Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente busca alguém que consiga transitar com facilidade entre o Centrão, a esquerda e até mesmo o PL

Por Redação

Após a demissão de Nísia Trindade do Ministério da Saúde conforme noticiado em primeira mão pelo Agenda Capital no dia 21/2, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, em conversas reservadas com auxiliares, que a pasta precisa de mudanças. A ordem agora é que o ministério seja conduzido de forma mais política e entre rapidamente na disputa por uma marca de governo que destaque a gestão federal.

Dois anos após o início de seu terceiro mandato, Lula ainda não encontrou um mote forte o suficiente para tirar o governo da crise de popularidade. O presidente reembalou programas já existentes, como o Farmácia Popular, e pretende alterar o nome de outros considerados pouco claros, como o PMAE – Programa Mais Acesso a Especialistas. No entanto, até o momento, não há uma proposta nova que sirva como carro-chefe para conquistar a confiança da população.

A demissão de Nísia Trindade, que ocupava o cargo desde o início do governo, reflete a insatisfação do Planalto com a condução da Saúde. A expectativa é que o novo ministro ou ministra adote uma postura mais alinhada com as demandas políticas do governo, especialmente em um ano eleitoral crucial como 2026.

A busca por um articulador político

Enquanto resolve os problemas na Saúde, Lula enfrenta outro desafio: encontrar um nome para comandar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), que será fundamental para a construção de alianças no Congresso e nos Estados. A pasta, até então chefiada por Alexandre Padilha – que foi transferido para o Ministério da Saúde –, é considerada a “UPA” do Palácio do Planalto, por onde passam diariamente dezenas de parlamentares em busca de recursos e negociações.

O presidente busca alguém que consiga transitar com facilidade entre o Centrão, a esquerda e até mesmo o PL, partido de Jair Bolsonaro. A escolha do novo coordenador político é vista como estratégica para garantir apoio no Congresso, onde o governo ainda não conquistou maioria sólida, e para montar os palanques estaduais em 2026.

José Múcio Monteiro, atual ministro da Defesa e ex-coordenador político do governo Lula entre 2007 e 2009, é uma das referências para o cargo. Conhecido por sua habilidade em negociar com parlamentares, Múcio costumava receber os congressistas com bolo de rolo e uma frase emblemática: “Aceite um pedaço de bolo porque aqui só tem rolo”. Ele resume a complexidade do cargo com uma máxima: “Para se dar bem nesse cargo, você tem que engolir sapo e ainda pedir a receita”.

Outro nome que já passou pela Secretaria de Relações Institucionais é o do empresário Walfrido dos Mares Guia, que esteve à frente da pasta antes de Múcio. Mares Guia participou da última cerimônia de Nísia Trindade no Planalto e, em conversa com Lula na semana passada, destacou a importância de incluir os parlamentares nas decisões do governo. “O novo coordenador político precisa garantir que todas as flechas sejam atiradas na mesma direção, e não cada uma para um lado”, afirmou.

O desafio das emendas parlamentares

A Secretaria de Relações Institucionais vive um momento de alta pressão. Com as emendas parlamentares impositivas – ou seja, com destinação obrigatória de recursos –, a negociação política se tornou mais complexa. No passado, como lembra Mares Guia, as emendas não eram impositivas, o que permitia maior margem de barganha. Hoje, o governo precisa lidar com a demanda crescente por liberação de recursos, enquanto tenta manter o apoio dos congressistas.

O quarto andar do Palácio do Planalto, onde fica a secretaria, é um ponto de passagem obrigatório para deputados e senadores. Os sofás de couro preto estão sempre lotados, e a maioria dos parlamentares que bate ponto na SRI busca a liberação de verbas para suas bases eleitorais.

A esperança por um novo articulador

Com a saída de Padilha e a necessidade de um nome que una as diferentes correntes políticas, Lula espera que o novo articulador político do governo consiga superar as divergências e construir uma base sólida para os próximos anos. A expectativa é que o anúncio do sucessor ocorra nas próximas horas, encerrando um período de incertezas no Planalto.

Enquanto isso, o presidente segue insistindo na busca por uma marca de governo que possa ser vendida à população. Em meio à queda de popularidade e à crise política, Lula sabe que o sucesso de sua gestão dependerá, em grande parte, da capacidade de seu novo coordenador político em engolir sapos – e ainda pedir a receita.

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Da Redação do Agenda Capital

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