Em Hannover, o presidente brasileiro diz que os europeus precisam superar a resistência ideológica ao biocombustível brasileiro e negar que o produto impacte a produção de alimentos ou florestas nativas.

Por Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (20/04) durante viagem à Alemanha a produção de biocombustível do Brasil e críticas barreiras impostas na União Europeia (UE). Falando durante um encontro empresarial no âmbito da Feira Industrial de Hannover , Lula anunciou contra o que chamou de “mitologia” contra biocombustíveis.

“Há muito mito criado entre os países desenvolvidos e os em via de desenvolvimento. A Alemanha conhece o Brasil mais que qualquer outro país.

“O nosso combustível já emite menos. Então, é preciso apenas que a gente possa trocar essa experiência para que vocês percebam que, quando o Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e que será uma potência mundial na oferta de combustível renovável ao mundo, nós não estamos falando de coisa pouca”, disse Lula.

“A recente crise energética mostra que a Europa precisa superar sua resistência ideológica ao biocombustível”, disse Lula no mesmo dia, desta vez num pronunciamento ao lado do chanceler federal alemão Friedrich Merz .

A fala ocorre após alguns movimentos de restrição de biocombustíveis de fora do bloco na União Europeia, que se intensificaram com a proximidade da entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio com o Mercosul.

Restrição Europeia

Em janeiro, a Comissão Europeia divulgou a intenção de reclassificar o biodiesel feito de soja, que poderia perder a partir de 2030 o status de recurso renovável na UE, e, portanto, não poderia ser mais usado por companhias de combustíveis para cumprir metas de redução de carbono. Tal medida impactaria diretamente a importação de biodiesel produzido no Brasil e Argentina.

Uma restrição semelhante já atinge o óleo de palma, que é cultivado principalmente na Ásia. Os defensores da restrição argumentam que o biodiesel de soja é tão nocivo para o meio ambiente quanto o petróleo e que a expansão do produto estaria sendo feita aos custos de florestas e da produção de alimentos.

Lula, no entanto, disse enxergar o argumento de que a expansão dos biocombustíveis pode impactar a produção de alimentos. “Ninguém como biodiesel, ninguém como gasolina. As pessoas comem comida. (…) Não há hipóteses de o Brasil deixar de produzir alimentos para produção de bicombustíveis”, destcaou, apontando para a quantidade de terras degradadas que, segundo ele, poderiam ser recuperadas para a produção de bicombustíveis.

“A União Europeia está revisando seu regulamento sobre biocombustíveis. Estão na mesa propostas que ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro. Também entraram em vigor em janeiro o mecanismo unilateral de cálculo de carbono que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis”, prevê Lula. “Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico”, destacou.

Lula chegou no domingo (19/04) em Hannover, após cumprir uma etapa anterior na Espanha . Na cidade alemã, o presidente brasileiro foi recebido com pompa pelo chanceler federal Merz , com direito a uma cerimônia militar no palácio Herrenhausen e um jantar privado na antiga residência dos reis de Hannnover.

Na segunda-feira, Lula e Merz também participaram da abertura do estante brasileiro na feira industrial da cidade, a maior do setor no mundo. No mesmo dia, houve reuniões previstas no âmbito das chamadas consultas intergovernamentais de alto nível Alemanha-Brasil, um mecanismo de diálogo que o governo alemão mantém com alguns parceiros internacionais e que prevê reuniões regulares entre os países. 

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Com DW

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