficientes para garantir vantagem eleitoral. Pesquisas recentes indicam um empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
A polarização ideológica parece ter reduzido o peso do “voto econômico”. Mesmo com o aumento da isenção do IR, o apoio ao governo no segmento que ganha entre dois e cinco salários-mínimos apresentou recuo, evidenciando o desafio de converter benefícios financeiros em apoio político consolidado em um Brasil dividido.
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Da Redação do Agenda Capital








